Sociedade

O BOLHÃO DE TODO O MUNDO

A baixa da Invicta tem aquela que é considerada a maior e mais típica praça de comércio da cidade do Porto. Não fosse o Bolhão uma casa portuguesa, com certeza. E não é só uma casa. Reúne as várias “segundas casas” de quem lá ganha a vida há muitos anos.

O mercado volta-se para as quatro ruas que o delimitam: Fernandes Tomás, a norte, Alexandre Braga, a este, Formosa, a sul, e Sá da Bandeira a oeste.

Mandado construir em 1837 pelo Presidente da Câmara Elísio de Melo, a obra foi conduzida pelo arquiteto António Correia da Silva, mas apenas inaugurada em 1914. De estilo neoclássico, todos lhe apontam a monumentalidade como principal característica. Em 2006, foi considerado imóvel de interesse público.

A designação de “Bolhão” surge do facto de ter sido edificado sobre uma nascente de água que ali existia e que formava uma “bolha grande”.

O Bolhão junta todos os mercados num só: desde a carne, ao peixe, passando pela fruta, pelos legumes, pelo pão, até por animais vivos e pelas flores que dão cor às bancas.

Dizem os filhos da terra que por ali passam que o Bolhão já não é o que era: “Há muito menos movimento agora. As pessoas preferem ir para os grandes supermercados”. Há uns anos para cá, houve uma sucessiva redução de clientes, o que levou a uma redução de comerciantes.

Ao longo dos anos houve várias tentativas de restauração do mercado do Bolhão que nunca foram avante. Sobre o assunto, os vendedores não estão crentes de que as obras se vão efetivar: “Está em obras? Está assim há mais de 8 anos”.

Há coisas que não mudam e a relação vendedor e cliente há muito que distingue o Bolhão pela interatividade, simpatia e proximidade, dando a conhecer o local de onde provêm os alimentos, o tratamento que os agricultores tradicionais lhes dão e a frescura dos produtos.

Mas o Mercado do Bolhão não é apenas dos portuenses. É certo que é de quem o visita, mas é cada vez mais dos muitos estrangeiros que cedo se levantam para o conhecer. Grupos de turistas perdem-se pela essência do mercado, pela pureza e autenticidade das vendedoras, que trocam alegremente os “v” pelos “b”, e dos seus pregões que refletem o calor português.

É certo que quem por lá passa, não esquece mais e leva na algibeira o Galo de Barcelos, os Lenços dos Namorados ou até o tradicional pião.

De segunda a sexta das 7h às 17h e ao sábado das 7h as 13h é possível encontrar a alma e a tradição de um mercado que conta histórias de um Porto que é “um arrabalde de si mesmo”.