Sociedade

13ª MARCHA DO ORGULHO LGBT+: “ANTINATURAL É NÃO SER FELIZ”

A edição anual da Marcha do Orgulho do Porto realizou-se no sábado passado. Entre membros e apoiantes da comunidade LGBT+, reuniram-se milhares de pessoas, em defesa da “liberdade sexual” e da “liberdade para amar”.

 

Ainda não eram duas da tarde e a Praça da República já se ia enchendo de cor. A Marcha tem objetivos ativistas e de protesto, mas a importância dos direitos defendidos não a tornam num evento sério. Pelo contrário, há espaço para tudo. Convívio, alegria, partilha, união. Até para um joguinho de cartas, como continuaram pacificamente a fazer os reformados sentados nos bancos da Praça.

A multidão pôs-se em Marcha por volta das 16h00. Seguindo o percurso marcado, percorreu as ruas de Gonçalo Cristóvão, de Santa Catarina e de Passos Manuel, para finalizar na Praça de Dom João I.

Inúmeros serão os momentos e as histórias para contar mais tarde. Num Movimento que “segue em marcha com o feminismo, luta anti-racista, a justiça climática, o movimento estudantil, o direito à habitação e a viver na cidade do Porto”, o amor é o centro de tudo – amor pela identidade própria, pelo outro e pelo em que se acredita. A energia coletiva é efusiva e contagiante. Os moradores expressavam o seu apoio das janelas e varandas. Alguns até abanavam bandeiras com as cores LGBT+ com – uma vez mais – orgulho. Os olhares desconfiados ou hostis também estariam, certamente, presentes. Mas o seu efeito foi nulo; o dia não era deles.

Com “Desacomoda-te e traz a tua luta também” como lema, a Marcha acabou em frente ao Rivoli, onde se montou o equipamento de som para as atuações, os discursos e as intervenções de ativismo.

Mesmo pontuada por alguns problemas, a Marcha do Orgulho do Porto até as “estátuas” conseguiu fazer sorrir. Esta marcou, também, o fim do “Desarmário – Festival Ativista LGBT+ do Porto”, dinamizado pela organização. O Festival decorria desde 8 de junho, pretendendo “ser um espaço livre de constrangimentos, dedicado à liberdade de criação, de pensamento e, principalmente, à reflexão sobre os paradigmas Lésbico, Gay, Bissexual, Trans, Queer, Intersexo e quaisquer identidades sexuais ou de género que acrescentem diversidade ao movimento”.

Para os que quiseram continuar a erguer orgulhosamente as suas bandeiras arco-íris, a alegria passou para a “Desbunda”, no Círculo Católico de Operários do Porto (CCOP), e, mais tarde, para a Festa Oficial da Marcha, no RADIO.