Autárquicas 2021 Política

Autárquicas 2021: Trofa

O Município da Trofa tem 38.440 indivíduos. É um concelho com saldo natural negativo mas crescente, ao invés da população residente que é cada vez menor. É um concelho voltado para as indústrias transformadoras e onde o PSD tem sido o partido com mais apoiantes ao longo do século XXI, tendo apenas perdido uma eleição no concelho da Trofa para o PS e por uma margem ténue. Por Filipe Pereira e Inês Pereira

Histórico Eleitoral

Nas últimas eleições autárquicas, a coligação PPD/PSD.CDS-PP foi reeleita com 59,61% dos votos, elegendo Sérgio Humberto, seguido do PS com 31,83% e do PCP-PEV com 4,27%.

O concelho da Trofa apresenta, desde o início do século XXI, uma tendência política de direita, uma vez que o Partido Social Democrata venceu todas as eleições, à exceção do mandato de 2009, quando o Partido Socialista obteve 46,21% dos votos, mais 2,8% do que o PPD/PSD.

De um modo geral, a taxa de abstenção tem vindo a aumentar, sendo que, em 2017, se registou o valor mais elevado (34,91%), desde as eleições autárquicas de 2001.

Perfil Sociodemográfico

População

Entre 2009 e 2020, a população residente da Trofa diminuiu de 38.961 para 38.440 (um decréscimo de 1,3%) dos quais 651 eram estrangeiros, menos 43 do que em 2009.

No município da Trofa, por cada 100 residentes, há 13 jovens com menos de 15 anos, 68 adultos e 19 idosos, tendo, em 2020, nascido 321 bebés (mais 42 do que em 2019) e morrido 326 pessoas (mais 30 do que em 2019), traduzindo-se num saldo natural de menos 5 indivíduos. Em contrapartida, o saldo migratório foi positivo (mais 49 indivíduos).

Educação

Em 2019, nas escolas do município da Trofa, havia 5.254 alunos inscritos no ensino pré-escolar, básico e secundário, menos 2.722 do que em 2009 e menos 116 do que em 2018.

A média do número de anos de habilitação escolar dos trabalhadores por conta de outrem aumentou de 8,4 em 2009 para 9,8 em 2019, e a percentagem de alunos do ensino secundário que não transitaram de ano ou que desistiram de estudar diminuiu de 7,6% em 2018 para 7% em 2019.

Em 2020, 34% dos recém-nascidos do município da Trofa tinham mães com ensino superior, um aumento de 13 pontos percentuais face a 2009 e de 3 pontos percentuais face a 2019

Emprego

Em 2019, o salário médio mensal de um trabalhador por conta de outrem era de 113,1€, inferior à média nacional desse ano, que foi de 1206€. Em 2009, este indicador situava-se nos 910,9€.

Também em 2019, o volume de negócios das quatro maiores empresas do município da Trofa representava 38,6% do total, mais 1,2 pontos percentuais do que em 2018, e um salto grande dos 25,4% que se registavam em 2009. Estas quatro empresas empregavam 12,4% da população, face aos 8,4% registados em 2009.

No município da Trofa, o sector de actividade que concentrava mais trabalhadores em 2019 era o das indústrias transformadoras, realidade que também se observou na generalidade dos anos antecedentes.

Em 2020, no município da Trofa, estiveram, em média, por mês, 1.375 desempregados inscritos nos centros de emprego – menos 60% do que em 2009 (3.463)

Entre 2009 e 2019, o número de empresas não financeiras aumentou, na Trofa, de 4.107 para 4.323 (um crescimento de 5,3%).

No mesmo período, o valor médio de venda das propriedades urbanas aumentou de 70.825 euros para 77.901 euros, mas, ainda assim, em 2017, último ano para o qual a Pordata disponibiliza dados, o índice de poder de compra per capita na Trofa estava 7% abaixo da média nacional, ao passo que, em 2009, estava 21% abaixo.

Candidatos

Unidos Pela Trofa (PSD e CDS-PP)- Sérgio Humberto

Sérgio Humberto, candidato pela coligação Unidos pela Trofa (Fonte: Facebook oficial de Sérgio Humberto)

Sérgio Humberto é Presidente da Câmara Municpal da Trofa desde as eleições de 2013. Candidata-se a um último mandato, novamente através de uma coligação entre PSD e CDS-PP que lhe deu uma maioria absoluta na reeleição alcançada em 2017. Tem 46 anos, nasceu na Trofa em novembro de 1975 e tem uma Licenciatura em Desporto e Educação Física. Entre 2005 e 2009, foi assessor para o Desporto e Educação Física da Câmara Municipal da Trofa. Foi Presidente da Juventude Social Democrata concelhia da Trofa e é atualmente Vogal da Comissão Política dos Autarcas Sociais Democratas.

Na apresentação da candidatura, Sérgio Humberto afirmou que a Trofa “está a posicionar-se para ser a capital da região norte”. Humberto apontou a a redução da dívida pública em 47 milhões de euros, a descida do Imposto Municipal sobre Bens Imóveis (IMI) e do custo da água, bem como a instalação de “um dos maiores centros de vacinação de Portugal” para defender o desempenho do seu executivo nos últimos 8 anos. Destacou a persistência na “luta pelo Metro [do Porto] até à Trofa e pela variante à EN-14”

Partido Socialista (PS) – Amadeu Dias

Amadeu Dias, candidato pelo PS à Câmara Municipal da Trofa,
(Fonte: Federação Distrital do PS Porto)

Amadeu Dias tem 31 anos, nasceu em São Martinho de Bougado, no concelho da Trofa. Foi eleito Presidente da concelhia socialista da Trofa em 2020. Tem uma licenciatura em Línguas e Culturas Estrangeiras, tem um Mestrado de Ensino de Inglês e Espanhol no Ensino Básico e Secundário bem como uma pós-graduação em Gestão de Recursos Humanos.

Concorreu contra Sérgio Humberto em 2017 e apesar da derrota clara, cumpriu o mandato como Vereador na Câmara Municipal da Trofa. É dirigente da Associação Nacional de Autarcas do PS e foi Presidente da concelhia da Juventude Socialista na Trofa.

Na apresentação da candidatura, Amadeu Dias afirmou que avança “para dar a cara contra a tirania que se instalou na Trofa, contra o medo, contra o silêncio, contra o desespero de tantas e de tantos trofenses”. Promete renegociar com a Indaqua, concessionária da água no concelho, de forma a conseguir uma fatura da água “justa e bem mais baixa para os trofenses”, uma redução do IMI para 0,40%, e “finalmente criar” uma rede de transportes municipais que ligue todas as freguesias à Trofa.

Amadeu Dias disse “ter vergonha” da inexistência de um auditório municipal para que “aqueles que tenham trabalho na área da cultura e da arte possam expôr o seu trabalho” e para que os trofenses não façam grandes deslocações para assistir “a um mero concerto”.

A candidatura de Amadeu Dias é apoiada pela concelhia da Trofa do Bloco de Esquerda. Gualter Costa, primeiro candidato bloquista de sempre ao Concelho faz parte das lista socialista para a Assembleia Municipal, como representante do BE.

Coligação Democrática Unitária (CDU)- Fernando Sá

Fernando Sá, candidato pela CDU à Câmara Municipal da Trofa (Fonte: CDU)

Fernando Sá volta a ser o escolhido da CDU para a Câmara Municipal da Trofa, pois os comunistas consideram que que as necessidades são as mesmas que em 2017 . Tal como para o PSD, também para Fernando Sá, a extensão do Metro do Porto até à Trofa. A CDU pretende concretizar a MobiAve, rede de transportes partilhada com Santo Tirso e Famalicão. Uma prioridade que tem vindo a ser comum entre as diferentes agendas autárquicas comunistas é a questão da reposição das freguesias e a candidatura de Sá é mais um caso disso.

A CDU não deixou de fora as questões ambientais, destacando a “despoluição do Rio Ave e restantes cursos de água”, a redução da plantação de eucaliptos e consequente “minimização do risco de fogos florestais. No que à cultura diz respeito, aproxima-se do PS. Fernando Sá quer criar um espaço cultural onde “bandas de garagem e artistas plásticos ” possam ensaiar e onde se possam realizar “iniciativas de promoção e valorização profissional dos artistas”

Paulo Queirós vem de dois mandatos consecutivos como deputado municipal e assinala a “luta muito forte” numa assembleia  dominada pelo PSD que o candidato acusa de conduzir à sua maneira, condicionando mesmo o trabalho do órgão conforme lhe fosse conveniente. Acusou PS e PSD de discutirem apenas o passado e em responsabilizar-se mutuamente pela dívida pública ao invés de trabalhar para o futuro da Trofa.

CHEGA- Rui Pedro Costa

Rui Pedro Costa Candidato pelo CHEGA à Câmara Municpal da Trofa (Fonte: Facebook oficial do CHEGA Trofa)

Rui Pedro Costa é empresário e é o escolhido para a estreia do CHEGA na concelhia da Trofa. O candidato propõe à semelhaça do PS, a redução do IMI, captar investimento nacional e internacional com vista a findar com o trabalho precário e reforçar as forças de segurança.

PAN- Pessoas-Animais-Natureza (PAN)- Rodrigo Reis

Rodrigo Reis, candidato pelo PAN à Câmara Municipal de Valongo (Fonte: Facebook oficial do PAN Trofa)

Outra estreia no concelho da Trofa é o PAN. O partido ecologista avança com Rodrigo Reis, jovem de 20 anos que estuda Engenharia Informática e Computação na Universidade do Porto.  Habitação acessível e Mobilização Suave, são as prioridades do jovem candidato que visa apoiar as empresas através de um “projeto sustentável” capaz de criar empregos.

As propostas de Rodrigo Reis incluem ainda o apoio ao comércio local, a promoção do trabalho de artistas da Trofa e ainda uma matéria fulcral na agenda do PAN em todo o país: a gestão sustentável de resíduos. O candidato pretende alcançar uma “gestão de resíduos mais eficiente e justa, de forma a que quem recicle tenha uma redução no valor da sua fatura”. Ainda no que concerne a matéria ambiental, a requalificação do Rio Ave é uma aposta que o partido quer levar a cabo. No que à proteção de animais diz respeito, Reis pretende criar em todas as freguesias do concelho, um parque canino e ainda criar um centro oficial de recolha de animais.

O partido assume como objetivo mínimo a eleição de um deputado municipal.

 

Artigo da autoria de Inês Pereira e Filipe Pereira. Revisto por José Diogo Milheiro.