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“LIBERDADE JÁ!”: MANIFESTAÇÃO PELOS PRESOS POLÍTICOS EM ANGOLA

Os 17 ativistas angolanos ouviram, na passada segunda feira, as suas condenações a prisão efetiva, com penas que variam entre os dois e os oito anos de prisão. Este foi o desfecho de um processo que se iniciou após a detenção do grupo, em junho do ano passado, enquanto se reuniam para uma leitura partilhada do livro Da Ditadura Para a Democracia, de Gene Sharp. No Porto, dezenas de pessoas partilharam o percurso da Rotunda da Boavista para o Consulado de Angola, num apelo à liberdade.
Fotografia por Inês Carvalho

O ponto de encontro estava marcado. Pouco a pouco, a Rotunda da Boavista preencheu-se de cartazes, faixas e vozes que queriam fazer-se ouvir, em uníssono, ao encontro do objetivo partilhado: sair à rua “em solidariedade com aqueles que não se calaram, que puseram a sua vida e a de familiares em risco”, como foi anunciado nas redes sociais, onde foi divulgada a manifestação. A mensagem incluía também o apelo a “um boicote por Portugal ao governo angolano e à Assembleia da República um voto de condenação”.

A palavra de ordem, “liberdade”, foi envolvendo as dezenas de participantes que, respondendo ao desafio da organização, preencheram uma faixa com mensagens de apoio ao fim da repressão e censura por parte do governo angolano, reunindo-se logo de seguida para iniciar a marcha que viria a terminar à porta do Consulado de Angola do Porto. As cores e as palavras, os cartazes bem erguidos ao som de “Mais tarde não dá, liberdade já!”, marcaram o ritmo dos passos coordenados de um grupo que caminhava numa atmosfera comum, que, ao chegar ao seu destino, não parou com as mensagens de contestação, mesmo com o edifício do Consulado já encerrado.

Entre partilha de opiniões e leitura de textos, foi ouvida a carta de Nuno Dala, um dos ativistas condenados, e que se encontra em greve de fome há mais de 20 dias. No seu testemunho, além de retratar as “condições desumanas” vividas nos estabelecimentos prisionais, pede “a todos os angolanos de bem para que perdoem esta gente. Não desenvolvamos qualquer ódio. O perdão é o melhor caminho”. Entre aplausos e sorrisos esperançosos, a organização colocou apenas um ponto e vírgula no protesto, que se repetirá no dia 25 de abril, a partir das 15 horas, na Avenida dos Aliados para que, no dia da liberdade por excelência em Portugal, não seja esquecida a necessidade de a transformar num direito também além fronteiras.