Política

NORMALIZAÇÃO DAS RELAÇÕES ENTRE EUA E CUBA, A VIAGEM DE OBAMA

Dia 21 de março irá fazer-se história com a viagem do Presidente dos EUA a Cuba, algo que já não acontece há quase um século. Segundo o mesmo, numa publicação na rede social Twitter, viajará a Cuba para promover os esforços e os avanços dos EUA na melhoria da vida dos cubanos.
Fotografia por Andrew Harnik

Foi a 17 de dezembro de 2014 que Barack Obama, junto com o seu homólogo cubano, Raúl Castro, anunciaram o início da normalização das relações entre os dois países e no final do ano transato, Obama deixou os planos para uma eventual visita a Cuba. Barack afirma que deixou muito claro, em conversas diretas com Raúl Castro, que quer ampliar o espectro da liberdade de expressão em Cuba e segundo a Casa Branca os planos mantêm-se, sendo que vão mais longe ao declarar que um dos objetivos desta viagem é “expressar o nosso apoio pelos direitos humanos”, sendo este ainda um tema fraturante entre estes dois países, uma vez que ambos têm perspetivas diferentes sobre este tema.

Segundo informações do comunicado oficial da visita de Obama a Cuba, o Presidente dos EUA reunirá para além de Raúl Castro, com membros da sociedade civil, empresários e cubanos de todos os âmbitos da sociedade, sendo que o vice-assessor da Casa Branca para a Segurança Nacional, Ben Rhodes, foi mais específico ainda ao confirmar que Obama se reunirá com residentes da ilha.

Barack Obama chegará a Cuba, com o objetivo de consolidar o seu legado ao nível das relações entre EUA e Cuba, mas sem ainda estar previsto o levantamento do embargo sobre a ilha, que já perdura desde o início dos anos 60. Acerca deste assunto, Cuba deixou claro que não se podia falar de normalização de relações no sentido pleno do conceito, sem que se levante esse obstáculo. Ainda que o Presidente dos EUA, já tenha tomado medidas para facilitar as viagens e o comercio com Cuba, contudo para acabar com o embargo é necessário que seja o congresso a tomar essa medida, mas neste momento não parece que hajam votos suficientes a favor dos projetos de lei com o objetivo de levantar o embargo, muito menos se espera que uma medida, desta magnitude, seja tomada em pelo ano de eleições.

Segundo a secretária para o comércio, Penny Pritzker, e o ministro cubano para o comércio externo, Rodrigo Malmierca, terminaram esta quinta-feira a segunda ronda de conversações para impulsionar o comércio bilateral. E ainda que os seus comentários tenham sido positivos, no início do encontro ficou claro que ainda há muito para discutir, a par disso constatou-se que os empresários dos EUA, desde do setor do turismo ao influente setor agropecuário ou das companhias tecnológicas, não estão dispostos a perder a oportunidade de fazer negócios com uma ilha pequena, mas cheia de oportunidades.

A viagem de Obama colocará de novo o tema Cuba na campanha eleitoral. Ainda que vários candidatos, como os republicanos Marco Rubio e Ted Cruz (ambos de origem cubana) tenham criticado duramente a aproximação a Havana, o tema tem estado fora dos debates e discursos eleitorais. Este facto deve-se segundo observadores, ao facto destes candidatos serem conscientes do forte apoio da população dos EUA à normalização das relações com a ilha vizinha.

Cuba espera que durante a visita o Presidente dos EUA, Barack Obama, veja a verdadeira realidade cubana.