Artigo de Opinião

ERRO 2015: MENTE NÃO ENCONTRADA

2015 foi concebido como o Ano da Mente, segundo uma notícia do ano novo.
Já lá vão quase sete meses desde a notícia que inocentemente pôs-me como um miúdo num dia de promoção da Toys R Us. Infelizmente, mais tarde constatei que as simbologias anuais são algo mais fabulástico, do que um incentivo genuíno.
Nuno Silva
Nuno Silva

O kizomba e o pimba continuam a ser o fogo que arde sem se ver e o povo continua a meter lenha para que isso aconteça, seja nas festas da TVI ou nos metros abarrotados do Porto.

Entendo que sejamos um povo de tradições, é pena que essas tradições sejam… vá lá, um pouco buçais. É caso para dizer, ouve antes uma peça de Bach que te faz melhor rapaz…

Para um crescendo do bonjour tristesse que deveria ser coletivo, queimam-se gatos no S. João, por causa de uma tradição?? Gente, eu fui procurar os sinónimos de tradição no dicionário, e nenhum deles se intitula de psicopatia…se calhar também mudou com o novo acordo ortográfico. E assim passamos para mais uma medida de austeridade educacional, os acordos ortográficos que mudam consecutivamente. A minha pergunta para este tópico é: Se Portugal é um país tão patriota, com uma língua tão nobre, porque é que o queremos tornar num novo Brasil? Faz-me pensar no que de facto distingue os “mestres ascensos”, que controlam as decisões do país, e a carneirada das EB2/3 que fazem algo, porque o miúdo popular também o fez e, infelizmente, para mim, parece-me que a diferença são meia dúzia de certificados e um vocabulário mais erudito para disfarçar a sua burrice interior.

As pessoas são a influência do seu playground e o este é a ascendência de uma força não visível e abstrata. Há quem chame de Deus, eu chamo-lhe de sistema político, burocrático, educacional, etc. Somos cães que ladram no canil, onde as janelas dum futuro melhor são postas acima do nosso espectro visível. Somos pássaros numa gaiola maior, onde nos ensinaram que voar é errado, blasfémico. Acima de tudo, somos crianças que cresceram para cumprir tarefas, sem um porquê que faça sentido. Somos computadores formatados da nossa essência: “arranja um emprego, sê parte da norma, isto é a tua casa, tu és uma célula deste império, tu és um soldado entre generais, ganha dinheiro, ganha dinheiro ou serás inútil, junta-te ao sistema, mata-te de trabalho, suicida a tua mente”. Eis a condição humana. Adolf Hitler, Jim Jones, Vladimir Putin têm todos algo em comum: foram protótipos dum sistema demente…

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