Política

CORRENTES POLÍTICAS: MARXISMO-LENINISMO

No terceiro artigo da série “Correntes Políticas”, o destaque vai para a corrente comunista mais espalhada pelo mundo: o marxismo-leninismo.

O marxismo-leninismo é uma ideologia política nascida da conjugação da doutrina Marxista com os pensamentos de Vladimir Lenine. Apesar deste termo apenas ter surgido após a morte de Lenine (cunhado pelo então líder do Partido Comunista Soviético, Estaline, no princípio dos anos 20), é indissociável da Revolução Russa de 1917. Regressado do exílio, Lenine foi um dos líderes dos bolcheviques na revolução de Outubro, um golpe de estado que derrubou o governo interino instituído em Fevereiro do mesmo ano, após a deposição do czar Nicolau II.

A revolução bolchevique é um espelho da principal faceta desta ideologia política e do principal ponto de quebra com o Marxismo: o vanguardismo. Marx e Engels haviam previsto que em breve seriam criadas condições para a revolução das massas. A fome como consequência da mecanização da indústria iria desenvolver um sentimento revolucionário tal, que a revolução seria um caminho inevitável. No entanto, estas previsões falharam. Lenine interpretou esse falhanço como fruto de uma manobra dos países imperialistas que, tirando partido das riquezas das suas colónias, eram capazes de dar aos trabalhadores dos seus países benefícios suficientes para asfixiar pretensões revolucionárias.

Lenine compreendeu, então, que a revolução não ocorreria por uma acção espontânea das massas. Propôs assim a criação de uma vanguarda revolucionária, constituída por elementos da classe proletária mais avançados politicamente, altamente comprometidos com o partido e com os seus objectivos. Este grupo seria a cabeça do processo revolucionário e o grupo de poder do pós-revolução, responsável pela instauração da ditadura do proletariado. Esta vanguarda deveria procurar tomar o poder por todos os meios necessários, o que levou à repressão de diversos grupos que depressa se opuseram à revolução e aos seus métodos, desde anarquistas a reaccionários czaristas.

Esta repressão e o centralismo democrático instaurado pelo Partido Comunista da União Soviética levaram a enormes críticas, nomeadamente dos quadrantes mais à esquerda da revolução, que viam no partido único e todo poderoso, uma desvirtuação de uma revolução que devia ser de todos e não só dos burocratas partidários que constituíam a vanguarda.

Após a morte de Lenine e a ascensão ao poder de Estaline, o marxismo-leninismo tornou-se a ideologia oficial da União Soviética. Este é um ponto de discórdia, com muitos estudiosos a garantiram uma diferença importante entre as políticas estalinistas e o marxismo-leninismo. Um exemplo das novas abordagens de Estaline a esta ideologia é a ideia do socialismo num só país. Estaline ligou esta ideia ao marxismo-leninismo, mas o próprio Lenine era acreditava que o socialismo só poderia existir numa escala internacional (tal como Trotsky).

Daqui em diante, o marxismo-leninismo tornou-se a única verdadeira interpretação prática do marxismo para o século XX. A tese estalinista era de quem sem o marxismo-leninismo a revolução não era possível. Surgem assim diversos movimentos revolucionários ligados a esta ideia.

A revolução chinesa de 1949 chefiada por Mao Tse-Tung começou por ser apoiada pelos soviéticos. No entanto, houve uma quebra ideológica entre os dois.  A União Soviética liderada por Nikita Kruschev havia procurado pacificar as relações entre o comunismo e o capitalismo, ideia inaceitável para os líderes chineses. Estes seguiam um marxismo-leninismo adaptado às especificidades chinesas, conhecido como maoísmo.

O marxismo-leninismo esteve também ligado a diversas revoluções na América Latina. O golpe de estado levado a cabo por Fidel Castro e Che Guevara em Cuba, o movimento dos Tupamaros no Uruguai dos anos 60 e 70 e a revolução sandinista na Nicarágua em 1979 são exemplos de como esta ideologia alimentou revoluções ao longo do século passado.

Após o colapso da União Soviética, esta ideologia política perdeu alguma força, sendo, no entanto, possível encontrar ainda hoje estados de inspiração marxista-leninista, tais como Cuba, Laos, China ou Vietname. Em Portugal, o Partido Comunista Português é também ele de inspiração marxista-leninista, tendo sido apoiado na sua oposição ao Salazarismo pela União Soviética.