Política

OS MUROS QUE SEPARAM A HISTÓRIA

A incredulidade com que o mundo assiste à concretização da promessa eleitoral de Donald Trump de construir um muro na fronteira entre os EUA e o México, pode fazer parecer que este tipo de construções estava circunscrito ao passado. Os muros, contudo, nunca deixaram de existir.

A existência e construção de muros que impedem a livre circulação e contacto dos povos não é uma realidade circunscrita ao passado. Atualmente estas barreiras continuam a existir e, muitas vezes, com o consentimento da comunidade internacional.

Muro de Berlim

O muro de Berlim é, indiscutivelmente, a divisão física territorial mais conhecida da História e é imprescindível conhecer o seu contexto histórico para se perceber o impacto que outras divisões podem igualmente atingir.

Construído em 1961, sob o pretexto de impedir que elementos fascistas perturbassem o regime comunista, representou o expoente máximo da polarização que se vivia em pleno período de Guerra Fria.

Durante os 28 anos em que o muro dividiu a capital alemã, 200 pessoas morreram ao tentar transpô-lo e 5000 conseguiram-no com sucesso. A sua existência foi quase tão marcante como a sua queda, em 1989, já que o fim dos 66,5km de muro significou um marco e um novo paradigma social e político.

Muro da Cisjordânia

O muro da Cisjordânia começou a ser construído em 2002 e separa o território palestino e israelense. Tem por base questões religiosas, dado que os dois credos dominantes na região, o muçulmano e o judaico, reclamam, segundo os seus livros sagrados, a posse da cidade de Jerusalém.

Foi edificado à rebelia de várias instituições governamentais e de justiça, nomeadamente a ONU e o Tribunal Internacional de Haia. Se a maior parte da população israelita é a favor do muro evocando razões de segurança, a comunidade internacional considera a construção um entrave a futuros acordos de paz e defende que se trata de uma estratégia para aumentar território.

Muro de Ceuta – Espanha

A adesão de Espanha à União Europeia em 2002, e a consequente entrada no Espaço Schengen, originou um problema relativo às questões migratórias. Os territórios africanos que ainda se encontram sob domínio espanhol, Ceuta e Manila, facilitavam o acesso de imigrantes ilegais ao continente europeu, o que, na visão de alguns, podia potenciar complicações a nível de segurança interna.

A solução encontrada pelas autoridades comunitárias foi a implementação de cercas de arame farpado e lâminas numa extensão de 20 quilómetros nas duas cidades fronteiriças que simbolizam os últimos exemplos de colonialismo do Velho Continente em África.

Muro do México – Estados Unidos

Embora a construção do muro na fronteira entre os Estados Unidos da América e o México tenha sido uma das principais promessas eleitorais de Donald Trump, e uma das que mais controvérsia causou, a verdade é que a separação física entre estes dois países já existe.

Em 1994, durante a administração Clinton, começou a ser erguida uma barreira de betão, ferro e metal com 1100 quilómetros de comprimento, um terço da fronteira total, com o objetivo de parar a grande vaga de imigrantes ilegais a entrar em território norte-americano.

Muro da Hungria

O muro da Hungria, ou mais corretamente, a vedação da Hungria, marca a fronteira territorial com a Croácia, a Sérvia e a Roménia. Mais uma vez, na sua base estão questões relacionadas com o fluxo intenso de refugiados (em 2015 chegaram a entrar na Hungria 9.300 migrantes num só dia) que revelou os limites das instituições europeias e democráticas. O presidente Viktor Orbán, crítico da política de quotas criada pela EU, defende a necessidade de fechar as fronteiras alegando uma relação direta entre os refugiados e o terrorismo.