Sociedade

A FEUP ACOLHE O TEMA DOS REFUGIADOS

No passado dia 8 de abril, sexta-feira, o dia acabou em reflexão sobre a crise dos refugiados, na Faculdade de Engenharia do Porto (FEUP). Organizado pelo SIPE e pela FEUP, através da Comissão Organizadora de Novos Paradigmas, Debates e Iniciativas na FEUP, discutiu-se “o drama dos refugiados”, bem como as “suas causas e formas de a combater”.

A crise dos refugiados está na ordem do dia, em toda a Europa. Assim, este drama volta a ser tema de debate, com lugar na FEUP. O evento foi introduzido por João Falcão e Cunha, que se refere ao mesmo como uma “tradição”.

” Serão as religiões ou os interesses as principais causas dos conflitos no Médio Oriente? Importância do controlo do comércio de armas e da educação para a Paz para tornar mais difícil provocar conflitos e guerras e para tornar mais éticas e pacíficas as relações internacionais” foi o mote do primeiro debate. Delfina Rodrigues, moderadora do debate, começou por apelar à “imperativa e urgente construção da paz”.

O primeiro orador, o Padre Arnaldo Pinho, introduz o assunto “Radicalismos religiosos, causas de conflitos ou apenas justificação e instrumentos de mobilização para as lutas pelo poder?”. Na sua opinião, é em textos religiosos que “nasce uma islamofobia”. Lança, ainda, as questões: “O que sabemos nós do Islão? O que sabe o Islão de nós?”.

“Os instrumentos da instabilidade no Médio Oriente – a guerra, o intervencionismo, a corrupção e o fomento dos sectarismos étnico e religioso ao serviço dos interesses geoestratégicos na região”, são alguns dos problemas referidos pelo advogado Pedro Braga de Carvalho, também orador.

A “intervenção de poderes estrangeiros, noutra visão uma violação dos direitos”, em apoio a países principalmente de regime absolutista, impede a construção de movimentos cívicos, segundo o orador. “A ausência de poder causa caos”, refere, após relembrar vários movimentos de 2011, como, por exemplo, a Primavera Árabe.

O jornalista e escritor José Manuel Goulão inicia o seu discurso sobre “O comércio ilegal de armas e a corrupção, instrumentos de práticas criminosas com milhões de vítimas e muitos interessados e cúmplices” fazendo uma analogia com uma equação com duas incógnitas: as instituições da União Europeia e o governo da Turquia.

José Manuel Goulão alerta que a França e a Alemanha integram a elite dos 5 países que dominam ¾ do mercado mundial das armas. “Bin Laden foi morto mas teve tempo suficiente para disseminar os seus conhecimentos sangrentos”, afirma.

As últimas oradoras Júlia Azevedo e Rosa Sá promovem a “Educação para a Paz”. “Não existe um caminho para a paz. A paz é o caminho”, começam por referir, citando Mahatma Gandhi. “Parece fácil mas não é”, indica Júlia Azevedo. Afinal, segundo afirma, “a paz está ao serviço de todos, enquanto que as armas só estão ao serviço de alguns”.

A educadora de infância Rosa Sá subscreve estes pensamentos e afirma que o objetivo da educação para a paz é “tornar a sociedade mais justa e igualitária”. “A educação deve vir dos cidadãos para os governantes, porque quanto mais os críticos forem cidadãos, melhor é para a sociedade”, garante.

“Temos uma máquina da morte que irrompe no século XXI”

“Interesses e atores por trás dos dramas dos refugiados do Médio Oriente: como os combater?”, foi o mote do segundo debate.

O professor António Costa e Silva aborda o assunto “Geopolítica do Médio Oriente, problemas que afetam a região e criam condições para a eclosão de ondas de refugiados”. “A eclosão destes conflitos é consequência de estados falhados”, começa por defender. Acrescenta que “temos uma máquina da morte que irrompe no século XXI e não temos mecanismos para lidar com isso”.

Álvaro Vasconcelos levou a cabo a discussão sobre “O Médio Oriente Desintegrado: Da invasão do Iraque à Guerra na Síria”, alertando que “o problema é termos perceções que não conseguimos desconstruir e perceber a realidade mais simples e ao mesmo tempo mais complicada”. Defendendo que os fatores externos não são os essenciais e dá como exemplo os casos de países como a Líbia, que foram submetidos a ditaduras “laicas, brutais e sanguinárias”.