Devaneios

SOBRE POESIA SENTIMENTAL

Diz me outra vez, tal como nas tão nossas noites ébrias à lareira com um copo de vinho tinto na mão, um cigarro na outra e livros de poesia na mesa, sentados naqueles velhos cadeirões, o quanto gostas de me observar a escrever à janela, com o olhar a vaguear pelo jardim de lírios, gladíolos, tílias e camélias Conta-me o teu dia, cada caminho cada rosto que vislumbraste. Conta-me as histórias que cada face, cada olhar te contou sem soltar uma palavra. Conta-me como cada expressão te contou uma história e a pintaste no teu bloco de rabiscos, e já ouves a melodia nos teus pensamentos para a acompanhar e eu conto-te o quanto gosto de te ver com a guitarra na mão, a caneta entre os lábios, perdido entre os rabiscos do teu bloco, essas histórias que contas porque alguém algures te cativou. Conto-te o quanto gosto quando vais até à varanda com um cigarro na mão e ante o horizonte murmuras uma melodia que ganha vida nas cordas da tua guitarra, nesse cadeirão onde agora te sentas, e eu ao longe admiro a beleza do uníssomo que tu e a tua guitarra tomam forma nesse instante. Conto-te tudo o que gosto em ti e conto-te o quanto gosto de ti.