Sociedade

JOVEM CONSERVADOR DE DIREITA É QUESTIONADO

O JUP entrevistou uma famosa personagem das redes sociais, conhecida pelas suas publicações "incendiárias": o Jovem Conservador de Direita. Através do questionário de Proust, confessa, com a sinceridade que lhe é natural, que "a melhor maneira de conseguir o bem comum é fazermos o melhor por nós”.
Fotografia por João Silva/Jornal i

Qual é a sua maior qualidade?

Não gosto muito de falar sobre as minhas qualidades, pois pode parecer presunçoso, mas posso dizer-lhe o que os meus estagiários dizem acerca da minha pessoa quando lhes faço precisamente essa pergunta. Dizem eles que sou o superior hierárquico mais eficaz, bondoso e expert em folhas de Excel que alguma vez viram nas suas vidas. Fico apenas com pena que eles não coloquem a cruzinha em “Pessoa mais humilde desde o Dr. Jesus Cristo”.

E seu o maior defeito?

Às vezes ficar com a consciência pesada por ter elevada moral. Por exemplo, ainda noutro dia coloquei um ponto final à investigação de uma pomada que elimina todo o tipo de psoríase, por inviabilidade financeira, mas lembrei-me que um dos meus tios tinha uma marca horrível num braço e deixei que produzissem uma embalagem do dito unguento. Aquilo eliminou-lhe a mancha e ele agradeceu-me de tal forma que até me incluiu no seu testamento, mas senti-me mal, uma vez que devia em consciência não ter produzido nada por imperativo do mercado.

A coisa mais importante num homem?

A sua aparência. “Diz-me que marca de fato usas, dir-te-ei quem és” era o que me dizia o meu falecido avô e com toda a razão. A forma como as pessoas se apresentam diz muito do seu carácter, educação e família. Vivemos num mundo cada vez mais rápido e não há tempo para as pessoas se conhecerem e mudarem opiniões, só porque no primeiro encontro alguém apareceu vestido com uma camisola caveada e suspensórios. Temos que retirar o peso pós-moderno de não julgar pelas aparências, está mais do que ultrapassado. Olhe o caso da empresa de sucesso Tinder! Acho que nem é preciso dizer mais nada.

E numa mulher?

Como já deve ser do seu conhecimento, eu defendo mais os animais do que o PAN, na medida em que, não sabendo o que pensam cães e gatos, mais vale a pena deixá-los no seu canto, enquanto cada uma das espécies se safa à sua maneira. Quer esta incursão dizer que aprecio nas mulheres, enquanto seres da Natureza, o mesmo que procuro num cão: fidelidade e um pedigree superior que possa perpetuar a minha excelente pool genética.

O que é que mais aprecia nos seus amigos?

Influência. A capacidade que alguns têm de influenciar a vida de outros, não só pelo que dizem, mas pelo que fazem. Por exemplo, quando entrei no mercado de trabalho um amigo próximo tinha, e ainda tem!, um empresa de consultoria financeira. Eu não estava propriamente habilitado para trabalhar lá mas, mesmo assim, ele arranjou-me trabalho e influenciou positivamente a minha vida, dando-lhe um estilo que mantive desde então. É claro que já retribuí a influência e ele foi o principal consultor financeiro quando fui assessor do Secretário de Estado no XIX Governo Constitucional.

A sua atividade favorita é…

Jogar padel. Agora nem tanto, desde que o Dr. Nuno Melo deixou de aparecer no ginásio. Porque não era só o padel em si, era também o jogo de toalhas no balneário, a partilha de amaciador e os cognomes que tínhamos para os… Bom, esta conversa não é chamada para aqui.

Qual é a sua ideia de felicidade?

Passar a reforma num alpendre alentejano, longe dos alentejanos que têm ameaçado o Dr. Henrique Raposo e a mim, a beber um ice tea com o Dr. Nuno Melo, a recordar a forma como mudámos juntos Portugal e com a Dra. Céline Dion como música ambiente.

Qual seria a maior das tragédias?

A que está a acontecer. O país exposto aos ideais da esquerdalhada e o consequente abismo, rumo à norte-coreiização da nossa pátria. A substituição de vacas ribatejanas por pernil de golden retriever nos menus dos restaurantes. Acima de tudo, o tratamento por tu no seio da elite governativa.

Quem é que gostaria de ser? (se não fosse o próprio)

Não será novidade para ninguém que se eu não fosse este ser de tão elevada estaleca moral, seria, muito provavelmente, ou um sósia do Dr. Jesus Cristo, ou um Dr. Gandhi em bem vestido, ou um duplo do Dr. Nuno Melo, mais requintado, mas com umas madeixas menos cuidadas.

E onde gostaria de viver?

A curto prazo, no Palácio de S. Bento. Quando for Primeiro-Ministro, residirei aí. Vou apenas pedir umas dicas de decoração ao Dr. Gustavo Santos e seria um local ideal para residir 12 anos antes de seguir para Belém.

Qual é a sua cor favorita?

Cor de laranja. Não uso em nenhuma peça de roupa porque não sou homossexual, mas é a cor que inspira confiança e esperança no futuro.

Os seus autores preferidos?

Gosto dos que são bons. Com isto, refiro-me obviamente ao Dr. José Rodrigues dos Santos, ao Dr. Pedro Chagas Freitas e ao Dr. Gustavo Santos. Souberam atualizar o software do velho escritor esquerdalho, que tem aquela mania de escrever em nome da arte e daquela coisa que não existe, a estética, e engavetaram essa ideia de escrever bem em prol do que o mercado procura. Se o caro entrevistador decidir tornar-se empreendedor, faz uma análise SWOT e verifica as oportunidades que o mercado onde se vai inserir lhe têm para oferecer. Ora, os autores que citei olharam para a televisão em Portugal e verificaram que os programas sobre livros da RTP2 são vistos por 150 pessoas e que fazem o Lobo Antunes vender à volta de 30 exemplares; o Goucha é visto por mais de 300 mil senhoras todas as manhãs e basta uma entrevista com bons ‘sound bites’ que apelam ao sentimento de senhoras emocionalmente instáveis, e temos um Dr. Chagas Freitas a vender mais de 100 mil livros. É preciso dizer mais?

E os poetas de que mais gosta?

Tirando o Dr. Camões, pouco mais. Até porque a poesia é uma das portas de entrada para a homossexualidade. Um homem exposto a tanto sentimento só pode dar mau resultado. É por isso que evito alguns Salmos que, às vezes, soam a poesia. Parece que foram postos na Bíblia por Deus para testar a nossa heterossexualidade.

Quais são os seus heróis de ficção?

Tenho um que se sobrepõe a todos os outros: o Dr. Karl Marx. Escusa de fazer essa cara! É mesmo verdade. A luta ideológica entre esquerda e direita nunca seria possível sem o nascimento do Dr. Karl Marx. É claro que nenhum esquerdalho é herói em qualquer história, basta pensar em Estaline, Hitler e Steve Jobs. No entanto, para existir um Dr. Batman tem que existir um Joker e o Joker aqui é o Dr. Karl Marx. Insiro-o nos heróis de ficção por ter inventado um manifesto que, na prateleira lá de casa, está entre o Admirável Mundo Novo e o 1984, na secção de Humor e Ficção Científica.

E as heroínas?

Gosto muito da Dra. Hello Kitty. Fica demonstrado que um ser japonês, com uma única expressão facial, consegue ser ao mesmo tempo fofinha e economicamente forte, mostrando que os gatos têm viabilidade económica em pelúcia e não apenas como produtos de restauração em países esquerdalhos como a China e a Coreia do Norte.

Seu compositor favorito é…

Não lhe consigo dar uma resposta singular. Por exemplo, quando estou a trabalhar e a tratar de estudos que inviabilizam vacinas para os países do Terceiro Mundo, por falta de liquidez nos balancetes, gosto de ouvir Wagner e a Cavalgada das Valquírias. Sinto que estou em missão pela economia de mercado e que nenhum contratempo moral me fará sucumbir. Quando estou a relaxar, gosto muito de ouvir hits dos anos 80 em versão Pan Pipe. De resto, o normal: Dra. Céline Dion, Dr. Mozart e Dr. Tony Carreira.

E os artistas de que mais gosta?

Aprecio bastante a família Carreira. Mostram que conseguem ter o mesmo sucesso dos Kelly Family, mas sem serem tão chatos, uma vez que atuam a solo.

Quais são as suas heroínas na vida real?

A Dra. Margaret Thatcher por provar que não é preciso ser um homem para se ser um grande homem. A Dra. Céline Dion porque, através da sua voz angelical, consegue colocar-me mais próximo de Deus. Mas, sobretudo, a minha Mãe e a Dra. Nossa Senhora por terem carregado no ventre grandes homens.

E os heróis?

Dr. Jesus Cristo, claro. É a minha referência moral, inspiração e estabeleceu um padrão que eu espero ultrapassar um dia. Um dos primeiros grandes homens de direita da História. Para além do Dr. Jesus Cristo, eu daqui a 10 anos, quando estiver ao mesmo nível que o Dr. Jesus.

Qual é a sua palavra favorita?

Difantropia. É a minha costela neologista, não é só monopólio do esquerdalho do Mia Couto. É uma palavra que acaba por ser um pleonasmo, uma vez que quer dizer: filantropia de direita.

O que é que mais detesta?

Como homem de direita não me posso dar ao luxo de detestar coisas. Sou pragmático. Quando vejo uma coisa, vejo um desafio e algo que tenho de mudar. Não sou um esquerdalho que, quando vê uma coisa que não gosta faz questão de gritar através de um megafone para chatear toda a gente que está à volta dele. Protestar é fácil, fazer é que é difícil.

Quais são as personagens históricas que mais despreza?

D. Leonor Teles, D. Sebastião e o ditador 44. Todos pela mesma razão: colocaram em cheque o futuro da nossa pátria. D. Leonor Teles abriu caminho para que um bastardo iniciasse uma nova dinastia. D. Sebastião foi um banana. Onde é que já se viu um monarca sem descendência, adolescente e, em princípio, homossexual, deixar o país cair nas mãos dos espanhóis? E o ditador 44 foi o que se viu. Não fosse a pronta intervenção do Dr. Passos Coelho e do Dr. Paulo Portas e hoje éramos nós os migrantes, em botes, rumo às Canárias e aos Estados Unidos.

Quais os dons da Natureza que gostaria de possuir?

Para além dos que já possuo? Talvez o de conseguir teletransportar-me. Às vezes, dava jeito para evitar partilhar elevadores com estagiários e outros subalternos.

Como gostaria de morrer?

Gostaria de morrer com a Dra. Céline Dion a sussurrar-me ao ouvido: “Obrigado, Doutor, em nome de todos os humanos por tudo o que fez!” Felizmente isso não vai acontecer nos próximos 500 anos. Hoje em dia, uma pessoa com os meus meios e influência tem uma esperança média de vida de, pelo menos, 300 anos. Tenciono ultrapassar isso e ficar durante muitos anos a usufruir da solução que o mercado livre vai encontrar para o aquecimento global. No quentinho, dentro do planeta Terra coberto, a ver as tempestades a acontecerem lá fora e a contar as minhas histórias dos 120 anos em que fui Presidente do Mundo aos meus tetranetos.

Agora, já, como está se está a sentir?

Sinto-me feliz, mas não demasiado. Na Goldman Sachs encorajam-nos a tomarmos medicação mantermos os níveis de serotonina no ponto ideal para sermos mais produtivos. Uma pessoa excessivamente feliz é um pateta que não só não trabalha mas que está sempre a pensar em emigrar para o Tibete. Uma pessoa infeliz também não é produtiva porque está sempre a resmungar e a chatear os outros com os seus problemas. Ninguém os atura. “Ai, coitadinho de mim que sou órfão”. Por isso, faço questão de me manter no ponto ideal, de acordo com os padrões da minha empresa.

Que defeito é mais fácil perdoar?

A humildade. É um defeito bem-intencionado e que mostra vontade de melhorar. Às vezes sofro desse problema. Mas trabalho todos os dias para não ter razões para ser humilde. É uma grande motivação.

Qual é o lema da sua vida?

Tenho vários, mas se tiver que escolher um é “A melhor maneira de conseguir o bem comum é fazermos o melhor por nós.” Inventei agora. É bom, não é?