Sociedade

Porque ajudar não pode parar, bancos alimentares portugueses reforçam a ação

Face à problemática vivida no presente, a Rede de Emergência Alimentar apresenta-se como uma resposta limitada no tempo que perdura até ao final do estado de emergência em Portugal.

Da união do Banco Alimentar com a organização Entrajuda e a Bolsa do Voluntariado português nasceu a Rede de Emergência Alimentar, para servir de força de combate ao novo coronavírus em Portugal. O anúncio da criação da rede foi feito esta sexta feira, dia 20.

Numa fase em que o país e o mundo estão em permanente estado de alarme, a iniciativa procura dar resposta a uma realidade que se agrava todos os dias.

Face às medidas tomadas, indispensáveis para prevenir o contágio e propagação da doença, originaram-se situações de extrema dificuldade e desespero junto das populações mais desfavorecidas. “Pela primeira vez, tenho medo de que haja em Portugal pessoas que possam passar fome”, afirma ao JUP Isabel Jonet, Presidente da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares contra a Fome e da Entrajuda.

A Rede de Emergência Alimentar assenta em parcerias com instituições de solidariedade social e juntas de freguesia. É na articulação entre estes dois corpos que é feita a análise e a avaliação de cada família que precisa de apoio. Caso se comprove que é necessário auxílio, ou que estavam a receber apoio de uma outra instituição que fechou, é realizado o encaminhamento dos alimentos.

A Rede de Emergência Alimentar já está no terreno. A intenção é que em todas as freguesias do país possa haver um ponto de entrega de alimentos. “O objetivo aqui é que não haja ninguém em Portugal que passe fome e essa é que é a situação de hoje em dia”, afirma Isabel Jonet.

A presidente do Banco Alimentar considera ainda precoce o avanço de dados precisos de quantas pessoas a Rede de Emergência Alimentar irá conseguir ajudar. No entanto, confessa que o fecho de aproximadamente metade das instituições de solidariedade social com as quais o Banco Alimentar costuma trabalhar – cerca de 2600, entre ATL, creches, centros de dia e outros – veio dificultar a vida de muitas famílias que viram os benefícios reduzidos a zero.

Grande parte dos fechos foram inesperados e repentinos, deixando um grande número de pessoas sem qualquer apoio alimentar. Em somente três dias foram recebidos cerca de 900 pedidos de ajuda, avança Isabel Jonet.

O depósito dos alimentos nos pontos de entrega será realizado por voluntários no âmbito da rede, que serão mobilizados para a instituição mais perto da sua área de residência de forma a evitar grandes deslocações. A premissa de que a população se encontra em contenção de deslocações não é desestimada.

Todo o cuidado é imprescindível e, por isso, os voluntários estão obrigados à utilização de luvas e higienização redobrada. Cada voluntário recebe um esboço com indicações de modo de atuação, sendo regra primária não estar infetado.

A presidente da associação acrescenta ainda que presume o bom senso e sentido de responsabilidade daqueles que se dispõem a “esta missão”. Isabel Jonet revelou que a proteção de uns não é desvalorizada em prol da de outros e que olhar o outro e a nós próprios é substancial.  A entreajuda é verdadeiramente imperativa face à crise social presente e económica que se adivinha.

“Eu penso que há mais sensibilidade para a necessidade de estarmos atentos aos outros. As pessoas como estão mais tempo em casa até têm mais tempo e, portanto, sentem que temos de estar mais unidos e que, se calhar, coisas a que dávamos muita importância não têm assim tanta importância”, afirma Isabel Monet.

Em tempos difíceis, “a ajuda não pode parar”.

 

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