Devaneios

CARTA DE 11 DE MAIO DE 2026

Por detrás desses olhos cheios de sonhos e dessa ânsia de conhecer e conquistar o mundo, eu sei quem verdadeiramente és e como te sentes. Estranho, não achas? Esta sensação ser tão familiar a qualquer um dos mortais. É aquele sentimento de insatisfação, aquela impressão de que no fundo és incompleto.

Não sabes o que é, não consegues descrever o que estás à procura porém, tens a certeza absoluta que o irás identificar quando encontrares. Sabes que será nesse momento que todas as peças deste puzzle começarão a fazer sentido. Sabes, mas não sabes como é que o sabes. Apenas sentes.

Mas afinal, o que é que te move? A esperança de que irás encontrar o que te falta? E se isso nunca acontecer? Terá sido todo o teu esforço em vão? Será mesmo o destino mais importante que a viagem? Já paraste para pensar sobre o que te rodeia? Já paraste para analisar aquilo que tens e descobrir o seu valor? Tudo é efémero, não te esqueças! E tomas como garantido todos os momentos que depressa se transformam em instantes desvanecidos pelo tempo, o que não devias. Então, pondera começar a praticar o Carpe Diem.

Nada é realmente teu. Não tentes agarrar aquilo que não te pertence nem manter contigo quem não tem vontade de tal. Não julgues ninguém. Por mais que uma atitude te possa parecer errada. Tu não sabes quais foram as situações que culminaram nessa consequência. Tu não sabes se atuarias de maneira diferente. Continua essa demanda, estás no bom caminho. Não tenhas medo de cair. Vê isso como a hora de te reergueres como a melhor versão de ti próprio.

A ironia deste texto está no facto de isto ser uma carta destinada ao meu Eu Passado, a quem eu costumava ser, de forma a tentar evitar alguns infortúnios que fiz. Mas, a verdade é que se eu não tivesse sido essa pessoa, não seria quem sou hoje. A vida e a nossa personalidade demarcam-se por oportunidades, mesmo aquelas que perdemos e, muito mais, pelos erros que cometemos. Não pretendo, portanto, mudar o que fiz, aceito e compreendo que foi necessário para aprender o que precisava de aprender.

E é este pensamento que te quero transmitir. Tudo foi preciso, nada foi ao acaso. Aceita aquilo que não podes mudar e que tenhas força para mudar aquilo que podes. Tu és feliz, só espero que não o percebas tarde demais!

Portanto, a ti, Catarininha, só queria dizer que te amo e que estou muito orgulhosa de quem és. E espero voltar a receber uma carta de um Futuro Eu, com ainda melhores conselhos e compaixão!