Política

Aliança Internacional para vencer batalha contra Covid-19

A Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou, dia 24 de abril, um plano de angariação de 7,5 mil milhões de euros para acelerar os trabalhos em exames, remédios e vacina contra o coronavírus. Por Maria Moráz
Tedros Ghebreyesus, Diretor-Geral da Organização Mundial de Saúde, defende que vacina seja acessível para todos (Fonte: www.who.int/)
Tedros Ghebreyesus,
Diretor-Geral da Organização Mundial de Saúde, defende que vacina seja acessível para todos (Fonte: www.who.int/)

O lançamento virtual do programa contou com a participação de 11 países de diferentes continentes. O principal objetivo é correr contra o tempo e tornar as ferramentas disponíveis para todos. Segundo o director-geral da OMS, Tedros Ghebreyeus, a iniciativa  “reúne o poder de várias organizações para trabalhar com velocidade, escala e de formas diferentes para identificar desafios e soluções”. Participaram líderes e especialistas como o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, que declarou que ninguém está a salvo da Covid-19 até que todos estejam seguros, Chefes de Estado e de governo da África do Sul, Costa Rica, Itália, Ruanda, Alemanha, Arábia Saudita, Noruega, Espanha, Reino Unido, Malásia, França e os líderes da União Africana e o G-20. 

Principais países da América e Ásia não participarão da iniciativa 

Os Estados Unidos, país mais afectado pela pandemia, não participarão da iniciativa. Com mais de 80 mil mortes e mais de um milhão de casos, o presidente norte-americano Donald Trump anunciou recentemente a suspensão do apoio financeiro do país a OMS e justificou a decisão com a “má gestão” da pandemia da Covid-19 por parte da instituição. “O mundo recebeu muitas informações falsas sobre a transmissão e mortalidade [da doença Covid-19]”, declarou Trump. Além disso, o presidente acusou a OMS de financiar o regime de XI Jinping, presidente da China.

Primeiro epicentro do surto do novo coronavírus, a China também não participou da iniciativa da OMS. O país teme uma segunda vaga do surto junto à fronteira com a Rússia e novos casos em Wuhan. As autoridades chinesas já impuseram quarentena para a população da cidade de Shulan, que registou três novos casos de transmissão comunitária. A China registou mais de 80 mil casos e mais de 4500 mortes em decorrência da Covid-19.   

O Brasil, sétimo país mais afectado pela pandemia no mundo, não foi convidado a participar da iniciativa. Até o momento, registou mais de 11 mil mortos e  168 mil casos confirmados. Diante desse cenário, o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro,  afirmou que 70% da população brasileira deve contrair o vírus e classificou a pandemia como uma “neurose”. Em outras ocasiões, o presidente já afirmou que a Covid-19 só provoca um “resfriadinho”, uma “gripezinha” e não passa de uma “histeria” colectiva. Além das declarações polémicas, Bolsonaro tem saído do Palácio do Planalto para visitar bairros, apertar mãos de apoiantes e beijar crianças, criando aglomerações. O Ministério da Saúde brasileiro reconhece que a iniciativa é importante no cenário internacional e que o país ainda participa de pesquisas da OMS de eficácia de tratamentos.

Principais líderes europeus participarão da iniciativa

A chanceler federal alemã, Angela Merkel, protelou à política e ao setor privado ajuda financeira para a iniciativa. A Alemanha fará uma contribuição substancial para este fundo e lembrou da necessidade de aumentar as “capacidades de produção em muitas partes do mundo” para a produção em massa da vacina, de forma a ser distribuída em nível global. Além disso, a líder enfatizou que a pandemia é o maior desafio das últimas décadas para a comunidade internacional que, para Merkel, só será superada com uma “aliança internacional”. O país registou 173 mil casos confirmados e cerca de 7500 mortes em decorrência do novo coronavírus. 

O presidente francês, Emmanuel Macron, prometeu mobilizar os países do G7 e G20 e espera uma reconciliação entre Estados Unidos e China. Além disso, criticou os EUA por tentar obter a exclusividade sobre a vacina do coronavírus. “Será inexplicável e imperdoável dizer que uma vacina estaria disponível apenas no país onde foi desenvolvida ou onde as grandes farmacêuticas investiram”, declarou Macron. A França é o oitavo país mais atingido pela pandemia, registrando quase 140 mil casos e mais de 26 mil mortes. 

Segundo país mais atingido pela pandemia, a Espanha registrou 228 mil casos e quase 27 mil mortes. O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, afirmou o empenho de seu país em “evitar que aconteça em qualquer lado algo semelhante ao que aconteceu em Espanha”. Para Sánchez, a solidariedade e o multilateralismo são a única maneira de avançar e destacou a importância de produzir testes, tratamentos e vacinas em larga escala a preços acessíveis.

O Reino Unido, terceiro país mais atingido pela pandemia, antes mesmo desta iniciativa concertada já havia anunciado a doação de mais de 200 milhões de euros a instituições, a 12 de Abril, entre elas a própria OMS, à qual destinou 74 milhões de euros. Para a ministra do Desenvolvimento Internacional, Anne-Marie Trevelyan, o coronavírus não conhece fronteiras. “Só podemos proteger eficazmente os britânicos se ajudarmos os países em desenvolvimento a fortalecer os seus sistemas de saúde”, afirmou. O Reino Unido registou 223 mil casos e mais de 32 mil mortes.

O quarto país mais atingido pela pandemia e o primeiro país europeu a ser epicentro da doença, a Itália, contabilizou 220 mil casos e mais de 30 mil mortes. O primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte apoiou a iniciativa e disse estar orgulhoso de fazer parte desta aliança global. “Encontrar e distribuir uma vacina é a única maneira de vencer a batalha”, declarou Conte. 

Artigo da autoria de Maria Moráz. Revisto por Miguel Marques Ribeiro