Política Sociedade

MURO DE BERLIM: O QUE MUDOU E O QUE NUNCA VAI MUDAR

25 anos depois da queda do muro que dividiu a Alemanha, e o Mundo, como mudou a sociedade e política europeia? O que há de novo e o que continua “velho”? O JUP traz-te alguns indicadores que comparam o ano de 1989 aos nossos dias.
Fotografia: autor desconhecido.

9 de Novembro de 1989, Berlim. Pelas 23:00h caía o muro que dividira durante 28 anos as duas Alemanhas ideologicamente separadas no pós-Segunda Guerra Mundial. Volvidos 25 anos após a queda de um dos maiores símbolos da Europa do século XX, folheamos a história à procura das maiores mudanças e do que afinal não mudou na sociedade e política do “Ocidente”.

Número de países-membro da União Europeia:

1989: 12 países membros: República Federal da Alemanha, França, Bélgica, Itália, Holanda (Países Baixos), Luxemburgo, Reino Unido, Dinamarca, Irlanda, Grécia, Portugal e Espanha.

Atualmente: 28 países membros. Desde então aderiram à União Europeia 16 países: Eslovénia, Eslováquia, República Checa, Chipre, Estónia, Letónia, Malta, Polónia, Lituânia, Hungria, Bulgária, Roménia e Croácia.

 

Número de mulheres em elevados cargos de chefia de Estado:

1989: É difícil calcular um número exato, dadas as revoluções nas antigas Repúblicas Soviéticas. Sabe-se no entanto, que a taxa de participação políticas da mulheres era de apenas 11,8%.

Atualmente: 11. Alemanha (Chanceler),  Dinamarca (Rainha e Primeira Ministra), Letónia (Primeira Ministra), Lituânia (Presidente da República), Malta (Presidente), Noruega (Primeira Ministra), Reino Unido (Rainha), Suiça (Vice-Presidente do Governo Federal e duas Conselheiras Federais).

 

Taxa de risco de pobreza: antes e após transferências sociais:

1989: Estima-se que durante a década de 80, os valores de pobreza aumentaram de 40 milhões de pessoas para 55 milhões – um sétimo da população da União Europeia, segundo dados referentes ao Terceiro Programa de Pobreza da UE.

Atualmente: Segundo dados referentes ao ano de 2012 da Rede Europeia Anti Pobreza, 24,8% da população europeia estava numa situação de risco de pobreza e/ou exclusão social. Em Portugal, o valor subia para 25,3%.

 

Revoluções políticas:

1989: Neste ano, a Europa foi marcada pelas revoluções sociopolíticas em algumas antigas Repúblicas Populares Soviéticas, impulsionadas pela queda do muro na Alemanha. A Polónia, Hungria, Alemanha Oriental, Checoslováquia, Bulgária e a Roménia foram alguns dos países que conheceram dias menos pacíficos a dois anos da queda oficial da URSS.

Atualmente: Os conflitos na Ucrânia, particularmente a crise da Crimeia e os movimentos pró-russos, são o ponto central dos conflitos no continente europeu, num plano mundial marcado pela Guerra Civil na Síria, a persistência dos confrontos na Faixa de Gaza e o avanço dos jihadistas do autoproclamado Estado Islâmico. Segundo a ONG B’Tselem, entre 1989 e 2009, Israel exterminou cerca de 7.400 palestinos.

 

1989: o ano do WWW, do GPS e dos Simpsons

Não foi apenas o Muro de Berlim que fez derramar tinta no ano de 1989. No último ano da década de 80, Tim Berners Lee descobre o protocolo que daria origem à World Wide Web. Em feveiro, é posto em órbita o primeiro de vinte e quatro satélites que permitem a localização GPS.

Foi também há 25 anos que Dalai Lama recebeu o Prémio Nobel da Paz. O líder religioso e político tibetano recebeu o galardão da academia sueca no mesmo ano em que os EUA lançam a sonda espacial Galileu com destino a Júpiter.

Em dezembro de 89, no mesmo dia em que o Brasil votou nas primeiras eleições livres após 28 anos de ditadura, estreia nos EUA o primeiro episódio da célebre série animada The Simpsons.

Em 1989, nasceram também os atores Daniel Radcliffe e Nicholas Hoult, o músico Chris Brown e os irmãos Kaulitz dos Tokio Hotel e o futebolista alemão Thomas Muller. Este foi também o último ano para Salvador Dalí, James Bond (inspiração de Ian Flemming para o 007) e o realizador Laurence Olivier.