Devaneios

MAIS UM POUCO

Como é aterrador o medo de viver. Como me atormenta essa coisa da experiência. Viver com emoção, paixão, entregar-me ao que a vida tem para me oferecer. Vivo com estas correntes autoimpingidas. É um sofrimento atroz ao qual me sujeito. É disto que é feito o meu ser e o meu estar. De uma tremenda e rotineira luta contra as minhas preocupações e apoquentações.

Sou vítima de mim mesmo e um sacana de primeira. Espezinho-me porque quero. No entanto, tenho que considerar as circunstâncias que estão por detrás deste receio. O que é isto? Porquê tudo isto? Há mais para além deste meu mero registo de hesitações, certo?

Começo a compor um histórico que será motivo de estudos pela parte dos outros e de risos por parte de mim num futuro longínquo. Serão consideradas preocupações parvas e infundadas. Todavia, lido com o presente. Um presente que sou eu a criar e que está sob a influência do regador que trago comigo para todas as bandas com as quais atuo.

Vou na onda desta melódica música que insiste no que me apoquenta. Por um lado, gosto de saber expressar o que sinto e de reforçar o que me vai na alma. Por outro, não gosto do que lá vai e do que tenho para expressar. É uma dicotomia que me deixa exausto. É sem forças que me despeço de cada dia. Desgastado e conformado com o meu destino me assumo como um esbanjador de dias.

Tenho os meus próprios combates e as minhas aventuras internas, pensando eu que isto é suficiente. Não é. É mais aquilo que deixo passar do que aquilo que dou como vivido. Será isto suficiente? Será isto motivo para ser complacente?

É por estas razões que me considero um eterno adolescente. Ansioso por viver, vejo os meses a passar de forma inocente. Continuo assim nesta ilusão crescente, disposto a me lançar numa oportunidade iminente.