Sociedade

GARRAIADA NA QUEIMA DAS FITAS: TRADIÇÃO OU VIOLÊNCIA?

O fim da Garraiada na Queima das Fitas do Porto volta a ser discutido, neste ano. As opiniões dos estudantes, das Associações de Estudantes e da Federação Académica do Porto dividem-se.

À semelhança do que sucedeu no ano de 2015, volta novamente a ser criada uma petição publica, desta vez por duas alunas da Faculdade de Engenharia da UP, a fim de terminar com a presença da Garraiada na festa académica. A petição alcançou já mais de 3000 assinaturas. À parte disso, as opiniões divergem.

“Reconhecendo tal “evento” como um ato de tortura e exploração animal”, como se pode ler no texto que acompanha a petição, é lançado um apelo à FAP e às várias associações de estudantes da UP, considerando que estes “não podem continuar a ignorar quer os direitos dos animais, quer a vontade da maioria dos estudantes”, devendo assim tirar lugar à Garraiada na Queima das Fitas do ano corrente.

Contactado pelo JUP, Daniel Freitas, presidente da direção da FAP, declara que “o assunto da Garraiada vem sendo discutido no seio da FAP há já alguns anos porque se apresenta como um assunto fraturante que reúne diversas opiniões, muito fortes, de contestação e de apoio”, afirmando que está a ser tida em consideração uma Assembleia Geral específica, em Março, a fim de discutir a situação.

Assegura que “a Queima das Fitas é uma atividade dos estudantes e para os estudantes, muito amada e próxima de toda a comunidade. Como tal, todos os temas são alvo de grande escrutínio por parte da comunidade estudantil, desde os artistas do cartaz das noites, passando pelas atividades académicas como a garraiada ou o FITA, terminando na disposição das barraquinhas no Queimódromo, por exemplo. Todos os temas são discutidos e colocados publicamente com grande paixão e determinação e temos naturalmente de atender a todas estas manifestações de opinião para formar o nosso julgamento.”

Informa que várias associações de estudantes irão realizar Assembleias Gerais a fim de aferirem a opinião dos seus estudantes em relação a este assunto. A Associação de Estudantes da Faculdade de Psicologia (AEFPCEUP) afirma que o assunto foi levado a discussão nos últimos dois anos, nas Reuniões Gerais de Alunos da FPCEUP, garantindo que o voto da Associação quanto ao possível fim da Garraiada será representativo da posição dos seus estudantes, parte integrante no processo de decisão.

Já o presidente da Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências (AEFCUP), André Ramos, declara que a AEFCUP é contra este tipo de atividades, acrescentando: “A minha opinião é que este evento em nada dignifica ambas as partes inerentes.Quer o estudante, com todo o progresso na nossa sociedade que espelha um maior respeito pelos animais e como estudantes do ensino superior seria de se esperar uma maior sensibilidade por parte dos mesmos e seus representantes para este tema. Quer para o animal subjugado a stress, ansiedade e a toda a pressão do cenário envolvente onde que se limita a defender.Considero também este tipo de evento, um acto de violência gratuita em animais sobre a forma de espectáculo que viola os direitos dos animais a troco de dar resposta a continuidade de uma tradição.”

André Ramos afirma ainda que a AEFCUP espera que o resultado da votação este ano se inverta perante os resultados das votações em anos anteriores, propondo a procura de uma alternativa a este evento.

O JUP entrou em contacto com outras Associações de Estudantes, mas até ao fecho desta reportagem não obteve resposta.

9119398718_f9d3a35e85_b

Save