Política

Megaoperação de ‘caça’ ao imigrante ilegal arranca este domingo nos EUA

As autoridades americanas pretendem localizar e deter milhares de imigrantes ilegais, com o objectivo de proceder à sua deportação imediata.
Yanela, natural das Honduras, chora enquanto a mãe, Sandra Sanchez, é revistada por um agente da US Border Patrol, em McAllen, Texas, EUA, no dia 12 de Junho de 2018 © John Moore, Getty Images

 

Oficiais da agência de estrangeiros e fronteiras americana, a ICE (Immigration and Customs Enforcement), citados pelo New York Times, dizem que o alvo principal são 2000 imigrantes distribuídos por 10 grandes cidades americanas (em que se incluem Chicago, Miami ou Los Angeles) que os tribunais já decidiram deportar, mas que ainda permanecem no país.

O presidente norte-americano, Donald Trump, havia anunciado no Twitter a realização desta megaoperação em finais de Junho, prometendo a «remoção de milhões de imigrantes ilegais», o que motivou críticas oriundas de diversos quadrantes.

Os Democratas, pela voz de Nancy Pelosi, que preside à Câmara dos Representantes e pretende candidatar-se à Presidência dos EUA, em 2020, classificaram a medida de «desumana», instando Trump a recuar.

Diversas organizações não-governamentais alertaram para os impactos que incidirão sobre as famílias com crianças nascidas no EUA, dado que a lei prevê que os pais não documentados sejam, nesse caso, separados dos filhos.

A polémica terá alastrado ao interior da própria ICE. Segundo o New York Times, o adiamento da data inicialmente prevista para o arranque da operação resultou, em parte, da resistência de elementos da própria agência e não apenas, como alega Trump, da decisão de dar tempo aos democratas para que aceitassem aprovar um novo pacote legislativo anti-imigração.

A mesma publicação refere que a intervenção policial poderá resultar em “deportações colaterais” isto é, na detenção e posterior expulsão de imigrantes que, não sendo especificamente visados, se encontrem no local e sejam passíveis do mesmo tratamento.

Artigo escrito por Miguel Marques Ribeiro e revisto por Rita Pais Santos.