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“Fora Genocida”: ato contra “política de morte” reúne 30 pessoas no Porto

Nem o tempo chuvoso impediu a realização da vigília em homenagem aos mais de 380 mil mortos pela covid-19 no Brasil. O ato reuniu 30 pessoas que, respeitando o distanciamento social e o uso de máscara, ergueram suas vozes contra a “política de morte” de Jair Bolsonaro. Por Tálita Mello
Vigília e manifestação #forabolsonarogenocida realizada a 21 de abril de 2021, na Avenida dos Aliados.

Luto. Vestidos com roupas escuras e portando velas acesas, 30 pessoas se reuniram no dia 21 na Avenida dos Aliados, mesmo sob tempo chuvoso. A reunião aconteceu para homenagear aqueles que “se foram”, vítimas da covid-19, e para se solidarizar com a dor de “quem fica”, pessoas que perderam familiares e entes queridos sem direito a uma despedida digna.

O ato não apenas homenageou as mais de 380 mil vidas perdidas no Brasil desde o início da pandemia, houve um protesto claro contra aquilo que se considera uma má gestão do Presidente Jair Bolsonaro na pandemia. 

A vigília foi organizada pelo “Solidariedade Brasileira”, um grupo de portugueses e brasileiros residentes em Portugal, que se uniram em sua indignação face à “destruição promovida pelo governo Bolsonaro, às estratégias de combate ao vírus, à proteção ambiental e à defesa dos direitos humanos”. 

Em conversa com o grupo, o cenário de “perda de controle”, citado pela OMS, foi atribuído ao “desgoverno do presidente Jair Bolsonaro”, por não ter atuado de forma efetiva na contenção do vírus, menosprezando a importância das medidas de distanciamento e lockdown, além da falta de um programa de imunização eficiente e da promoção de um tratamento precoce não reconhecido pelas autoridades sanitárias. Além disso, o grupo criticou a omissão de ajuda financeira para que as pessoas possam se proteger nas suas casas.

Embora reconheçam o caráter global da pandemia, ressaltam que “a falta de controle e atuação em relação à propagação do vírus tornou o cenário infinitamente pior, transformando nosso país em um exemplo negativo em relação ao tratamento da pandemia”. 

O Brasil já soma mais de 14 milhões de casos de covid-19 desde o início da pandemia e abril foi o mês mais letal, tendo sido ultrapassada a marca de 4 mil mortes diárias nos dias 6 e 8. 

Imerso em inúmeras polêmicas – dos quais a falta de insumos para vacinas coincidente com gastos de R$ 90 milhões na compra de medicamentos sem eficácia comprovada, a rotatividade de ministros da Saúde ou a falta de empatia face aos mortos pela covid-19 são apenas alguns exemplos – Jair Bolsonaro tem sido responsabilizado pelas crises sanitária e política enfrentadas pelo Brasil no último ano.  

A nossa colaboradora, Tálita Mello, esteve presente na vigília, onde recolheu as opiniões e reivindicações do grupo “Solidariedade Brasileira:

O que vos levou a realizar esta manifestação?

“Mais de 375 mil pessoas perderam a vida por conta da pandemia de COVID-19 no Brasil. E, apesar de se tratar de um problema global, a falta de controle e atuação em relação à propagação do vírus tornou o cenário infinitamente pior, transformando o nosso país em um exemplo negativo em relação ao tratamento da pandemia. Em meio a esse caos, pessoas que perderam familiares e entes queridos não puderam fazer uma despedida digna. 

Por conta disso, nos reunimos hoje para homenagear quem se foi e nos solidarizar com a dor de quem fica. O Brasil soma mais de 13,9 milhões de casos de covid-19 e mais de 373 mil mortos. Foi citado pela OMS como lugar de “perda de controle” sobre a pandemia.”

O levou a essa situação? 

“Atribuímos isso ao desgoverno do presidente Jair Bolsonaro, que minimizou a pandemia desde sempre. E, ainda: 

  • não atuou de forma efetiva na contenção do vírus, desmerecendo as medidas de distanciamento e lockdown; 
  • não fornece condições financeiras para que as pessoas possam se proteger nas suas casas; 
  • promoveu uma campanha falsa a favor do tratamento precoce, algo que não existe; 
  • não foi efetivo na compra antecipada de vacinas, insumos e na organização de um programa de imunização eficiente – algo que, até então, o Brasil era exemplo. No dia 13 deste mês o Senado Federal oficializou a criação da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Pandemia.”
O que se espera da CPI? 

“Estamos representados nesse ato enquanto indivíduos. Estamos cansados de ver, mesmo que a distância, o cenário atual do Brasil. Dessa forma, cada um tem opiniões individuais sobre esse tema e não podemos falar por todos.”

Reportagem da autoria de Tálita Mello. Revisto por José Milheiro e Marco Matos.

ARGUMENTÁRIO DE IMPRENSA “Solidariedade Brasileira”
Quem somos? 

Somos um grupo de portugueses e brasileiros que residem em Portugal. Unimo-nos pela indignação decorrente da destruição promovida pelo governo Bolsonaro às estratégias de combate ao vírus, à proteção ambiental e à defesa dos direitos humanos.

Porquê?

A pandemia de COVID-19 matou quase 400 mil pessoas no Brasil. Mortes essas que poderiam ter sido evitadas se o país não tivesse um genocida no poder, que despreza o seu povo e as vítimas dessa doença. 

Por isso, como responsável por uma condução desastrosa da pandemia, somente o podemos chamar de genocida. Não é uma gripezinha! Não é mimimi! Não queremos mais viver o medo de mortes que poderiam ser evitadas. Não aceitamos que o Brasil se torne o epicentro da criação de variantes do vírus, o que mina o esforço de povos de diferentes nacionalidades. 

Para protestar contra o triste cenário brasileiro, precisamos nos unir em força política e solidariedade! Por isso, te convidamos para, no dia 21 de abril, feriado de Tiradentes, homenagear os familiares que não puderam velar seus entes queridos que se foram. São vítimas do COVID, mas, também, de um desgoverno que tem um plano de morte para a sua população.  

ANTIGO MANIFESTO ENVIADO À IMPRENSA – COLAGENS 

O dia 1 de Abril de 1964 entra na história do Brasil como um dia de infâmia. Implementou-se o golpe civil-militar que lançou o país a longos 21 anos de Ditadura Militar. 

Das profundas feridas deixadas por esse período, surgiram e alimentaram-se figuras como a de Jair Bolsonaro. Capitão de artilharia, não aceitando a volta à democracia, planejava a realização de atentados que pudessem justificar o prolongamento do regime castrense. Submetido a processo disciplinar dentro do Exército, constatou-se que o então capitão mentiu durante o procedimento e concluiu-se que Bolsonaro era uma figura com “desvio grave de personalidade e uma deformação profissional”. 

Deputado federal por mais de duas décadas, construiu sua carreira sob mentiras e sob mentiras foi alçado à condição de presidente da república. Com diversos casos de corrupção no seu entorno, pregava a honestidade. Com reiteradas e inaceitáveis críticas à democracia, elegia-se. Com a defesa da ordem, promovia e protegia milicianos, os quais, inclusive, são os principais envolvidos no assassinato de Marielle Franco. A hipocrisia, uma variante da mentira, marca a sua vida política e sua personalidade. 

Como presidente, buscou enfrentar uma das maiores pandemias da história da humanidade com soluções milagrosas, negando a ciência e eximindo-se de liderar um esforço nacional pela vida. Abraça a mentira e a morte em movimentos desesperados para garantir sua sobrevivência política, que também é a sobrevivência de sua família. Seu desgoverno vem promovendo um genocídio, sobretudo das pessoas mais pobres. Seu ceticismo com a democracia enfraquece o esforço feito por populações e governos que tenham vínculos diretos com seu governo. A mentira, que promove diuturnamente, já coloca em risco o esforço mundial para pôr fim à pandemia. 

Por ser um mentiroso compulsivo e um enaltecedor da morte, Bolsonaro provoca um genocídio e lança em ainda maior insegurança toda a população mundial. Com uma média móvel de óbitos de quase 4.000, a cifra absurda de mais de 300.000 vidas perdidas e famílias destruídas será apenas uma das marcas macabras que seu governo irá alcançar. Por isso e para que a infâmia tenha fim, nesse dia 10 de Abril, nós, brasileiros e portugueses, conclamamos a todos para o #forabolsonarogenocida.