Sociedade

O QUE MOVEU A MARCHA DAS MULHERES NA INVICTA

No dia 21 de janeiro, as ruas do Porto juntaram-se aos mais de 60 países que se manifestaram a favor dos direitos das mulheres.

Por volta das 14h30 a Praça dos Poveiros estava quase vazia. Meia hora depois o cenário era o oposto. Crianças, pais, avós, organizações, estrangeiros, ativistas, jovens, todos se reuniram para defenderem os direitos das mulheres. Os manifestantes e os organizadores do evento traziam consigo cartazes, bandeiras e mensagens que queriam transmitir. Folhetos, pins e autocolantes eram distribuídos a quem estivesse interessado.

Antes da marcha avançar e seguir pelas ruas do Porto, os interessados tiveram a oportunidade de se deslocar à frente da multidão e apresentar a sua opinião relativamente ao tema em causa. As pessoas que comunicaram neste espaço foram, maioritariamente, representantes de organizações como o PAN (Pessoas-Animais-Natureza), Juventude Socialista, Organização Anti-fascista, Coletivo Clima, Associação José Afonso, Portugal Gay e outras. Uma das representantes do PAN (Pessoas-Animais-Natureza), Marina Duarte, quis marcar que aquilo que está a ser feito deve continuar a sê-lo, dizendo “Vamos não parar”.

Durante este tempo, a organização do evento aproveitou para esclarecer as suas ideias a todos os presentes e para mostrar aquilo que realmente defendiam, afirmando que “os direitos não reconhecem fronteiras”.

Após os discursos, foi dado início à marcha. As pessoas seguiam os que iam à frente e que gritavam “Deixa passar! Sou feminista e o mundo vou mudar”. O percurso seguido pelos ativistas começou na Praça dos Poveiros, de seguida pela Rua Passos Manuel até à Rua de Santa Catarina, descendo a Rua 31 de Janeiro e subindo Sá da Bandeira.

“Não seja Trump” era o mote geral da marcha que se realizou em mais de 60 países por todo o mundo, contra o novo presidente dos Estado Unidos. Em Portugal, para além do Porto, Lisboa, Coimbra, Braga e Faro também aderiram. “Parar o Machismo/ Construir a Igualdade”, “Liberdade não tem género”, “Lutar contra Misoginia”, “Se não me conheces, não me chames querida”, “Al humans deserve respect and dignity”, “Ladies, don’t let anyone steal your sparkle”, “A nossa luta é todo o dia, somos mulheres, não mercadoria” e “Trump, Temer, Le Pen, não passarão” foram outras das frases que ecoaram durante a manifestação.

Os estudantes universitários também estiveram presentes. Miriam Azevedo, estudante de Línguas e Relações Internacionais na Faculdade de Letras da Universidade do Porto disse que é “nosso dever fazer ouvir a nossa voz contra todo o sexismo, misoginia e machismo que se tem visto não só nos Estados Unidos, como por todo o mundo. (…) Algo tem de ser feito, a mudança tem de acontecer e participar em eventos destes é um pequeno passo para a vitória.”. Em relação a todos aqueles que se opõem aos direitos das mulheres, Miriam acrescenta: “Gostava que se apercebessem que a mulher é tão humana quanto o homem.”

A marcha das mulheres foi considerada, para muitos, um resultado do trabalho que constroem todos os dias. “Logo que começaram a anunciar esta marcha juntei-me à iniciativa, pois é o culminar de um trabalho diário que faço e que todos deveríamos fazer para combater a desigualdade de géneros. (…) Não são só as mulheres que têm que aspirar a igualdade, também os homens têm que o fazer e ver que cada vez mais aderem a este tipo de iniciativas e têm este tipo de pensamentos feministas faz-me pensar que estamos a ir na direção certa.”, referiu Francisca Costa, estudante de Direito na Universidade do Minho.

A marcha acabou na Praça D. João I com uma salva de palmas conjunta. “A violência para a mulher não é o mundo que a gente quer”, foi o que se ouviu em muitas vozes no final da iniciativa.