Autárquicas 2021 Política

Autárquicas 2021: Paredes

O concelho de Paredes, que pertence ao distrito do Porto e à Área Metropolitana do Porto, é constituído por 18 freguesias. São cinco os candidatos que concorrem à Câmara Municipal nas eleições autárquicas, que se realizam a 26 de setembro. Por Inês Pinto Pereira.

O concelho de Paredes evidencia, desde 1976, uma forte tendência política para a direita. No entanto, nas últimas eleições autárquicas, o Partido Socialista conseguiu alcançar o poder, com 25.885 votos (50,35%), seguido do PPD/PSD, que obteve 9.284 votos.

Nas primeiras eleições realizadas no nosso país, concorreram à autarquia o CDS, o PS, o PPD/PSD, o FEPU e o GDUPS. Em 1976 e nos anos consequentes, o CDS venceu as eleições.

O Partido Social Democrata, que conquistou um maior número de votos ao longo dos anos, venceu a Câmara Municipal de Paredes, em 1993. Nestas eleições, foram contabilizados 16.041  votos para o PSD, 14.806 para o CDS-PP, 8868 para o PS e, por fim, 1.151 para o PCP/PEV.

Nos anos consequentes, e até 2013, o Partido Social Democrata conseguiu obter mais de 50% dos votos, o que garantia uma vitória por maioria absoluta à primeira volta.

No entanto, nas últimas eleições, o quadro político alterou-se na autarquia de Paredes, ao fim de 24 anos de governo por parte do PSD, visto que um candidato do Partido Socialista venceu, pela primeira vez, as eleições autárquicas no município. Alexandre Almeida somou 25.885 votos, o que representa 50,35% do total de votos, seguido de Rui Moutinho, o candidato do PSD, que obteve 18.601 (36,18%).

O concelho de Paredes teve nas últimas eleições uma taxa de abstenção de 29,65%, a quarta taxa mais alta desde que se realizaram as primeiras eleições. A taxa de abstenção tem sofrido muitas variações, sendo que a mais alta foi registada em 2013 (35,58%).

Retrato do município

Foto: Paredes. Fonte: Inês Pinto Pereira

O concelho de Paredes pertence ao distrito do Porto e é constituído por 18 freguesias.

Em 2021, o concelho apresenta a 6ª mais baixa densidade populacional da Área Metropolitana do Porto. Entre 2010 e 2020, a população residente teve um decréscimo de 869 habitantes, sendo que, em 2012, se registou o número de residentes mais elevado (87.090).

No concelho, o número de habitantes estrangeiros aumentou substancialmente, desde 2016. No ano passado, dos 85.974 residentes, 791 eram residentes estrangeiros, o que equivale a 0,9% da população residente em Paredes.

Paredes apresenta a 3ª maior percentagem de jovens da AMP. No ano passado, existiam 14 jovens com menos de 15 anos, por cada 100 habitantes. No entanto, a população jovem tem vindo a diminuir desde 2010, ano em que existiam 18 jovens, por cada 100 habitantes.

Apesar de apresentar o menor índice de envelhecimento da AMP, o número de idosos tem vindo a aumentar. No ano passado, por cada 100 jovens, existiam 111 idosos.

No ano passado, nasceram 691 pessoas e morreram 750 , o que significa que em 2020 se registou um saldo natural negativo (-59). O saldo migratório foi negativo (-128), assim como o saldo populacional.

Em 2019, contavam-se 8.304 empresas não financeiras. Em 2012, após a crise económica, registou-se o número mais baixo (6907), desde 2009.

O volume de negócios das quatro maiores empresas do concelho sofreu a maior quebra entre 2011 e 2012. No ano passado, o respetivo volume equivalia 7,9% do total.

O concelho apresentava, em 2019, a 2ª menor percentagem de pessoas que trabalhavam nessas mesmas empresas, 4,7%, valor que tem vindo a aumentar, desde 2010.

Em 2018, os homens ganhavam 913 euros, enquanto o salário médio das mulheres era de 838 euros. Em média, os ganhos dos trabalhadores por conta de outrem eram de 884,2 euros, o que significa que o concelho apresentava o menor salário médio e a menor disparidade salarial da AMP.

O nível de escolaridade dos trabalhadores por conta de outrem aumentou de 7,6 em 2010, para 9,1, em 2018. Desde 2010, que o nível de escolaridade dos trabalhadores aumentou, de forma gradual. No entanto, o concelho ocupa o último lugar no que diz respeito ao nível de escolaridade da AMP.

Além disso, verificou-se, no ano passado, 3.605 inscrições nos centros de desemprego, o que significa que o município é o 9º com a maior percentagem de desempregados inscritos nos centros de desemprego.

Paredes é um dos muitos concelhos da Área Metropolitana do Porto, no qual o setor das indústrias transformadoras emprega mais pessoas, seguido do comércio por grosso e a retalho.

Em 2019, existiam 12.509 alunos inscritos nas escolas do concelho, dos quais, 1.866 frequentavam o ensino pré-escolar, 8.301 o ensino básico e 2.342 o ensino secundário. Regra geral, tem-se assistido a uma diminuição do número de alunos inscritos nas escolas, sendo que o maior decréscimo aconteceu no ensino básico.

Em 2017, apresentava um índice de poder de compra per capita de 79,8%.

Candidatos à presidência de Paredes

Alexandre Almeida (PS)

Foto: Federação Distrital do Porto do Partido Socialista

Alexandre Almeida recandidata-se à Câmara Municipal de Paredes. O candidato encontra-se à frente da autarquia desde 2017, depois de ter obtido maioria absoluta nas respetivas eleições. A vitória de Alexandre Almeida retirou a liderança do PSD, que governava há 24 anos.

Durante o mandato, o candidato realizou vários projetos, como a piscina ao ar livre e o Pavilhão das Laranjeiras, bem como outras obras nas diferentes freguesias de Paredes.

Alexandre Almeida, natural de Rebordosa, é licenciado em Economia pela Universidade do Porto (1996) e, em 2016, terminou o curso de Direito pela Universidade Católica.

O candidato é jurista, economista, consultor de empresas e revisor oficial de contas, atividades que, diz, lhe permitiram conhecer melhor o concelho e atrair algumas empresas francesas com o apoio dos fundos europeus.

Alexandre Almeida, vereador na autarquia desde 2009, procura manter “a missão de mudar Paredes”. Segundo o candidato, os seus principais objetivos são “concluir o processo do resgate do serviço de água e saneamento, avançando com novos investimentos nessa área, assim como concretizar uma forte aposta na habitação social e na expansão das zonas industriais”.

“Sentimos que já mostramos aos paredenses a vontade, o emprenho e a responsabilidade com que assumimos as funções que nos foram confiadas em 2017, mas temos muitos projetos ainda para realizar que não foi possível concluir em tão pouco tempo de mandato. E temos muitos mais para iniciar”, afirmou o candidato.

Ricardo Sousa (PSD)

Foto: Fernanda Pinto/Verdadeiro Olhar

A apresentação do candidato social-democrata, Ricardo Sousa, aconteceu a 12 de março. Ricardo Sousa, natural de Rebordosa, é o atual presidente da Comissão Política Concelhia do PSD e militante do partido há mais de 25 anos.

Esta candidatura não é uma estreia para o candidato, uma vez que Ricardo Sousa foi Presidente do núcleo da Comissão Política da JSD de Rebordosa, membro da Comissão Política da JSD Paredes e Presidente da Comissão Política da JSD Paredes. Além disso, integrou a Comissão Política Distrital da JSD Porto, a Assembleia Distrital do PSD e a Associação de Estudantes, enquanto frequentava a escola

O empresário presidiu a Comissão de Festas de Rebordosa, em 2016, e foi líder do grupo parlamentar da bancada do PSD na Assembleia Municipal.

A candidatura de Ricardo Sousa está orientada para os pilares da Proximidade, Coesão, Pluralidade, Renovação e Responsabilidade, e afirma não ser uma candidatura de continuidade. As suas prioridades são a criação de habitação social, a educação, a criação de emprego e o desenvolvimento da região, apostando naquilo que a caracteriza – o mobiliário.

Segundo o cabeça de lista da coligação PSD/CDS, “Primeiro as Pessoas”, a diferença da sua candidatura prende-se com o facto de integrar “as pessoas mais aptas, mais capazes e mais apaixonadas pelo concelho de Paredes”.

“Ricardo Sousa é o presidente que Paredes precisa para colocar o concelho como referência entre as autarquias do interior do Distrito do Porto. Paredes merece melhor. Merece muito e tem tido tão pouco, sendo apenas notícia pelas piores razões”, afirma a Comissão Política Concelhia do PSD Paredes.

Manuel Pinho (“Nós, cidadãos”)

Foto: Manuel Pinho/Facebook

Manuel Pinho foi o candidato apresentado pelo partido “Nós, cidadãos” para concorrer à autarquia de Paredes nas eleições de setembro. A candidatura é apoiada pela coligação entre o “Nós Cidadãos” e Aliança.

O candidato é o cabeça de lista do movimento “Juntos por Paredes”, que tem criticado o atual mandato socialista. Inicialmente, o candidato iria avançar enquanto independente, mas as dificuldades existentes quanto à formação das listas originaram uma aproximação aos partidos que apoiam a sua candidatura.

O candidato, que desempenhou funções na área da comunicação social, acredita que os principais problemas estão relacionados com a rede de saneamento e de abastecimento de água. Além disso, Manuel Pinho procura potenciar os transportes no concelho, de forma a beneficiar a população, e a aplicar medidas na área da educação, fornecendo os livros escolares e um kit de material escolar aos alunos.

O candidato pretende, ainda, apostar na habitação social e no desporto e alerta para o facto de o conselho apresentar uma das “piores estradas da região”.

“Paredes vivo, com iniciativas de renome, que projetem o concelho a nível nacional”, afirmou Manuel Pinho.

Álvaro Pinto (CDU)

Foto: Verdadeiro Olhar

A apresentação do candidato da CDU, Álvaro Pinto, à autarquia de Paredes realizou-se num restaurante do concelho com vários militantes do partido. Álvaro Pinto, que já se tinha candidatado à Câmara Municipal de Paredes, em 2017, foi presidente da junta de Parada de Todeia, durante 12 anos. Além disso, foi deputado da Assembleia Municipal e líder sindical.

Álvaro Pinto afirma que a sua candidatura se deve ao seu percurso político, ao longos dos anos, e que é a mais adequada para dar resposta aos problemas atuais do concelho.

“Tenho um trabalho autárquico de três mandatos consecutivos, com duas maiorias absolutas em crescendo até à última eleição. Um trabalho feito na assembleia municipal e junto dos órgãos autárquicos, de intervenção, de luta, de preocupação com aquilo que são os interesses dos paredenses. A visão coletiva que tive enquanto presidente da Junta de Freguesia de Parada de Todeia nunca foi uma visão estreita, sempre tivemos uma visão global do concelho”, declarou o candidato.

Uma das prioridades da sua candidatura é resolver o problema do saneamento existente no concelho de Paredes. Neste sentido, o candidato  mostra-se a favor do resgate da concessão e dos subsistemas de abastecimento de água no sul do concelho.

Álvaro Pinto pretende evidenciar o papel da CDU no que ao campo social diz respeito, uma vez que o partido se mostrou a favor do passe social, que viria a ajudar a população com maiores dificuldades económicas, e preocupado com outros assuntos sociais, tais como o aumento da pobreza.

Além disso, o candidato considera importante apoiar os clubes que se deparam com dificuldades económicas. O objetivo é ajudar, acima de tudo, os clubes que jogam nos campeonatos distritais da Associação de Futebol do Porto, mas  Álvaro Pinto visa igualdade na área desportiva.

Quanto à junção de freguesias, o candidato afirmou que a CDU é contra este processo e, como tal, o seu objetivo é realizar um referendo para entender a vontade dos habitantes nesta matéria.

João Pedro Ferreira (BE)

Foto: Verdadeiro Olhar

João Pedro Ferreira vai concorrer à Câmara Municipal de Paredes pelo Bloco de Esquerda.

O candidato de 25 anos tem uma Licenciatura em Línguas, Literaturas e Culturas pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e é dirigente concelhio do Bloco de Paredes. João Pedro Ferreira integrou a Associação Olá Mouriz, enquanto atleta.

Artigo da autoria de Inês Pinto Pereira. Revisto por Filipe Pereira.