Política

25 de Abril: Iniciativa Liberal foi proibida de participar no desfile. Organizou o seu

A comissão promotora dos desfiles comemorativos do 25 de Abril justificou a impossibilidade de os liberais participarem nos mesmos devido à “situação de excecionalidade e de limitações relacionadas com a saúde pública em que vivemos”. João Cotrim Figueiredo criticou a decisão, afirmando que a liberdade “não tem donos” e em resposta organizou o seu próprio desfile. Por Leonardo Pereira

Foi cerca de cinco dias antes do 47º aniversário da Revolução dos Cravos que a Iniciativa Liberal (IL) ficou a saber da proibição que lhe fora imposta pela comissão promotora dos desfiles comemorativos do 25 de Abril para participar nos mesmos. De acordo com o Observador, a IL explicou num comunicado que desde 2018 é presença assídua nas comemorações do 25 de Abril na Avenida da Liberdade e que, este ano, fora impedida pela comissão promotora que usou o atual contexto de crise da saúde pública como justificação.

A dita comissão esclareceu que este ano, em oposição àquilo que seria a “política de abertura e alargamento à participação de todos os defensores dos valores de Abril”, a situação pandémica levou a que se restringisse “a participação no desfile (…) às organizações que constituem a comissão promotora” de modo que se tornasse possível “uma responsável satisfação às exigências de controlo e de proteção dos participantes, definidas pelas competentes entidades oficiais”.

João Cotrim Figueiredo, líder da Iniciativa Liberal e único deputado do partido na Assembleia da República, criticou a decisão afirmando que tendo em conta a decisão da comissão promotora só seria dada a oportunidade de participação aos “partidos do espaço socialista e a um conjunto de organizações associativas e sindicais”.

Por acreditarem que “as celebrações do 25 de Abril não são exclusivas dos partidos de esquerda, nem de organizações satélites” os liberais anunciaram que iriam organizar uma celebração à parte que teria início às 15 horas do dia 25 de Abril na Rotunda do Marquês de Pombal. Cotrim Figueiredo afirmou que “a liberdade e a democracia não foram conquistadas só para alguns, nem se solidificam num só dia. Exigem um esforço permanente e são um trabalho sempre inacabado”.

No entanto, segundo o Expresso, a comissão promotora acabou por permitir a participação nos desfiles comemorativos “de todas as entidades interessadas”, embora com regras a cumprir devido à pandemia. A Iniciativa Liberal afirmou que iria manter na mesma o seu desfile, acusando a comissão de ter sido “tardia” na sua decisão e só ter voltado atrás porque fora “fortemente criticada” pela sua proibição dirigida aos liberais de participarem nos desfiles comemorativos.

Cotrim Figueiredo afirmou que “a liberdade e a democracia não foram conquistadas só para alguns, nem se solidificam num só dia. Exigem um esforço permanente e são um trabalho sempre inacabado”.

A Iniciativa Liberal garantiu que o seu desfile iria estar “devidamente coordenado com as autoridades, nomeadamente a nível de horários e trajeto”, comprometendo-se com “um exercício de liberdade com responsabilidade”. O ponto de encontro do desfile liberal terá sido por volta das 14h na Praça do Duque de Saldanha, tendo o desfile começado cerca de uma hora depois “em direção na Rotunda do Marquês de Pombal, cumprindo as indicações de segurança sanitária, dando mais uma vez um exemplo de exercício de Liberdade com Responsabilidade”.

Inicialmente com cerca de 150 pessoas inscritas, a organização do desfile da Iniciativa Liberal contava poder conseguir “acomodar mais pessoas que se possam juntar”, sempre a cumprir com as indicações da Direção Geral de Saúde relativas às normas de segurança e distanciamento social.

Artigo da autoria de Leonardo Pereira. Revisto por José Milheiro e Marco Matos.