Artigo de Opinião

TÁXIS SIM, UBER TAMBÉM!

Há cerca de dois meses queria ir para a estação de Campanhã e chamei um Uber. O motorista sugeriu deixar-me nas traseiras, uma vez que “era uma zona perigosa” e um colega seu fora atacado lá. Na semana passada, os taxistas foram para a rua manifestar-se e não um, mas vários motoristas e clientes Uber foram atingidos com ovos e pedras, bem como as suas viaturas.

Lembro-me de sempre me ensinarem que com certas atitudes podíamos perder a razão e creio que é o que tem vindo a acontecer com os taxistas em Portugal. Entendo que não seja fácil lidar com concorrência tão forte numa área que até há bem pouco tempo era só sua, no entanto a violência não deve ser a resposta.

Sinto-me confortável a viajar de Uber, mas, sobretudo, segura. Sei quem é o motorista que me está a levar ao meu destino, esse registo fica na minha conta e posso escolher a rota que quero. O preço é outro fator agradável, porque não se paga uma taxa de quase 4 euros e é possível viajar mais barato. Além disso, é possível acompanhar o percurso no telemóvel e se a rota não nos parecer a mais favorável só temos que o comunicar ao motorista. Não se paga nada por levar bagagem na mala, é possível fazer estimativas de preço para não ter surpresas, e os recibos da viagem vão diretamente para o e-mail. A simpatia dos motoristas é de louvar – são capazes de tornar o nosso dia melhor apenas com um sorriso, com um “quer que mude de música?” ou com um simples “quer que desligue o ar condicionado?”. Os motoristas da Uber preocupam-se com o nosso bem- estar e eu gosto disso.

Não quero atribuir culpas a ninguém, mas acredito que seja necessário acalmar os ânimos e agir. Os taxistas devem melhorar os seus serviços. São poucos os negócios que não têm concorrência. É algo que acontece naturalmente e o processo a seguir é melhorar a qualidade dos nossos serviços para conseguirmos fazer frente aos concorrentes. Acredito que é por aí que os taxistas devem ir. Fazer marchas anti-uber onde se magoa pessoas e danifica viaturas não é uma ação, é antes uma reação desnecessária.

Por outro lado, a Uber não é senhora da razão nesta história. Ainda há mitos de que a sua sede é na Holanda e, assim, não paga impostos em Portugal, daí ser possível oferecer aos clientes serviços a um preço tão baixo. E como agir perante informações deste género? Ser transparente e  mostrar as coisas como realmente são. Só assim será possível conseguir a confiança de todos.

Não acho que seja necessário acabar com a Uber e muito menos com os táxis. Acredito que é possível o negócio dos táxis atualizar-se e conseguir oferecer aquilo que um cliente em 2016 considera essencial: conforto, simpatia, bons preços e claro, wi-fi. Por isso, táxis sim, mas Uber também!