Sociedade

“A COMUNICAÇÃO É UMA ODISSEIA”

A Odisseia da Comunicação decorreu no ISCAP no dias 18 e 19 de Abril. O JUP esteve presente no segundo dia, que contou com um cartaz de oradores ligados à área da comunicação no desporto, nas relações públicas e no jornalismo, realçando-se, sempre, a importância de saber comunicar em todos os diversos setores.
Fotografias por Mariana Oliveira

O primeiro dia da V Edição da Odisseia da Comunicação, organizada por estudantes da licenciatura de Comunicação Empresarial do Instituto de Contabilidade e Administração do Porto, decorreu no passado dia 18, segunda-feira. Após uma cerimónia de abertura com a atuação de Helena Neto e Diogo Mão de Ferro, estiveram presentes nomes como a marca Valentina&Vitória, a youtuber Beatriz Gosta e Ary Ferreira da Cunha, da Sociedade de Debates da UP, entre outros.

No dia 19, terça-feira, Germano Almeida iniciou o dia com uma palestra sobre a comunicação no Desporto. Diretor de Comunicação da LIGA, interessado em política, garante que a comunicação é um “instrumento decisivo” e é necessária para “gerir o fluxo de interesses e atenções.” É, ainda, uma ferramenta essencial “para se encontrar um rumo e boas soluções”. Como Diretor de Comunicação, refletiu ainda sobre a importância de nunca deixar um jornalista sem resposta. Para prevenir o erro e esclarecer, afirma que é crucial “boa comunicação do lado da instituição”.

Quando questionado sobre as redes sociais, afirma que “ser forte na comunicação é ser forte no meio digital”, razão que justifica a recente criação de um instagram da LIGA (que está já presente, também, no Twitter).

Para finalizar, explicou que é importante, mais do que a mensagem que se quer passar, “saber escolher a quem dar a informação”. Acrescentou ainda que “Não há problemas em conseguir passar uma mensagem, desde que os jornalistas estejam à espera dela.”

O primeiro orador da tarde, Carlos Furtado – diretor na QI|Porto de Ideias, apresentou à plateia uma palestra sobre “Comunicar com Alma”. Após uma breve reflexão sobre a história dos jornais, em paralelo com a política e a economia, afirmou que “a mudança da comunicação ao longo dos anos é brutal”.

Hoje em dia, em média, todos nós recebemos 3000 mensagens de comunicação por dia, que nos chegam pelos mais diversos meios de comunicação. Segundo Carlos Furtado, “Todos comunicamos, diariamente e vivemos numa época em que achamos que tudo é grátis”. Esta facilidade de comunicação origina muitas vezes lapsos e falhas, derivados da “falta de informação e leitura e rapidez na partilha”.

Na política, por exemplo, o orador diz que a alma deve estar presente na comunicação e nos anúncios, ainda que “o outdoor não seja o fator decisivo”. Na comunicação empresarial, há uma necessidade de criar empatia a vários níveis e deve haver, por isso, responsabilidade para com o meio envolvente – comunicar com os vários grupos alvos e empreender uma gestão credível.

Carlos Furtado encerrou o debate realçando que “a comunicação é a arte de ser entendido” e por isso deve ser adaptada ao público-alvo. Contrariamente ao ditado popular, afirma que “a alma é o segredo do negócio.”

A terceira oradora da tarde é, atualmente, professora de Jornalismo na Universidade Lusófona. “Das fronteiras da terra invisível” foi o nome que deu o mote à apresentação de Vanessa Rodrigues, que iniciou o seu discurso abordando o papel do jornalismo na comunicação.

Como jornalista independente, defende a importância de “contar histórias invisíveis”, de interesse público para a mudança social, com foco nas minorias e na parte “invisível” da sociedade. Na sua opinião, são deveres dos jornalistas a verdade, a lealdade aos cidadãos, a verificação, a independência aos assuntos e pessoas que cobrem (pela facilidade de relações entre fontes e objetos de assunto) e o escrutínio independente do poder. O jornalismo deve ser, por isso, “um espaço público de debate e compromisso”

Tendo já realizado reportagens independentes em locais como a Amazónia ou a Palestina, pelo “instinto de sobrevivência no mundo do jornalismo”, garante que “comunicar é traduzir de um contexto para o outro”, pois “quando se quer, a comunicação é sempre possível”.

O último orador da Odisseia da Comunicação foi João Freitas, CEO e Diretor Criativo da Mezzolab.

Após um coffee break, o evento foi encerrado com o sorteio de um passe semanal para a Queima das Fitas e a atuação do músico Tiago Braga.

A Odisseia da Comunicação prometeu e demonstrou a importância da comunicação a todos os estudantes interessados envolvidos no evento. Uma componente essencial de qualquer área, do marketing ao jornalismo e das relações públicos ao desporto, a “comunicação é, por vezes, uma odisseia”.