Sociedade

Acesso ao Ensino Superior: Taxa de sucesso mais baixa dos últimos anos

Mais de 49 mil jovens garantiram a entrada para o ensino superior na 1ª fase de acesso. Num ano com cerca de 64 mil candidaturas, mais de seis mil vagas ficaram ainda por preencher.

Na 1ª fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior, entraram, este ano, 49.452 estudantes, o segundo número mais elevado em três décadas - resultado superado apenas pelos 51 mil colocados do ano passado. Porém, regista-se também a taxa de sucesso mais baixa nas candidaturas dos últimos tempos.
Fonte: Facebook Universidade do Porto

As estatísticas

Das mais de 64 mil candidaturas, apenas 77% foram aceites, uma percentagem que desde 2012 que não era tão baixa (o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES) não disponibilizou dados anteriores a esta data). Mesmo com o reforço de 3000 lugares, que aumentou o número de vagas de 55.307 para 64.004, a diferença entre o número de candidatos e o número de colocações continuou a ser significativa.

O presidente da Comissão Nacional de Acesso ao Ensino Superior, António Fontainhas Fernandes, admitiu, em declarações ao Publico, que os números mostram que há mais candidatos do que no ano anterior. Contudo existem menos alunos colocados, o que pode significar que não havia vagas suficientes nas áreas em que os alunos queriam entrar.

Relativamente aos 14.500 jovens que não conseguiram colocação, António Fontainhas Fernandes afasta a possibilidade de um novo aumento de vagas, e mostra convicção de que a 2ª fase será suficiente para dar resposta às ambições dos alunos não colocados. “Ainda há muitas vagas disponíveis [6.393] e estes alunos ainda podem entrar”, afirma o presidente da Comissão Nacional de Acesso ao Ensino Superior.

No final da 1ª fase, e apesar dos estudantes sem colocação, ficaram ainda 6.393 vagas por preencher (mais 350 que no ano passado). António Sousa Pereira, presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP), acredita que estes números podem ser produto de “expectativas irrealistas” por parte dos alunos, aquando da candidatura. Em entrevista dada ao Publico, António Sousa Pereira explicou que, porventura, “estando convencidos de que o concurso seria mais fácil”, tendo em conta que as notas dos exames nacionais regressaram a níveis habituais, os jovens podem ter-se candidatado a cursos que terminaram com uma média de entrada superior ao que esperavam: “Acabaram por não entrar em lado nenhum”, conclui o presidente do CRUP.

No que toca às vagas sobrantes no ensino universitário, o curso de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores da Universidade de Coimbra- que sofreu uma remodelação para este ano letivo- é o que ficou com mais vagas por preencher (63), ao qual se juntam Engenharia Informática da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (54) e o homólogo da Universidade do Algarve (49).

Nos politécnicos, o número de vagas disponíveis acentua-se e Engenharia Informática permanece no topo, com 86 vagas não preenchidas no Instituto Politécnico de Bragança. Em segundo lugar está o curso de Engenharia Civil no Instituto Politécnico de Lisboa (75), e a terceira posição volta a ser ocupada por Engenharia Informática, no Instituto Politécnico de Castelo Branco, que deixou 71 vagas por preencher.

Preferência de cursos e as notas mais elevadas

O curso de Engenharia Aerospacial no Instituto Superior Técnico permanece no topo da lista com a nota de entrada mais elevada. O último colocado nesta 1ª fase do concurso teve 19,05 valores de média, menos 0,08 do que no ano passado.

Em segundo lugar está o curso de Medicina do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, da Universidade do Porto, com uma média de 19.03, sendo este um dos poucos cursos no qual a nota de acesso subiu em relação ao ano anterior. Segue-se Engenharia e Gestão Industrial, da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (18,98 valores de nota do último colocado), Engenharia Física Tecnológica, do Instituto Superior Técnico (18,95), Medicina da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (18,82) e da Universidade do Minho (18,78).

Previsões para a 2ª fase de candidatura

Nenhum dos cursos com as notas mais elevadas terá vagas disponíveis para a 2ª fase do concurso de acesso. Com mais de 6000 lugares ainda em disputa, o período de candidaturas teve início no dia 27 de setembro, e estende-se até 8 de outubro. Existem vários cursos, maioritariamente pertencentes a institutos politécnicos do interior do país, que não conseguiram colocar nenhum aluno, e têm, por isso, o número total de vagas ainda por preencher.

A Direção Geral do Ensino Superior (DGES) estima que o número total de novos inscritos no ensino superior público, neste ano letivo, vai ultrapassar os 80 mil. Os resultados da 2.ª fase do concurso nacional de acesso vão ser divulgados a 14 de outubro.

Escrito por Inês Silva
Revisão por Beatriz Oliveira