Política

#HeforShe: uma política deles e delas

Foi no ano de 2014 que se pronunciou pela primeira vez "HeforShe". As palavras de Emma Watson soaram e não mais caíram em esquecimento. Em Portugal, são 2943 os homens que lutam por este movimento, acompanhados por 2137 mulheres - um debate que na política tem revelado uma posição "transpartidária" e que se associa essencialmente às plataformas políticas e sociais.

Intitulando-se numa primeira fase como campanha, HeforShe – traduzido à língua portuguesa “ElesporElas” – foi construindo uma denominação que ultrapassa esse conceito e nos remonta para um movimento internacional. Foi desenvolvido pela Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Género e o Empoderamento das Mulheres – UN Women

A igualdade de género foi a máxima que edificou a criação do movimento e, como tal, é necessário pensar a mesma como algo que necessita de uma abordagem inclusiva.

A consciencialização de rapazes e homens para o reconhecimento da mesma, permite estabelecer uma parceria que determina a obtenção do equilíbrio que há muito procuravam, a igualdade e os direitos que são na verdade uma questão de humanidade.

Tendo como embaixadora Emma Watson, o principal objetivo edifica-se na ação e na consciencialização da responsabilidade no combate à discriminação contra as mulheres.

No discurso de apresentação da campanha, em 2014, as palavras da Embaixadora da Boa Vontade foram o impulso para o que se julgava impossível de acontecer e, por isso, o movimento tem apresentado uma evolução cada vez mais positiva, não só no seu reconhecimento mas também na mudança e  integração do papel da mulher:

 

Deveríamos parar de nos definir pelo que não somos e começarmos a nos definir pelo que somos. Todos podemos ser mais livres e HeforShe é exactamente sobre isso. É sobre liberdade. Eu quero que os homens se iniciem nesta luta para que suas filhas, irmãs e esposas não sofram de preconceito, assim como os seus filhos, para que possam ter permissão para a vulnerabilidade e a humanidade, para que sejam uma versão mais completa de si mesmos.” 

 

#Elesporelas: “Isto também é desigualdade de género”

Em Portugal, o movimento HeForShe chegou com José Fidalgo, o atual embaixador português.

A primeira ação pública do movimento proclamou-se com a expressão “Isto também é desigualdade de género”, cuja iniciativa defende as opções de escolha que cada ser humano possuí, alienando-as assim de qualquer tipo de sexismo, descriminação e desigualdade.

Cerca de 10 pessoas constituem a equipa local portuguesa, que embarca na viragem da “narrativa tradicional”, tornando-a mais segura, inclusiva e plural.

A tentativa de contribuir para uma maior reflexão, contestação e debate foi lançada e, atualmente, tem adquirido proporções incalculáveis.  Em Portugal, os números rondam os 5000 elementos que lutam por esta causa.

Ainda que a sociedade revele um desequilíbrio constante, a manifestação pela igualdade tem obtido uma adesão muito positiva no que compete à participação dos homens, 2943 portugueses lutam pela igualdade.

Depois da edição dedicada à White Ribbon, que contestava a violência contra as mulheres, José Fidalgo apresenta um trabalho onde o alcance da humanidade é a máxima.

“É direito que mulheres me representem em políticas” 

Em 2014, durante o discurso de apresentação da campanha, Emma Watson proferiu a igualdade económica, social e política entre os géneros.

Dessa forma, a visibilidade do papel da mulher na política ainda não se revela nítido, contudo, a sua evolução revela uma maior atenção sobre o mesmo.

A participação nas manifestações, o soar da voz e a firmeza de uma posição que não está esquecida foram alguns dos métodos nomeados para uma participação ativa que não poderia ser desprezada.

Passando a nomear um dos casos que se encontra presente no site oficial do “HeforShe”, é a demonstração de apoio por parte da delegação da União Europeia.

No dia 5 de maio de 2015, os membros da Comissão Europeia revelaram o seu apoio ao movimento e refletiram sobre o apoio aos direitos das mulheres. Afirmam ainda que, apesar da grande maioria dos cidadãos acreditar que repensar a desigualdade entre homens e mulheres deverá ser uma prioridade para a UE, o assunto ainda está longe de se afirmar como inacabado.

Voltando a face para Portugal, o movimento foi alvo de debate no passado dia 6 de setembro, no encontro que se realizou na Faculdade de Medicina do Porto.

As atividades desempenhadas pelo movimento serão desempenhadas durante este mês, contudo, a sua presença já se destaca desde o mês de junho.

Sendo um assunto diretamente ligado às plataformas de políticas e sociais das diversas campanhas, o encontro com os diversos candidatos às eleições autárquicas do Porto, juntamente com Mónica Carneiro, um dos elementos pertencentes ao movimento HeforShe, foram o despertar de um mês de debate.

Segundo Mónica Carneiro, em 2013 apenas 7% das mulheres se candidataram às autárquicas e, como tal, o facto de apenas uma mulher se encontrar entre os candidatos à Câmara do Porto poderá ser um reflexo de tal.

Ilda Figueiredo afirma uma luta que pretende transpor “de lei para a vida”, assim como assume o combate à desigualdade uma batalha que não ficará perdida.

Álvaro Almeida acredita que este assunto que já não deveria ser discutido, uma vez que já deveria ser aceite pacificamente por todos os seres humanos.

As quotas municipais foram um desafio proposto por João Teixeira Lopes. O deputado do Bloco de Esquerda sugeriu a Manuel Pizzaro a introdução de quotas de género nas empresas municipais que permitem o combate ao impedimento da “chegada das mulheres aos locais mais cimeiros”, como o mesmo afirma.

O candidato do PS, revela a aceitação da proposta de João Teixeira Lopes que, segundo o ele, não terá qualquer entrave, uma vez que diversos cargos de chefia da Câmara do Porto são assumidos por mulheres.

Assim como em diversos países, Portugal pretende educar as populações mais jovens para que o ponto de partida seja essencialmente a igualdade, o reconhecimento e a valorização dos diferentes géneros e sexos.
A questão não se resume apenas às mulheres quando se trata de uma humanidade que possuí direitos.