Sociedade

WORLD MERIT PORTUGAL: “AS ASSOCIAÇÕES ESTUDANTIS TÊM MUITA FORÇA”

Iúri Ferreira é estudante de mobilidade na Faculdade de Economia da Universidade do Porto e fundou o escritório da World Merit em Portugal. A associação apoia e promove projetos de empreendedorismo e consciência social de jovens universitários.

Iúri Honda Ferreira. Brasileiro, de 21 anos. Chegou há seis meses a Portugal. Diretamente de Brasília para o Porto, um programa de mobilidade para estudantes universitários trouxe-o até cá, juntamente com a enorme vontade de fazer a diferença deste lado do Atlântico. Foi durante a curta estadia na Invicta que criou a World Merit Portugal.

Iúri Honda Ferreira, World Merit Portugal

A World Merit é uma plataforma de networking de cidadãos que querem ter um impacto social positivo na comunidade, no país e no mundo. Com sedes em Liverpool e na Califórnia, a organização cria redes de contacto entre “os talentos e as oportunidades” um pouco por todo o planeta.

A organização tem, para além das sedes oficiais, escritórios – os chamados country offices – e mais de 43 mil seguidores no Facebook. Portugal está a juntar-se agora ao Brasil, Nigéria, Paquistão, Índia, Filipinas e África do Sul na rede internacional de empreendedorismo social da World Merit.

A World Merit é descrita como uma rede de “jovens transformadores”. Para Iúri Ferreira, estes jovens são “pessoas cujo objetivo é trazer impacto social positivo para a comunidade, baseado em valores comuns”, que contribuem para o “empoderamento (empowerment) da comunidade local”, através de ações sociais de curto e longo prazo.

Esta plataforma não tem fins lucrativos, pelo que “a motivação e a vontade” são os requisitos fundamentais para fazer parte do projeto. “Não há nenhum curso, não é a escolha que tu fizeste há dois ou três anos que define se és ou não capaz de causar esse impacto”, afirma o estudante da FEP. Iúri afirma que apesar de os participantes estarem dispostos a trabalhar sem uma remuneração real, eles “conseguem perceber as contrapartidas de tudo o que se ganha, como a experiência, a rede de contactos mundial”.

O jovem considera que o sucesso da implementação e desenvolvimento dos projetos depende muito do contexto em que se inserem. Iúri constata que na Europa “já há bastante estrutura e muitas organizações”, ao contrário da Ásia ou de África, onde os trabalhos “começam do zero”, sendo assim mais difícil a sua concretização.

Em Portugal, a representação local começou a funcionar há pouco tempo, no entanto, “o contacto é muito fácil”, esclarece o estudante. “Há um processo de seleção aberto neste momento e já foram escolhidas algumas pessoas para trabalhar connosco de Faro, de Lisboa e de algumas cidades do Norte”. No total há seis representantes do país a trabalhar nas áreas de design, criatividade, projetos sociais, desenvolvimento da liderança, contacto com as empresas e organizações.

Iúri olha para os jovens portugueses como os mais dinâmicos que já viu. “Comparando com o contexto brasileiro, as associações estudantis aqui tem muita força”, destaca o jovem e refere as mais de dez organizações estudantis que existem dentro da FEP. O número de organizações estudantis da Universidade surpreendeu-o pela positiva. “Cá, há muita coisa que funciona, mas que não tem visibilidade. Esta é a grande questão. Há muita gente a trabalhar, mas isso ainda não tem uma marca forte”, conclui. Iúri acredita que a World Merit Portugal pode ser a peça que faltava para dar visibilidade às inúmeras iniciativas sociais.

 

A COOPERAÇÃO JOVEM EM REDE

No próximo dia 24 de julho celebra-se o World Merit Day, um evento em Liverpool, no qual vai ser relançada a plataforma virtual da organização. A partir deste espaço, as pessoas podem-se integrar com os líderes locais e todos os jovens que querem ter impacto social podem conectar-se com pessoas do próprio país e do mundo inteiro. “Há muitas frentes a trabalhar pelo mesmo objetivo, por isso é necessário que as pessoas se conheçam”, salientou o jovem que considera essencial haver este “trabalho em rede” para corrigir os erros cometidos e rentabilizar os esforços.

Para Iúri Ferreira, o trabalho em networking é cada vez mais “a solução tanto a nível nacional como internacional”. A função destas redes passa também por avaliar os projetos desenvolvidos a nível global e verificar “onde é que as pessoas já erraram e onde já acertaram para conseguir reproduzir isso da melhor forma possível”.

Depois de um semestre em Portugal, Iúri vai voltar ao Brasil mas deixa o seu legado. Neste curto período, conseguiu consolidar alguns projetos e fazer parcerias com várias organizações. O jovem destaca que as ações do World Merit têm tido uma aceitação “muito boa” e que é importante colocar as pessoas em contacto, dentro da rede.

Iúri assume a grande vontade da organização em chegar a mais países para desenvolver o empreendedorismo social. “No longo prazo, queremos ser uma referência de impacto de projeto social, uma organização a nível global”.

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