Artigo de Opinião

EDITORIAL: SIM, ESTAMOS DE VOLTA

A antiga redação

Há dois anos a crise bateu à porta do Jornal Universitário do Porto. Dois anos depois da última edição impressa, estamos de volta. Foram 730 dias de batalhas, propostas para apoios, contactos e bastantes frustrações. Valeu a pena? Valeu pois.

No entanto, uma nota. Embora não tenha visto a luz do dia, o JUP chegou a fazer a edição de Maio de 2012. Era uma edição especial para todas as pessoas envolvidas, e foram muitas mais pessoas: em colaboração com o Mestrado em Ilustração e Animação do Instituto Politécnico do Cávado e do Ave a edição era toda ilustrada. Deu imenso trabalho, principalmente a quem se dedicou à ilustração das peças, e esse trabalho não foi recompensado, ao serem distribuídas as suas dez mil cópias.

O passado lá vai. Diz o Jorge Palma que a gente vai continuar. É verdade, vamos então ao futuro.

Neste regresso, marcamos uma nova vida para o JUP: além de quatro edições imprensas, agora podes seguir diariamente a versão online, em juponline.pt

Temos noção que não é um passo a ser tomado de ânimo leve. A responsabilidade é maior e precisamos de mais pessoas. Mas tendo como objectivo levar o trabalho produzido na nossa redação ao máximo número de pessoas, é um passo que tem de ser tomado. Peca por tardia, disseram algumas pessoas. Talvez. Será desta, perguntaram outras. É mesmo desta vez.

O que assumimos é que este jornal mudará um pouco, principalmente nos seus conteúdos. O tempo entre edições permite-nos ter ambição, pensar um pouco mais alto e ir mais fundo. É essa a proposta. Queremos um jornal para os estudantes do Porto que lhes dê algo que achamos fazer falta. Podemos chamar “caçar histórias”, inspirado na entrevista à Vanessa Ribeiro desta edição. Levantar a poeira, “ir à procura de resgatar memórias”. Dizer algo que não o costumeiro, fazer o que não se conseguiu fazer antes e pensar em novas ideias. Não só na escrita, mas também na fotografia e na ilustração. Este retorno, esta edição, é um primeiro ensaio dessa nova linha.

E por isso o nosso destaque de regresso é sobre os 25 anos da Federação Académica do Porto. Não sobre como a actual direção pensa comemorar o feito, aliás isso não seria possível porque o seu Presidente não atendeu ou respondeu a qualquer chamada ou mensagem que o JUP lhe endereçou. A peça é sobre quem é a FAP. Quem são os ex-presidentes, as 16 pessoas que falaram por 60000 estudantes. O que fizeram depois de acabarem os seus mandatos. Que acham dos percursos dos colegas quando olhados em conjunto. As juventudes partidárias têm ou não influência nas suas decisões. Existem conflitos de interesse ou não. Factos e história, foi aquilo que procurámos, e é o nosso destaque.

Sobre Educação fomos perguntar a quem está no Conselho Geral da Universidade do Porto qual é o seu propósito. Porque os estudantes ligam pouquíssimo quando chega à hora de eleger os seus representantes? Saberão que as propinas foram aumentadas no ano 2010 numa votação que deu empate, tendo sido decidida pelo voto de qualidade do seu Presidente? Saberão que a única falta injustificada a essa reunião foi do Luís Rebelo, ex-presidente da FAP?

Quantos alunos da Academia do Porto conhecem as ilhas do Porto? É esse o desafio da secção de Sociedade. Falar com as pessoas da Ilha da Bela Vista e conhecer o projecto de reabilitação que está a decorrer, a ver se é desta.

Em que Europa vivemos e quais são os seus desafios? Quais são os seus perigos? Falámos com a Professora Teresa Cierco para nos dar algumas indicações e alguma informação sobre o que se passa na Ucrânia, se é de esperar que esta situação se repita com a Moldávia e a Geórgia. A situação actual da Bósnia-Herzegovina, qual é?

É esta a vontade deste jornal. Aliás, sejamos justos. Sempre foi. Um espaço crítico, de aprendizagem mútua e que quer aprender. A diferença é que acumulámos dois anos de ideias.

Mas agora, sim, estamos de volta.

Publicado no jornal de Março de 2014

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