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Desconfinamento – o início da reabertura

Foi a 13 de janeiro que António Costa, face ao escalar dos números da pandemia em Portugal, anunciou que o país ia voltar a confinar. Praticamente, dois meses depois, dá-se o primeiro sinal de abertura. O que podemos esperar? Por João Dias.
Ilustração: Rachel Merlino

Os sinais de abertura estão dados e o plano gradual de reabertura da sociedade e da economia está traçado. Analisando o plano estratégico de desconfinamento, impõe-se o foco prioritário do Governo na retoma à normalidade da rotina das crianças, mas não apenas. 

O JUP detalha as etapas apresentadas na última reunião governamental:

15 de Março:

Já no início da semana foram reabertas as creches, o pré-escolar e o 1º Ciclo. Trata-se de um critério consonante com as várias manifestações de preocupação por parte das organizações transnacionais sobre as graves consequências que o fecho das escolas trazem consigo, nomeadamente na pessoa de António Guterres, atual Secretário Geral da ONU.

Outro ponto , que marca o plano de reabertura, é o gradual levantamento de restrições do chamado “pequeno comércio”. Dito isto, também voltou a ser permitido o funcionamento da atividade de cabeleireiros, barbeiros, e comércio ao postigo. Mais uma vez, não se pode deixar de salientar que, desde o início da crise pandémica, que se levantaram vozes de alerta sobre a especial vulnerabilidade do pequeno comércio face à imposição de restrições.

Não obstante, afigura-se polémica a medida de reabertura da chamada “venda ao postigo”, dado que cria desigualdades entre os próprios estabelecimentos dos diferentes negócios da atividade empresarial. A título de exemplo, a adequação deste modelo de venda ao público não é a mesma de uma loja de roupa, onde não há um produto já previamente definido de compra, ao contrário de uma padaria, onde esse produto já estará definido antes da chegada a esses estabelecimentos comerciais.

Posto isto, estas são, de facto as duas maiores prioridades: regresso da atividade escolar para os mais novos e reabertura do pequeno comércio.

5 de Abril:

Numa segunda fase do plano de desconfinamento, seguem-se outros dos setores essenciais da sociedade, fortemente associados ao bem-estar e qualidade de vida dos cidadãos: o desporto, o património cultural, os equipamentos sociais destinados a pessoas portadores de deficiências e o ensino presencial para adolescentes e pré-adolescentes em 2º e 3º ciclo.

No que à arte e património diz respeito, especificam-se a abertura ao público dos museus, monumentos, galerias de arte, palácios e similares. A associação do presente setor artístico ao turismo terá pesado, dadas as fortes quebras de receita decorrentes da pandemia. A verdade é que já tivemos notícia do encerramento definitivo de vários equipamentos culturais que marcam muito daquilo que são os ícones de Portugal, enquanto país. Por certo, a intenção será a de evitar que mais museus, galerias encerrem.

Quanto ao desporto, a sua ligação ao bem-estar físico e mental é por demais conhecido. Não obstante, o levantamento de restrições será gradual e para já, passará pelas chamadas “modalidades desportivas de baixo risco” e de caráter não-coletivo. Neste sentido, para já, estão excluídas as aulas de grupo nos ginásios.

19 de Abril:

Para esta data, está agendado um novo recomeço para os estudantes do ensino secundário e do Ensino Superior, com o regresso às aulas presenciais, embora não seja consensual entre os estudantes sobre qual o modelo de ensino que mais lhes cativa.  No que concerne aos corpos docentes, também será a retoma de um modelo à qual estão mais habituados.

Também está contemplada a possibilidade de retoma de outras atividades de lazer tais como o cinema, o teatro e centros comerciais.Casamentos e batizados voltarão a ser permitidos, embora com limitações de lotação correspondente a 25% da capacidade.

3 de Maio:

A partir desta última etapa marca-se o regresso à mais próxima concretização de normalidade que a pandemia nos permite conhecer.

Todas as atividades desportivas serão permitidas, quer ao ar livre, quer em ginásios e a lotação dos casamentos poderá subir para 50% da sua capacidade. Finalmente, os cafés, pastelarias e restaurantes terão a possibilidade de retomar a sua atividade, sem qualquer tipo de restrição de horários por forma a que, de algum modo, possam compensar algumas das significativas perdas no volume de faturação que sofreram desde o início da crise pandémica.

Os avisos de possibilidade de existir um recuo não deixaram de ser transmitidos por parte das autoridades de saúde. Caberá aos cidadãos em particular, e à sociedade em geral a manutenção das já conhecidas medidas de prevenção para que tudo corra segundo aquilo que é a intenção de todos: o retomar da normalidade nos termos em que sempre a conhecemos.

Artigo de João Dias. Editado por Laís França.

Ilustração de Rachel Merlino.