Autárquicas 2021 Política

Autárquicas 2021: Gondomar

O concelho de Gondomar desempenha um papel fundamental na indústria do ouro e da marcenaria. O município, que pertence ao distrito do Porto e à Área Metropolitana do Porto, foi considerado Cidade Europeia do Desporto, em 2017. Por Inês Pinto Pereira.

O concelho de Gondomar não apresentou uma tendência política notória ao longo dos anos. Em 1976, o Partido Socialista (PS) venceu as eleições autárquicas com 20.073 (37,48%), seguido do PPD/PSD, que obteve 12.364 votos (23,08%).

Nas eleições seguintes, o quadro político alterou-se com a vitória da Aliança Democrática (AD), que conseguiu 24.980 votos, mais 1.079 do que o PS.

Entre 1982 e 1989, o Partido Socialista volta a vencer as eleições, com os candidatos Manuel Arlindo Sousa Neves, que realizou os dois primeiros mandatos, e Aníbal Jaime Gomes Lira.

Em 1993, o PPD/PSD vence as eleições com 33.608 votos (42,97%), mais 738 votos que o PS. A tendência manteve-se, durante os 12 anos consequentes, sendo que, nos últimos dois mandatos, o partido obteve maioria absoluta à primeira volta.

Em 2005, o grupo de cidadãos “Gondomar no Coração” venceu as autárquicas, seguido do PS. Nessas eleições, registou-se uma diminuição significativa no número de votos obtidos pelo PSD, que havia governado a autarquia nos anos anteriores.

Quatro anos depois, o movimento independente, Valentim Loureiro- Gondomar no Coração obteve 36.672 votos (42,75%). Valentim Loureiro recandidatou-se, em 2017, mas ficou em 2º lugar, com 16.238 votos (19,90%), menos 20.909 votos do que o vencedor PS.

Já em 2013, o Partido Socialista havia ganho as eleições autárquicas com 33.801, ou seja, com mais do dobro dos votos obtidos pelo Partido Social Democrata, que obteve 16.114 votos (22,13%).

No concelho de Gondomar, a taxa de abstenção tende a ser muito elevada, o que foi visível nas eleições de 2013, quando se registou uma taxa de abstenção de 49,50%.

Retrato do município

Foto: Gondomar. Fonte: Inês Pinto Pereira

Gondomar ascendeu a cidade em 1991 e foi Cidade Europeia do Desporto em 2017. O município tem um papel predominante na indústria do ouro e da marcenaria.

Segundo os dados apresentados pela Pordata, o concelho tinha, em 2020, 165.843 habitantes, menos 2435 do que em 2010, e apresentava a 8ª mais alta densidade populacional da Área Metropolitana do Porto.

No ano passado, 2.987 dos habitantes do município eram estrangeiros, o que significa que correspondiam a 1,8% do número de habitantes do concelho. O número de estrangeiros, em Gondomar, aumentou significativamente, desde 2017.

Entre os diversos concelhos que constituem a Área Metropolitana do Porto, Gondomar é o concelho que apresenta a 9ª maior percentagem de jovens, com 13 jovens com menos 15 anos, por cada 100 habitantes. No entanto, é, também, o 9º concelho com o maior índice de envelhecimento, uma vez que tem 20 idosos, por cada 100 habitantes.

O número de idosos sofreu um crescimento gradual, ao longo dos anos, principalmente, em comparação com o número de jovens. Em 2020, existiam mais 69 idosos, por cada 100 jovens, do que em 2010.

O saldo natural tem sido negativo, desde 2013, enquanto o saldo migratório, que apresentava resultados negativos, tem-se mantido positivo, desde 2017. No ano passado, Gondomar apresentava um saldo natural de -452 indivíduos e um saldo migratório de 167 pessoas.

No concelho, por cada 100 residentes, existem 67 adultos, valor que apresenta uma tendência decrescente. O nível de escolaridade dos trabalhadores por conta de outrem tem aumentado, visto que, em 2010, os anos de habilitação escolar dos trabalhadores eram 8,5, número que aumentou para 10,1, em 2018.

O número de alunos inscritos nas escolas do concelho de Gondomar diminuiu, comparativamente, a 2010. Em 2019, existiam 20.459 alunos inscritos, menos 6.202 do que em 2010. O ensino básico foi o que sofreu a maior quebra, uma vez que se inscreveram menos 4.878 alunos, entre 2010 e 2019. Gondomar é o concelho que apresentava, em 2019, o número de alunos inscritos mais baixo da Área Metropolitana do Porto

O número de empresas não financeiras era, em 2019, de 16.022, mais 1.140 do que em 2010. O número de empresas deste tipo sofreu uma quebra até 2012, ano em que se registaram 13.847 empresas, sendo que, a partir de 2016, se verificou um crescimento substancial nesse mesmo número.

Os trabalhadores por conta de outrem apresentavam o 5º menor ganho mensal da AMP, em 2018. O salário médio mensal era, em média, de 972,4 euros, valor que tem vindo a aumentar, ao longo dos anos.

Nesse ano, os homens auferiam mensalmente, em média, 1.006 euros, e as mulheres 928 euros, o que corresponde a uma disparidade salarial de 78 euros, a 2ª menor da AMP. Esta discrepância tem vindo a diminuir, desde 2012, quando se registou a maior disparidade salarial (144 euros).

O volume de negócios das quatro maiores empresas de Gondomar sofreu uma quebra abrupta entre 2012 e 2013. No entanto, o concelho apresenta o 6º maior peso relativo da AMP, sendo que, em 2019, o volume de negócios era de 30%.

Gondomar possui, ainda, a 3ª menor percentagem de habitantes que trabalham nas respetivas empresas. O número de trabalhadores aumentou até 2014, valor que diminuiu nos anos seguintes, correspondendo, em 2019, a 4,9%.

No ano passado, 7.510 pessoas estavam inscritas nos centros de desemprego, valor substancialmente inferior ao que se verificava em 2010 (12.037). O número de inscritos atingiu o seu valor máximo em 2013 e, posteriormente, sofreu um decréscimo até 2019, quando se registaram 6.170 inscritos. Gondomar é o concelho com a 4ª maior percentagem de inscritos nos centros de emprego.

O setor do comércio por grosso e a retalho era o que mais empregava no concelho, em 2019, sendo que a área da agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca concentravam o menor número.

Em 2017, Gondomar apresentava um índice de poder de compra per capita de 84,1%, o 4º menor poder de compra da AMP.

Candidatos à presidência de Gondomar

Jorge Ascenção (PSD)

Foto: PSD/Gondomar

Jorge Ascenção é a escolha do PSD para disputar a autarquia de Gondomar nestas eleições. O candidato é presidente do conselho executivo da Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP) desde 2013, e não vai ser a primeira vez que integra uma lista candidata.

Em 2009 e 2017, fez parte das listas de Valentim Loureiro, quando se candidatou, enquanto independente, à Câmara Municipal de Gondomar; integrou a lista do atual vereador da Câmara Municipal do Porto, Fernando Paulo, em 2013; e, no ano seguinte, apoiou António Costa nas primárias do PS.

“Sou independente. Nunca fui militante de nenhum partido. Tenho muita honra de encabeçar esta candidatura cívica de um partido que se abre à sociedade”, afirmou.

Há mais de 40 anos que Jorge Ascenção está ligado ao associativismo. O seu percurso iniciou-se com a criação, em 1978, e participação no grupo de jovens “Sol Nascente”, que realizava atividades lúdicas e recreativas.

O candidato é licenciado em Gestão Financeira pelo Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto. Jorge Ascenção tem, ainda, um Mestrado em Análise de Dados e Sistemas de Apoio à Decisão pela Faculdade de Economia do Porto, uma Pós-graduação em Gestão de Organizações Sem Fins Lucrativos pela Universidade Católica do Porto e uma Pós-graduação em Sistemas Integrados de Gestão pela Universidade Fernando Pessoa.

Jorge Ascenção foi auditor interno de sistemas integrados de gestão, gestor do segmento de negócio empresarial, auditor de fornecedores da PT e consultor na Portugal Telecom.

A apresentação da coligação PSD/CDS-PP, “Gondomar nas tuas mãos”, contou com a presença de Rui Rio, no dia 28 de maio.
O líder do PSD afirma que Jorge Ascenção não é bom candidato “porque apareceu na televisão, é um bom candidato porque é uma pessoa com as características corretas para ser presidente de Câmara e, em particular, num concelho como Gondomar, que é um concelho com problemas sociais”.

Segundo o candidato, natural de Gondomar, o convite foi recebido com surpresa, uma vez que não se encontra filiado a nenhum partido.

Jorge Ascenção considera que “Gondomar parou no tempo” e que é necessário implementar uma política de proximidade, dirigida aos cidadãos. Neste sentido, o candidato pretende baixar o preço da água, em diálogo com a empresa responsável, melhorar a política de transportes e ambiental, proporcionar habitação condigna e segura aos cidadãos e criar condições que beneficiem o comércio tradicional.

Marco Martins (PS)

Foto: Câmara Municipal de Gondomar

O candidato do PS à Câmara Municipal de Gondomar é Marco Martins, atual presidente da autarquia. Marco Martins é licenciado em Gestão e mestre em Administração Pública com especialização em Gestão Autárquica pela Universidade do Minho.

O candidato é presidente da Comissão Distrital de Proteção Civil, vogal do Conselho Diretivo da Associação Nacional de Municípios Portugueses, presidente da Assembleia Intermunicipal da Lipor e administrador não executivo da Metro do Porto. Marco Martins é, ainda, coordenador do grupo de Transportes e Mobilidade da Área Metropolitana do Porto.

O candidato, natural de Rio Tinto, interessou-se, desde cedo, pelo voluntariado e pelo associativismo. Aos 14 anos, tornou-se Bombeiro Voluntário da Areosa e, enquanto frequentava o secundário, fez parte do Movimento Associativo Estudantil. No ensino superior, foi presidente da Associação de Estudantes do Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto (ISCAP) e membro da Direção da Federação Académica.

Entre 1997 e 1998, integrou o movimento Pró-Rio, através do qual conseguiu impedir a construção de habitações na zona do leito de Rio Tinto e, entre 1999 e 2005, foi deputado na Assembleia de Freguesia de Rio Tinto.

Em 2005, foi eleito presidente da Junta de Freguesia de Rio Tinto, deixando de desempenhar funções como técnico de administração tributária na Autoridade Tributária e Aduaneira. Quatro anos mais tarde, foi reeleito com o maior número de votos alguma vez registado na freguesia.

O candidato, considerado um dos autarcas mais jovens da região norte, fez parte da Juventude Socialista e do Partido Socialista, ao nível concelhio, distrital e nacional, e foi responsável pela Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE).  O candidato é Presidente da Comissão Política Concelhia e membro da Comissão Política Nacional do PS.

Marco Martins candidata-se ao seu terceiro e último mandato, com o objetivo de fixar a população mais jovem, atrair investimentos, melhorar as acessibilidades, aproveitando a construção da linha de metro Dragão-Souto, implementar políticas ambientais, entre outras medidas. Além disso, tem como principais prioridades a habitação acessível e o desenvolvimento de projetos de ampliação das zonas de redes industriais.

“O objetivo é concluir o trabalho do ciclo iniciado em 2013 em Gondomar, lançar ou relançar e acompanhar projetos emblemáticos para o concelho”, disse.

O candidato espera dar continuidade a projetos já desenvolvidos, como o Parque das Serras e os Moinhos de Jancido, melhorar as acessibilidades com a construção de uma nova ponte, que ligue Gondomar e Gaia e trabalhar na reabilitação do Cavalete do Poço de São Vicente, em São Pedro da Cova.

Cristina Coelho (CDU)

Foto: CDU-Gondomar/Facebook

Cristina Coelho encabeça a lista da CDU à Câmara Municipal de Gondomar. A candidata é professora de Geografia do 3º ciclo e secundário, no Agrupamento de Escolas António Alves Amorim, desde 2001, no qual integra, também, o Conselho Geral.

Desde 2014, a candidata coordena o Programa Eco-Escolas nos agrupamentos onde já lecionou. Além disso, Cristina Coelho foi dirigente sindical e integrou a Associação de Pais da Escola Pinheiro d’Além.

A candidata, natural e residente de Valbom, tem 42 anos e possui uma Licenciatura em Geografia e um Mestrado no Ensino da História pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Em 2017, a candidata realizou tarefas na Assembleia Municipal e na Assembleia de Freguesia da União de Freguesias de Gondomar. Cristina Coelho faz, também, parte da Comissão Concelhia de Gondomar e desempenha funções na Comissão de Freguesia de Valbom do Partido Comunista Português.

A sua participação na Assembleia Municipal e da União de Freguesias permitiu-lhe apurar os principais problemas do concelho de Gondomar, tais como o preço da água e a mobilidade.

“Não é por acaso que Gondomar, na Área Metropolitana do Porto, tem a água mais cara e há as questões da mobilidade (…). Havia um projeto em que o Metro chegaria a Valbom de uma forma, servindo a população de Valbom e um segundo projeto, que a CDU já pediu várias vezes [para ver], mas do qual só temos conhecimento pela Comunicação Social”, afirmou.

Cristina Coelho acredita que é necessário trabalhar o projeto de reabilitação da zona ribeirinha, que ficou por terminar e que precisa de ser finalizado para o desenvolvimento da região. Além disso, a candidata espera melhorar a política de transportes, que considera ser fundamental para o crescimento de um concelho, implementar a “habitação de renda controlada” e potenciar o turismo, com a requalificação do Cavalete do Poço de São Vicente.

Bruno Maia (BE)

Foto: Bloco de Esquerda Gondomar/Facebook

Bruno Maia, natural de São Pedro da Cova, é o candidato do Bloco de Esquerda à Câmara Municipal de Gondomar. O candidato de 39 anos é médico especialista em Neurologia e Medicina Intensiva no Centro Hospitalar de Lisboa Central.

As questões associadas à habitação, aos transportes e ao preço da água constituem as principais preocupações do candidato.

“O BE precisa de eleger pela primeira vez um vereador em Gondomar, um vereador que tome o lado das pessoas que vivem em dificuldade numa terra que estando ao lado do Porto tantas vezes se torna uma terra distante”, afirmou.

Segundo o candidato, “Gondomar é um concelho pobre”, porque, em comparação com os restantes concelhos da Área Metropolitana do Porto, os residentes de Gondomar apresentam um rendimento médio baixo. Além disso, Bruno Maia afirma que o concelho apresenta uma taxa de habitação social inferior a qualquer outro concelho da AMP.

Bruno Maia criticou o facto de “há oito anos que os gondomarenses ouvem falar de metro para o centro do concelho e a única coisa que surge são projetos”. Criticou ainda a obrigação  de pagamento pelos cidadãos, de portagens para circular no próprio município. O candidato alerta, ainda, para a necessidade de existir uma rede de transportes públicos mais fortes e uma maior afirmação da “mobilidade suave”, sobretudo no centro do concelho.

O candidato também aponta o preço da água, como um problema que precisa de ser resolvido, uma vez que, em Gondomar, a água tem um dos preços mais elevados do país. A poluição dos rios Douro e Tinto, gerada pela empresa responsável pela distribuição e tratamento das águas, é uma das preocupações de Bruno Maia e, como tal, o BE vai recorrer à justiça para rescindir o contrato existente.

Isabel Mendes (Chega)

Foto: VivaCidade

Isabel Mendes, natural de Gondomar, é a cabeça de lista da candidatura do Chega à autarquia de Gondomar. A empresária de 47 anos, que não apresenta experiência política, é licenciada em Administração e Gestão de empresas pela Universidade Católica Portuguesa.

“Sempre fui discreta e tive sempre na vida empresarial. Nunca me manifestei de forma alguma na vida política e, nesse sentido, a minha experiência política é nula. Sempre fiz o meu dever cívico de votar e mais nada”, disse a candidata.

A candidatura assenta no desenvolvimento de medidas que visem a melhoria do concelho, a redução da corrupção e a diminuição ou cessação do Imposto Municipal sobre Imóveis.

Rafael Corte Real (Iniciativa Liberal)

Foto: VivaCidade

Rafael Corte Real é o candidato da Iniciativa Liberal à Câmara Municipal de Gondomar. O advogado, que é o candidato mais novo na corrida eleitoral, afirma que “é um bom sinal, quando uma das maiores Câmaras do País tem um candidato com menos de 30 anos”.

O candidato aponta a criação de emprego e a competitividade como as principais prioridades do partido para a autarquia, uma vez que o Gondomar “é o mais pobre concelho limítrofe do Porto”. Além disso, Rafael Corte Real pretende alterar o enquadramento fiscal, visto que, por exemplo, o Imposto Municipal sobre Imóveis é um dos mais elevados do distrito, e implementar medidas que potenciem a fixação das empresas.

O candidato e o partido procuram, ainda, solucionar o problema relativamente ao preço da água.

“Partido moderado e construtivo. É nesse sentido que não viemos só para dizer mal quem está atualmente no poder, mas é evidente que estamos a construir um projeto, que tem soluções para aquilo que tem corrido menos bem, porque eu não conheço um executivo que faça tudo bem ou tudo mal. Este tem as suas falhas e como é de esperar já as identificamos e definimos as nossas prioridades políticas”, afirmou Rafael Corte Real.

O candidato enfrentou fortes críticas, depois de terem sido partilhadas publicações da sua autoria, datadas de 2016, quando Rafael Corte Real atacou os participantes de uma manifestação contra a violência sexual. Relativamente à polémica, o partido diz que “na Iniciativa Liberal as pessoas não são condenadas sumariamente por algo que escreveram há anos”.

Artigo da autoria de Inês Pinto Pereira. Revisto por Filipe Pereira.