Artigo de Opinião

CIVISMO

João Paulo
João Paulo

Dei por mim a refletir sobre o significado que a palavra civismo tem, terá, ou deveria ter para o comum dos mortais e, após algum tempo, cheguei à triste conclusão que esta palavra e, por conseguinte, o seu sentido terá abandonado o vocabulário de muitos.

São muitas as vezes que podemos observar carros estacionados ocupando dois lugares ou no lugar dos deficientes e mesmo em cima de passadeiras. Alertar os infratores, observando a possibilidade de o ato desrespeitador ter sido por lapso ou descuido, é arriscar a verbalização do insulto e, no extremo, a agressão.

Mas se os carros são dos aspetos mais visíveis ou mais facilmente observáveis, existem outros igualmente invasores do espaço público, como é o caso das concentrações. Frequentemente temos de descer passeios ou dar a volta ao bilhar grande, porque os amigos ou os familiares se encontraram no passeio para debater sabe Deus o quê, esquecendo-se que estão a impedir a livre circulação dos demais. Felizmente, lá vamos conseguindo a sã convivência de peões e veículos e as invasões momentâneas da rodovia não têm resultados dramáticos.

Não vai assim tanto tempo desde que alguém me respondia perante uma observação minha:

– É fim-de-semana, já chega policiar-me durante o resto da semana!

E pronto. Que fazer perante isto? Perante a ideia de alguém que acha que ao fim-de-semana o respeito pelo outro entra em descanso? Afinal parece que o respeito tem hora marcada e ao fim-de-semana está de folga.

Triste viver numa sociedade que esquece com grande facilidade que o outro na verdade somos nós. Certas pessoas deviam calçar os sapatos do outro e assim teriam mais consciência do mau andar que eles dão.

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