Sociedade

O MEU LUGAR NO MUNDO

Esta semana, a rubrica Histórias Escondidas fala-te sobre um projeto que hoje reúne cerca de 40 voluntários e 25 crianças. Os objetivos passam por, em conjunto, apoiar as crianças, criando uma ponte entre a escola e a família e criar oportunidades para o sucesso escolar e inclusão social.
Fotografias por "O Meu lugar no Mundo" e Inês Vouga

Em frente à escola primária Fernão de Magalhães, no Porto, há um espaço que passa despercebido a olhares desatentos e ocupados. Nas instalações da inComunidade, no meio do popularmente denominado Jardim das Pedras, existe um projeto intitulado de “O Meu Lugar no Mundo”. Criado por Inês Vouga, alumni do mestrado de Economia Social da Universidade Católica Portuguesa, o projeto celebrará, em Dezembro próximo, dois anos.

O método de trabalho e intervenção do projeto apoia-se no triângulo escola-família-projeto, cujo principal objetivo é diminuir o insucesso escolar das crianças, na sua maioria provenientes de famílias e contextos carenciados e condições socioeconómicas condicionadas. Desta forma, diminuir, posteriormente, a taxa de exclusão social e aumentar o acesso a oportunidades e serviços. Não obstante o foco do projeto serem as crianças, há, também, uma preocupação constante para com as suas famílias. Assim, o projeto promove também a reestruturação familiar e a ocupação das crianças e seus familiares. E como se desenvolve todo este processo?

Renata Gomes e Cátia Oliveira são, hoje, as duas principais caras d’”O Meu Lugar no Mundo”, que se ocupam a tempo inteiro da organização e gestão do mesmo: desde os contactos com os professores envolvidos, à comunicação com a família, até à estruturação dos planos de estudo de cada uma das 25 crianças que foram, este ano letivo findo, acompanhadas.

Durante todas as tardes da semana, das 14h às 19h, o espaço enche-se de voluntários, de idades e áreas de estudo e trabalho completamente heterogéneas, que oferecem um pouco do seu tempo, paciência e força de vontade para fornecer apoio escolar às crianças em disciplinas como o Português, a Matemática, o Estudo do Meio ou o Inglês. Ao contrário do que acontece em muitos dos projetos sociais deste tipo, o voluntariado não é restrito a estudantes do ensino superior, embora, na sua maioria, os voluntários frequentem a universidade. O trabalho realizado por estes é fundamental ao projeto, uma vez que são eles, sob a orientação de Renata e Cátia, que dinamizam as sessões de estudo e contribuem para o sucesso das mesmas. E, como dizia o pequeno Hugo à colega de carteira, no final de uma das sessões, “a professora ralha-nos mas é para nos ensinar!”.

Do 1º ao 5º ano (da escola preparatória Augusto Gil), as crianças estudam, realizam fichas e testes e debruçam-se sobre dificuldades que a escola não consegue colmatar. Nos intervalos, riem, brincam, lancham e fortalecem amizades. Desta forma, há um constante e progressivo acompanhamento das crianças e das suas famílias; há um apoio escolar extra, que estas crianças não conseguem ter noutro sítio, contribuindo para um maior sucesso escolar dos pequenos aprendizes. É fornecida, também, uma orientação maior no que concerne ao seu comportamento e às suas maiores dificuldades. O projeto serve, no fundo, como uma ponte entre os atores que rodeiam estes futuros agentes sociais, permitindo transformar as dificuldades em soluções.

Nas férias escolares, o projeto não cessa atividade. Nos meses de junho e julho deste ano, o programa de férias permitiu aos pequenos estudantes disfrutarem de momentos como passeios pela cidade do Porto e rio Douro, uma visita à LIPOR, sessões educativas e pedagógicas ou tardes de desporto e correria. No último dia antes do acampamento de dois dias, o trabalho de todo o ano letivo culminou com apresentações musicais e muita alegria na festa de final de ano, com as crianças a correr de encontro aos professores – como carinhosamente tratam os explicadores – de sorriso de orelha a orelha e olhos a brilhar, a dizer “Professor, passei de ano!”.

De férias em Agosto, o projeto voltará no início de Setembro para preparar o próximo ano letivo. Todos aqueles que acreditem ser capazes de comprometer a sua presença e dedicação, assim como fazer a diferença através de pequenos gestos na vida destas crianças, serão bem-vindos. Há, ainda, a possibilidade de apadrinhamento do projeto com apoios monetários, contribuindo para o aumento de materiais de apoio que garantem o sucesso do projeto.

“O Meu Lugar no Mundo”, promovido pela InComunidade em parceria com a Junta de Freguesia do Bonfim, tem o apoio da ATES – Área Transversal de Economia Social da Católica do Porto, da UDIP – CASO (Católica Solidária), da The One Pixel, da WishªColor e da Unificar.