Política

AKK: MUDANÇA OU CONTINUIDADE?

No dia 7 de Dezembro, o maior partido alemão, a CDU, elegeu a sua nova líder: Annegret-Kramp-Karrenbauer. O JUP analisa o perfil da sucessora de Angela Merkel e o que esta mudança representa para o partido e para a Alemanha.

Annegret-Kramp-Karrenbauer é a nova líder da CDU. Com 56 anos, AKK toma o lugar de Merkel no partido conservador alemão, ultrapassando nas eleições Friedrich Merz, um advogado multimilionário conhecido pela sua postura anti-Merkel, e Jens Spahn, que se afigurava como o candidato mais à direita e populista.

Quem é então Annegret-Kramp-Karrenbauer?

Nascida em Völklingen, AKK cresceu em Püttlingen, uma pequena cidade perto da fronteira franco-alemã, no Estado do Sarre. Karrenbauer estudou política e direito na Universidade de Trier e tirou o seu Master na Universidade do Sarre. É fluente em francês, católica, casada com o engenheiro Helmut Karrenbauer e mãe de três filhos.

A sua entrada no mundo da política aconteceu cedo: juntou-se à CDU em 1981, quando ainda estava no ensino secundário. Em 1984 foi eleita para a câmara municipal de Püttlingen e no ano seguinte tornou-se a presidente da associação da CDU na cidade. Desde então, Karrenbauer foi subindo no partido e desempenhando funções para membros importantes da CDU. Em 1999, foi eleita para a Landtag do Sarre e serviu como Ministra do Interior do governo de Peter Müller, mudando de funções várias vezes: foi Ministra da Educação e depois Ministra do Trabalho.

Nas eleições de 2012 do Estado do Sarre, AKK deu a vitória à CDU, fazendo Merkel passar no primeiro teste eleitoral durante a crise europeia. Nas eleições seguintes, em 2017, Annegret ganha toda a credibilidade política dentro da CDU, que fez com que fosse eleita há duas semanas: meses antes da mais pesada derrota da CDU desde 1949 (o partido conseguiu apenas 32,9% do voto nacional nas legislativas de 2017), AKK conseguiu 40% dos votos no estado Sarre.

Em Fevereiro de 2018, Merkel nomeou-a a nova secretária-geral do partido.

Annegret e Merkel comparadas

Uma nasceu no Estado do Sarre, pertenceu à CDU a vida inteira e tem formação na área das ciências humanas. A outra cresceu na Alemanha de Leste, passou pelo partido comunista enquanto jovem e é doutorada em física quântica. À primeira vista, as semelhanças entre estas duas mulheres não são muitas, mas é de destacar nesta análise que, apesar das carreiras políticas diferentes, Annegret é vista pela opinião pública como o símbolo da continuidade, o que lhe valeu o apelido de “mini-Merkel.”

No que toca às visões políticas de cada uma, é possível afirmar que AKK é mais conservadora do que Merkel. A nova líder da CDU não é tão recetiva relativamente à entrada de refugiados na Alemanha, defendendo uma maior seleção das pessoas que entram no país. Mais católica do que Merkel, vê com alguma reserva o casamento entre pessoas do mesmo sexo e é contra a publicidade a clínicas que ofereçam serviços de interrupção voluntária da gravidez.

Angela Merkel e Annegret Kramp-Karrenbauer juntas numa conferência de imprensa conjunta na Konrad-Adenauer-Haus. Foto: Maurizio Gambarini/dpa
Angela Merkel e Annegret Kramp-Karrenbauer numa conferência de imprensa conjunta na Konrad-Adenauer-Haus. Foto: Maurizio Gambarini/dpa

Visões de um futuro distante

Afigurando-se como uma mulher pragmática, humilde e integradora, Annegret e a sua grande fidelidade ao partido constituem elementos decisivos para a CDU. O partido tem um importante desafio nas próximas eleições legislativas de 2021: melhorar o seu resultado eleitoral de 2017, um dos piores da história. Conseguirá Karrenbauer unir o partido e não viver na sombra de Merkel, que, apesar das críticas, é ainda vista como a carismática líder do mundo livre? O que representa para a Europa esta mudança na Alemanha? Será que o maior conservadorismo de AKK irá, por exemplo, atrapalhar o trabalho dos Estados-Membros da UE na integração dos refugiados? É esperar para ver.