Autárquicas 2021 Política

Autárquicas 2021: Vila do Conde

Anterior à fundação de Portugal, a povoação de Vila do Conde, delineada pelos 18 km de praias, que se conjugam com a ruralidade das freguesias do interior, é muito antiga. O Concelho é uma das grandes bandeiras autárquicas do PS que nunca perdeu a Câmara vilacondense. Por Olívia Almeida

Histórico de resultados

O Partido Socialista (PS) tem um histórico notável em Vila do Conde,autarquia que nunca perdeu (nem em 1979, ano da primeira participação da Aliança Democrática). Os socialistas conseguiram a maioria absoluta por diversas ocasiões, ultrapassando mesmo os 60% em alguns anos.

 Nas eleições autárquicas de 2005, o PS obteve maioria absoluta.  Destaque para o facto de, entre todas as freguesias pertencentes a este concelho, apenas uma mulher ter sido eleita Presidente de Junta:  Lurdes Castro Alves, em Fajozes.  Em 2005, o PS foi a escolha de 53,97% votantes, sendo que apenas 38,06% votou na coligação PPD/PSD-CDS-PP.

Já em 2013, a percentagem dos socialistas desceu para 46,70%, o que corresponde a 18.209 votos. O PCP-PEV ficou em 3ºlugar, com 5,15% dos votos.

No que concerne às últimas eleições autárquicas, datadas de 2017, verificou-se uma menor abstenção do que em 2013. Quanto à totalidade do concelho, o PS ficou à frente do PPD/PSD na corrida à presidência da câmara municipal.

Perfil sociodemográfico

O município de Vila do Conde, com 21 freguesias, pertence à Região Norte, à sub-região da Área Metropolitana do Porto e ao distrito do Porto. Em 2010, com Mário Almeida como líder histórico da Câmara Municipal, as despesas desta última em cultura e desporto ascendiam aos 16%, ao passo que, em 2019, com a Dr.ª Maria Elisa de Carvalho Ferraz no poder, também ela socialista, tal percentagem decresceu para os 6,7%.

No entanto, se atentarmos aos gastos da câmara no geral, em 2010 as despesas eram menores: cerca de 45.131,9 euros, enquanto que em 2019 eram 52.647,3 euros. Já no que toca a receitas, para além de se gastar menos, lucrava-se mais: 52.104 euros em 2010 e 51.276,7 euros em 2019. Para além disto, de entre todas as despesas habituais de uma câmara municipal, as respeitantes ao ambiente duplicaram em 9 anos.

Relativamente ao número de beneficiários do Rendimento Social de Inserção (RSI) existiam em 2019 menos beneficiários do que no ano da grave crise económica (2008) . Em 2019, existiam 1.178 beneficiários, em comparação com os 3.958 beneficiários no ano de 2010. Verifica-se o mesmo padrão no número de desempregados inscritos nos centros de emprego, uma vez que o desemprego era bastante superior há 11 anos atrás: 5.705 inscritos no ano de 2008, em confronto com os 2.463 inscritos em 2019.

O desfecho do  colapso económico permitiu a melhoria de outros dois fatores. O ganho médio mensal dos trabalhadores por conta de outrem progrediu de 951 para 1.155 euros. Os crimes registados pelas polícias por mil habitantes diminuíram de 32,6 para 29,3.

Candidatos às Eleições Autárquicas 2021

Coligação Democrática Unitária (CDU) – Hugo Rei Amorim


Hugo Rei Amorim, candidato pela CDU à Câmara Municipal de Vila do Conde (Fonte: Rádio Onda Viva)

Começando pela Coligação Democrática Unitária (CDU), o personagem principal destas eleições é Hugo Rei Amorim, gestor de recursos humanos com 46 anos. É Presidente do Centro Cultural e Desportivo da Macieira. Victor Hugo Lopes é o primeiro candidato à Assembleia Municipal de Vila do Conde. A CDU propõe-se a garante que a candidatura apresentada  não virará a cara “a essa luta pelo desenvolvimento do concelho”.

 

Nós Avançamos Unidos (NAU)- Elisa Ferraz

Elisa Ferraz, candidata pelo NAU à Câmara Municipal de Vila do Conde (Fonte: Facebook oficial da candidata- “Elisa Ferraz- Nós Avançamos Unidos”)

Elisa Ferraz, atual Presidente da Câmara de Vila do Conde, apresentou a candidatura assente num “projeto de continuidade”. Na apresentação da candidatura, Ferraz invocou grandes obras como o Pavilhão Multiusos, a requalificação do Palacete Melo e o Masterplan da rede viária e ainda problemas mais “pequenos” como o estrangulamento. A candidata assumiu que as principais prioridades da candidatura passam por: “Educação, habitação e rede viária”.

Partido Socialista (PS)- Vítor Costa

Vítor Costa, candidato do PS à Câmara Municipal da Vila do Conde (Fonte:PS Porto)

Na área socialista, Vítor Costa quer a água mais barata, à semelhança do que acontece na Póvoa de Varzim e em Matosinhos. Afirma ser uma grande injustiça que em Vila do Conde se pague a água muito mais cara que quase todos os restantes municípios portugueses.

Partido Social Democrata (PSD)- Pedro Soares

Pedro Soares, candidato pelo PSD à Câmara de Vila do Conde (Fonte: Mais Semanário)

 

O social-democrata Pedro Soares apresenta, por sua vez, como primeiro projeto da candidatura, a construção de uma nova ponte sobre o rio Este, que terá um custo de 1 milhão de euros, bem como uma ecovia de 8,5 km na margem do rio Ave a ligar Vila do Conde a Macieira. Soares afirma que estes projetos são reflexivos da sua visão do interior como “alavanca do concelho”. A circulação alternada obrigatória pelos veículos entre as freguesias de Touginhó e da Junqueira demonstra , de acordo com Soares, o efeito de “40 anos de inoperância socialista”, atribuindo a mesma inércia a  Elisa Ferraz.

Bloco de Esquerda (BE) – António Louro Miguel

António Louro Miguel, candidato do Bloco de Esquerda à Câmara Municipal de Vila do Conde (Fonte: Jornal Renovação)

Do Bloco de Esquerda, António Louro Miguel recorre a três palavras para descrever a gestão do concelho de Vila do Conde, “que se tem desenvolvido assimetricamente, sem coesão territorial, dando azo a desmandos urbanísticos como o crescimento que parece imparável na edificação junto à linha de costa”: “incapacidade, incompetência e inércia”. António Louro Miguel é professor do ensino secundário e na apresentação da candidatura deixou clara a dedicação do partido a uma remunicipalização do serviço de distribuição de água que possibilite uma redução no preço da água, pelo que Louro Miguel destaca que os vilacondenses pagam “muito mais que a maioria dos portugueses pela água que consomem”.

O candidato menciona ainda que “há mais de uma década que não há construção de habitação social” e acusa a Câmara de agir como “um simples promotor imobiliário”, indiferente à questão da habitação social. Deu o exemplo dos “21 imóveis do Pindelo” que fizeram parte de um programa de realojamento patrocinado pela Câmara e que permanecem por ocupar.  A candidatura propõe ainda a construção de um novo centro hospitalar, o”fim das portagens na A28” e ainda abordou a importância de delinear um plano de gestão da paisagem protegida do litoral.

 

Pessoas-Animais-Natureza (PAN)- João Paulo Alves

João Paulo Alves, candidato do PAN à Câmara Municipal de Vila do Conde (Fonte: Rádio Onda Viva)

 

O candidato de Pessoas-Animais-Natureza (PAN) para o ato eleitoral autárquico é João Paulo Alves. Quer melhorar as condições de vida e o bem-estar dos vilacondenses. Faz igualmente questão de sublinhar a importância de proteger a natureza e os animais, sublinhando a urgência de construir um Centro de Recolha Oficial de Animais licenciado. Quer ainda pôr fim ao “sistemático abate e podas radicais de árvores por todo o concelho, propondo a elaboração de um regulamento municipal para o arvoredo”.

Partido Centrista Democrata Social (CDS)- Artur Bonfim

Artur Bonfim, Candidato do CDS-PP à Câmara Municipal de Vila do Conde (Fonte: Notícias em Primeira Mão)

 

Artur Bonfim é líder da concelhia do CDS-PP de Vila de Conde. Propõe construir a construção de moradias e de núcleos habitacionais, em detrimento de “autênticos guetos”. No que respeita a matéria ambiental, propõe ainda a construção de um parque da cidade e valorizar os estaleiros navais que “atravessam graves dificuldades”.

CHEGA-Luís Vilela

Luís Vilela, candidato pelo CHEGA à Câmara Municipal de Vila do Conde (Fonte: Rádio Onda Nova)

Por fim, o CHEGA tem como representante o empresário vilacondense de 65 anos, Luís Vilela. Tendo sido filiado no PSD e liderado a bancada dos social-democratas na Assembleia Municipal de Vila do Conde, entre 2013 a 2017, explicou que a motivação para avançar com esta candidatura às próximas eleições autárquicas surgiu para “defender as pessoas”.

Artigo da autoria de Olívia Almeida. Revisto por Filipe Pereira