Política

CORRENTES POLÍTICAS: ANARQUISMO SOCIAL

O quinto “Correntes Políticas” aprofunda o anarquismo social, as suas ramificações e a sua relação com o anarquismo individualista.

A divisão em duas famílias distintas de ideologias anarquistas não é absoluta. O anarquismo social e o individualista não são mutuamente exclusivos, havendo diversos pontos de contacto entre estas duas áreas de pensamento. Partilham, entre outras, a postura antiautoritária, antiestatal e anticapitalista. Há, no entanto, elementos de cisão entre estes dois grupos, nomeadamente o tipo de ação que deve ser tomada no sentido de criar uma sociedade anarquista e ao nível da organização económica que essa sociedade deverá adotar.

Enrico Malatesta, teórico anarquista Italiano, sintetizou parte desta fissura como a discórdia entre “aqueles que são comunistas, são-no porque veem no comunismo livremente aceite a realização de uma irmandade, a melhor garantia de liberdade individual” e “os individualistas (…) são anticomunistas porque temem que o comunismo venha a subjugar cada indivíduo à tirania do coletivo (…) ou à parte do coletivo, ou casta, que com a desculpa de administrar as coisas, foi bem sucedida em tomar a posse do poder”.

Ao nível económico, ambas as correntes seguem a ideia base de Proudhon de que a propriedade “irá perder o atributo que a santifica agora (…) o direito de usar e abusar será abolido e a posse, uso, será o único título.” (Lucy Parsons).

No entanto, na prática estas duas correntes seguem caminhos distintos. Os anarquistas sociais são defensores da posse coletiva dos meios de produção. Quer isto dizer que fábricas, campos de cultivo, entre outros meios de produção, são geridos pela cooperativa de trabalhadores que neles trabalha. Para Kropotkin “a posse coletiva dos instrumentos de trabalho deve necessariamente trazer consigo uma alegria comum pelos frutos do trabalho em comum.”

As diversas correntes do anarquismo social comungam destes ideais, diferindo na sua aplicação prática. Podem dividir-se em três ramos distintos: anarcocoletivismo, anarcocomunismo e anarcosindicalismo.

Os coletivistas defendem o uso de um sistema remuneratório para o trabalho (um cupão de horas de trabalho, por exemplo), que poderá ser trocado por produtos e serviços de outrém.

Os anarcocomunistas advogam que se um indivíduo trabalhar em prol da sociedade, então todas as suas necessidades primárias serão satisfeitas, sem a necessidade de um sistema remuneratório. A máxima “De cada um de acordo com as suas possibilidades, a cada um de acordo com as suas necessidades” aplica-se a esta teoria.

Ao contrário das duas anteriores, o anarcosindicalismo é uma ideologia focada nos meios e não nos fins. Propõe uma organização de trabalhadores por sindicatos, sindicatos esses que seriam responsáveis pelo processo revolucionário, com vista ao estabelecimento de uma sociedade anarquista.

No próximo artigo desta série, será explorado o anarquismo individualista, as suas correntes e as características que o diferenciam do anarquismo social.