Política

Eleições presidenciais: Começou o sprint final para Belém

Os debates televisivos entre candidatos tiveram início a 2 de janeiro e terminam a 9 de janeiro. A RTP foi a única a mostrar disponibilidade para transmitir os debates de Vitorino Silva com os restantes candidatos.
Por Inês Pereira.
Palácio de Belém. Fonte_ Presidência da República

 

As eleições presidenciais realizam-se a 24 de janeiro de 2021 e são sete os candidatos que concorrem à Presidência da República. 

O Tribunal Constitucional aceitou as candidaturas de João Ferreira, Marisa Matias, André Ventura, Marcelo Rebelo de Sousa, Vitorino Silva, Ana Gomes e Tiago Mayan.

Eduardo Batista foi excluído da lista de candidatos à presidência por apresentar várias irregularidades nos documentos exigidos. Contudo, o boletim de voto será constituído por oito candidatos, uma vez que o sorteio foi realizado dois dias antes da candidatura do militar ser rejeitada.

Neste sentido, o boletim de voto inicia-se com Eduardo Batista, seguido de Marisa Matias e termina com a antiga eurodeputada do Partido Socialista, Ana Gomes.

Marisa Matias

A eurodeputada do Bloco de Esquerda espera alcançar “um melhor resultado” do que aquele que obteve nas eleições presidenciais de 2016, nas quais ficou em terceiro lugar com cerca de 10% dos votos.

Marisa Matias criticou o desempenho do Presidente da República,acusando-o de se recusar a tomar uma posição fixa relativamente ao Chega. “Eu não daria posse a um Governo apoiado pelo Chega”, afirmou a candidata.

Em entrevista à RTP, acrescentou que qualquer presidente da República deve procurar proteger a Constituição, o que não acontece se der posse a um Governo constituído por um partido de extrema-direita.

Marisa Matias disse que caso André Ventura fique à sua frente nas eleições será uma derrota para si, mas também para a democracia. 

A candidata conta com o apoio do Bloco de Esquerda. A líder do partido, Catarina Martins, afirmou que Marisa Matias “teve um resultado extraordinário”, lembrando que “foi a mulher mais votada de sempre em presidenciais em Portugal”.

Marcelo Rebelo de Sousa

O atual Presidente da República conta com o apoio do PSD, que mesmo antes da sua recandidatura aprovou uma moção que garantia o seu apoio a Marcelo Rebelo de Sousa. A Comissão Nacional do PSD diz que “o atual Presidente da República é o candidato que nos dá mais garantia de equilíbrio e unidade nacional no quadro da crise que Portugal atravessa”.

“Não estive com o Governo, estive com os portugueses”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa como forma de responder a algumas das críticas que lhe foram sendo dirigidas por outros candidatos.

Quanto à polémica associada ao Chega e à sua legalização, Marcelo diz que é contra alguns dos ideiais defendidos pelo partido, como a pena de morte e a prisão perpétua, mas considera que “a melhor maneira de lutar por ideais é o combate das ideias e não a interdição de secretaria”.

Tiago Mayan

Apoiado pela Iniciativa Liberal, Tiago Mayan teve alguns problemas com a regularização da sua candidatura, uma vez que o  Tribunal Constitucional exigiu o número do documento de identificação do mandatário e o mínimo de 7.500 assinaturas regularizadas.   

Tiago Mayan teceu críticas à postura do Presidente da República ao longo do seu mandato. “Marcelo não foi presidente. Marcelo foi ministro da propaganda deste Governo e essa é, desde logo, a maior crítica que lhe posso fazer porque isso tem sido continuamente demonstrado”, afirmou o candidato.

O candidato, em entrevista à RTP, censurou também a atuação da Ministra da Saúde, Marta Temido, durante a pandemia. Segundo Tiago Mayan, a ideologia da ministra “matou gente”.

André Ventura

O candidato, apoiado pelo Chega, lamenta que alguns partidos afirmem não dar posse a um Governo constituído pelo seu partido. “Acho isto de uma falta de sentido democrático… O Chega é um partido legítimo, legalizado. Não percebo como é que há candidatos que dizem que não vão respeitar a vontade do povo português, se o Chega tiver 8%, 10%, 12% ou 15% [dos votos], como apontam algumas sondagens”, afirmou André Ventura. 

O líder do Chega, que afirmou, em setembro, que se demitiria caso a antiga eurodeputada do PS, Ana Gomes, ficasse à sua frente, mudou a sua posição e deixa ao partido a “palavra final”.

O candidato disse que “[Ana Gomes é] uma candidata que não tem agregado nada, tem fraturado; é uma candidata que não tem o apoio de quase nenhum espaço político parlamentarmente representado. Assim, com o perfil de Ana Gomes, se ela ficar à minha frente, eu fiz um mau trabalho”

André Ventura considera que a recandidatura de Marcelo Rebelo de Sousa é a “candidatura socialista que faltava apresentar”.

Vitorino Silva

O candidato, mais conhecido por “Tino de Rans”, que já se havia candidatado à Presidência da República em 2016, assume-se como o “candidato do povo”.

“O meu gabinete é a rua. Não desci de divisão. Há cinco anos, tive 150 mil votos e tenho muito respeito por quem votou em mim e por quem não votou. Pensam que sou um português de segunda, mas também não quero ser português de domingo. Não quero que haja portugueses de primeira e de segunda”, afirmou Vitorino silva.

O candidato acredita que muitos socialistas, graças à liberdade de voto dada pelo partido, votarão nele.

João Ferreira 

Segundo o candidato apoiado pelo Partido Comunista Português, a sua candidatura visa promover os planos que tem para o país e que, como tal, espera que ajudem a mobilizar os eleitores. 

“Já se percebeu que a importância que atribuo a esta candidatura se faz a partir da valorização que eu próprio faço destas eleições, não preciso de me referir a outras candidaturas para atribuir a estas eleições a importância que elas têm”, afirmou João Ferreira.

Em entrevista à TVI, João Ferreira mostrou a intenção de respeitar a Constituição, caso venha a ser eleito, e a possibilidade de dar posse a um Governo de direita.

Ana Gomes

Apesar de o PS não assumir uma orientação para as eleições presidenciais, Ana Gomes conta com o apoio de Manuel Alegre, Francisco Assis, Pedro Nuno Santos, Duarte Cordeiro, entre outras figuras socialistas, do PAN e do Livre.

Inês Sousa Real, líder parlamentar do PAN, disse que “sendo esta uma eleição de pessoas e não de partidos o PAN decidiu apoiar a candidatura de Ana Gomes à presidência da República. O PAN está numa fase de crescimento e consolidação, isso não significa que tenhamos de nos apresentar a todos os atos eleitorais nomeadamente às presidenciais”.

Ana Gomes mostrou o seu desagrado quanto à falta de apoio do Partido Socialista, que conferiu liberdade de voto aos seus militantes. ”Se eu não estivesse aqui, não haveria um candidato do campo do socialismo democrático, fazendo a convergência de todos os que defendem a democracia”, reivindicou a candidata.

A antiga eurodeputada, que foi tecendo muitas críticas ao atual Presidente da República, afirmou que “há demasiado encosto” entre Marcelo Rebelo de Sousa e o primeiro-ministro, António Costa. 

Os debates 

Segundo a sondagem realizada pelo Observador/TVI/Pitagória, Marcelo Rebelo de Sousa continua à frente nas intenções de voto com 68%, seguido de Ana Gomes com 10,9% e André Ventura com 10,7%. 

Os 15 debates televisivos entre os candidatos a Belém iniciaram-se a 2 de janeiro, com Marcelo Rebelo de Sousa e Marisa Matias na RTP1 e João Ferreira e André Ventura na TVI24. Terminam dia 9 de janeiro com Marcelo Rebelo de Sousa e Ana Gomes na RTP1 e Marisa Matias e Tiago Mayan na SIC Notícias.

Vitorino Silva havia sido excluído dos debates televisivos, apesar de ter sido reconhecido como candidato pelo Tribunal Constitucional, mas depois de uma grande polémica, a RTP mostrou-se disponível para transmitir os debates do “Tino de Rans” com os outros candidatos. António José Teixeira, diretor de informação da RTP, disse que “todos os candidatos terão oportunidade de debater com todos os candidatos na RTP“

Dia 12 de janeiro todos os candidatos vão a debate, na RTP.

Artigo da autoria de Inês Pereira. Revisto por José Milheiro e Marco Matos.