Artigo de Opinião

A ORIGEM DO MAL

Vídeo por João Pedro Figueiredo

Perdemo-nos tantas e repetidas vezes em questionamentos sobre o porquê das coisas, sobre o porquê do ser, sobre o porquê das sociedades. Mais do que nos desencontrarmos em devaneios metafísicos, torna-se hoje imperativa a questão do porquê da origem do mal.

Todas as grandes crises humanas, económicas, políticas e morais encontram a sua origem no mesmo centro: a liderança. Antes de operacionalizarmos o conceito, propomos uma incursão histórica sobre a liderança. Numa primeira fase, os estudos sobre a liderança debruçaram-se essencialmente na análise dos traços de personalidade de grandes líderes. Num segundo período, e no que concerne ao contexto português e àquilo que foi o período Salazarista, a liderança assumiu uma conotação particularmente negativa. A liderança era associada a uma figura autoritária, capaz de condicionar negativamente a liberdade individual. Esta abordagem possuiu consequências claras nos primeiros períodos da consolidação democrática portuguesa, advogando-se a impossibilidade de compatibilizar a ideia de liderança com democracia. Hoje, retoma-se o interesse pelo estudo da liderança, considerando-a inclusivamente necessária às democracias.

O líder, seja político, familiar, profissional, do setor público ou privado, é neste espaço entendido como o agente com capacidade de decisão, mobilização e influência. No centro daquilo que entendemos por liderança encontra-se a dimensão ética. Por valor ético entenda-se simplesmente: a vontade incondicional de cultivar amor. Assim, liderar é orientar o outro para as várias possibilidades que façam de si um ser auto-realizado. Liderar não consiste numa apropriação dos espaços privados e íntimos, liderar é orientar o outro para os caminhos do auto-conhecimento. O líder é fonte de amor incondicional e simplesmente demonstra aos indivíduos como podem ser a sua própria fonte de amor.

Porque é que identificamos então a liderança na origem dos males da sociedade? Os líderes são agentes com influência suficiente para moldar os indivíduos. Se refletirmos sobre aquilo que é a nossa realidade prática, verificamos que os líderes decidem as tendências da moda, decidem se havemos de implementar uma vaga de democratização do ensino superior, se as mulheres hão-de ter espaço no mercado de trabalho, se havemos de adoptar um modelo de Estado Social ou de Estado de Mercado. Não ignoramos desta análise o facto do indivíduo poder escolher renegar estas imposições. Simplesmente aqui afirmamos existirem tendências fortes e que nos podem orientar inconsciente ou conscientemente para determinadas direcções.

Os males das sociedades até aos dias de hoje explicam-se pela ausência de líderes! Verdadeiros líderes! Se os nossos líderes não são líderes de si próprios, quanto mais dos que os rodeiam? Os nossos líderes ensinam-nos a arte da submissão, da estagnação, da inércia de pensamento, da estupidez, do culto da imagem e da mente. Na verdade, os nossos ditos queridos líderes desconhecem a arte de liderar. Supõem-nos como subservientes e conduzem as nossas vidas sem consideração à nossa liberdade e dignidade.

A única forma de avançarmos para estágios de desenvolvimento intelectual e espiritual iluminados é fazermos dos nossos líderes verdadeiros espelhos daquilo que queremos ser! E para isso precisamos primeiramente de reconhecer o nosso poder de liderança! Eu sou líder de mim mesmo! Eu defino a minha vida, assumo a minha responsabilidade, eu participo, eu sou consciente. E isto significa munirmo-nos de todos os instrumentos democráticos existentes para dizermos adeus às lideranças de hoje.