Política

CDS-PP: UM PARTIDO POPULAR NO NOME, MAS INVULGAR NO VOTO

Nas últimas eleições legislativas, o CDS conquistou apenas cinco deputados, tantos como em 1991. Assunção Cristas, neste quadro de desilusão eleitoral, anunciou o seu abandono da liderança e a convocação de eleições internas. Por: Olívia Almeida

Fonte: cds.pt

Fonte: cds.pt

Quando em 2005 Paulo Portas, então líder do CDS/PP, considerou fraco o resultado das eleições legislativas, em que foram eleitos pelas suas listas 12 deputados, não sabia que no futuro o seu partido estaria numa situação bastante pior. Apresentou na altura a demissão, apesar de logo em 2007 subir de novo à presidência dos populares. Aliás, Paulo Portas é o líder partidário com mais tempo no poder.

Dos tempos áureos à crise do presente

Ainda num período mais remoto do que o início do novo milénio, em abril de 1975, o CDS elegeu os únicos 16 deputados não socialistas da Assembleia Constituinte. O grande objetivo, na altura, do CDS foi alcançado um ano depois, nas eleições legislativas: ultrapassar o PCP e colocar-se ao lado dos socialistas e sociais-democratas, entre os grandes partidos democráticos portugueses, com 42 deputados.

Este período áureo do CDS-PP contrasta com os tempos presentes marcados, por exemplo, pelo recente falecimento de um dos seus fundadores, Diogo Freitas do Amaral, o que fez com que a campanha para as legislativas deste ano do CDS-PP terminasse mais cedo.

O que diria o reputado professor universitário sobre o atual período controverso do partido que ajudou a fundar? Ou sobre os resultados eleitorais de 6 de outubro, conhecidos três dias depois da sua morte? 

Em plena crise financeira, no ano de 2011, Freitas do Amaral, numa entrevista ao Observador, afirma o seguinte: “Este não é um momento fácil, mas eu acho que nós temos todas as condições para, pelos nossos meios, pelos nossos esforços, pelos nossos sacrifícios, ultrapassarmos esta crise.” Talvez a resposta do jurista se pudesse aplicar à situação interna atual do seu partido.

Estudo revela desacerto entre o partido e o eleitorado

Os militantes do Partido Popular vivem um momento menos bom, o que nos faz debater sobre quais as razões para tal cenário. Uma delas poderá ter sido a falta de medidas concretas em matérias que marcaram estas últimas eleições legislativas.

Veja-se o caso do ambiente, que ocupou um espaço central na última campanha eleitoral. A análise do sítio Co2 dos Partidos, dirigida por Luís Costa, engenheiro biomédico, e Susana Lavado, doutorada em Psicologia Social e investigadora, mostra o quão ambiciosas são as propostas dos partidos no que diz respeito à redução das emissões de dióxido de carbono.

Segundo o estudo, o CDS-PP ficou muito longe do pódio em termos de medidas concretas. Por exemplo, ao investigarem em que medida os partidos conseguiam cobrir as 96 metas do RNC (Roteiro da Neutralidade Carbónica), e em comparação aos partidos com assento parlamentar (antes do dia 6 de outubro de 2019), o CDS-PP ocupava o penúltimo lugar.

Além disso, assumia o último lugar no alinhamento das medidas propostas pelos partidos no seu programa eleitoral com o RNC, obtendo uma percentagem nula quando a questão se debruçava sobre o número de medidas concretas propostas por cada partido.

Novo ano, vida nova

Assunção Cristas, apesar de ser ex-ministra do Mar, Ambiente e Ordenamento do Território, não conseguiu evitar que a ausência de um tratamento adequado de matérias como a próprio ecologia e meio ambiente a conduzissem a uma enorme derrota eleitoral, que forçou o seu pedido de demissão.

A decisão do sucessor está marcada para o próximo congresso de 25 e 26 de janeiro de 2020. Para já perfilam-se três candidatos: Abel Matos Santos, Carlos Meira e João Almeida. A campanha eleitoral interna está prestes a começar.

 

Artigo da autoria de Olívia Almeida. Revisto por Miguel Marques Ribeiro