Ciência e Saúde Sociedade

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA: O PAPEL DO FARMACÊUTICX

No dia 21 de novembro, decorreu, no salão nobre do complexo ICBAS/FFUP, uma palestra subordinada ao tema da violência doméstica e do papel do farmacêutico. O evento foi organizado pelo movimento HeForShe FFUP.
Fotografia: José Eduardo Silva
Fotografia: José Eduardo Silva

O HeForShe FFUP, sob a alçada do HeForShe Porto, chegou à Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto para deixar a sua marca. Incentivados e movidos pela igualdade de género, um grupo de jovens da FFUP decidiu pôr mãos à obra e realizar uma palestra sobre violência doméstica. A pertinência do tema prendeu-se com o papel dos farmacêuticos no seio do seu exercício profissional e na abordagem a este tipo de situações.

“É importante dotar os farmacêuticos de capacidades para melhorar o mundo e preparar o futuro”, contou Rui Oliveira, presidente do HeForShe FFUP. Na sua intervenção, objetivou ainda uma palestra focada no valor acrescentado que passa por educar os futuros profissionais de saúde sobre como agir em casos de violência doméstica.

O palestrante Fernando Rodrigues, chefe da Polícia e membro do Gabinete de Atendimento e Informação à Vítima (GAIV), pretendeu apresentar a perspetiva da abordagem policial a estes casos e desmitificar algumas ideias da população em geral que, a seu ver, são menos corretas. Salientou que a violência doméstica é o fenómeno que atenta mais claramente contra os direitos humanos.

Desta forma, em termos legais, Fernando Rodrigues alertou para o facto de este ser considerado um crime de natureza pública, ao abrigo do artigo 152º do código penal. “Qualquer pessoa pode e deve denunciar”, afirmou. Em paralelo ao apoio à vítima, a polícia pretende executar o processo judicial de forma célere e rápida.

“A polícia é uma peça de um puzzle onde também os cidadãos são parte integrante”, contou Fernando Rodrigues.

A palestra contou ainda com a presença de mais duas oradoras que contextualizaram a violência doméstica na esfera da saúde.

Ana Sofia Neves, Presidente da Associação Plano i, apresentou uma série de estudos sobre a temática em questão. A oradora destacou o facto de a problemática ser, em simultâneo, de cariz social e do âmbito da saúde, advindo daí a importância da intervenção dos profissionais de saúde.

Familiarizada com o contexto de farmácia comunitária, Maria Sofia Rocha, docente na Faculdade de Farmácia, explicou como os farmacêuticos devem atuar quando deparados com uma situação de que o utente é vítima. Maria Sofia Rocha destacou que o farmacêutico deve ter especial atenção se o doente se apresentar, dia após dia, na farmácia com hematomas visíveis ou se solicitar a dispensa de medicamentos que possam levantar suspeitas nesse sentido.