Crónica

CONTA-ME COMO É… SER TRIPEIRO

Ilustrações de Inês Martins.

como ser tripeiro2_Ines Martins_FinalO Porto é desde 1996 considerado património mundial pela UNESCO. “É a pronúncia do Norte“. Mas o que o torna assim tão especial?

O Grande Hotel do Porto milita na Invicta desde 1880, tendo recebido figuras históricas como D.Pedro II, D.Teresa Cristina e o Príncipe de Gales Eduardo VII, músicos como Lou Reed, Roberto Carlos ou a banda Ramones, e ainda figuras portuguesas de destaque como Eça de Queirós, Simone de Oliveira, Pedro Abrunhosa, Jorge Nuno Pinto da Costa, entre outros. Recebendo turistas de todo o mundo, António Lopes, gerente do hotel, traça-nos um perfil de um tripeiro típico, assim como nos fala dos encantos e de algumas fragilidades da cidade.

“O tripeiro é amigo do amigo, é leal, trabalhador e direto”, características que se revelam na cultura portuense, e que, na opinião de António, culminam nos dois grandes marcos da cidade: o Vinho e o Futebol Clube do Porto. A escola de Arquitetura é ainda valorizada, possuindo “muita tradição” e que trouxe “enormes talentos como Souto Moura e Siza Vieira”. Ainda no âmbito educacional, destaca a Universidade do Porto por proporcionar uma boa formação para os estudantes portugueses, e por ser também uma referência na Comunidade Europeia, razão pela qual “cada vez mais estudantes procuram fazer ERASMUS no Porto, devido ao seu prestígio “.

Por estar ligado ao ramo turístico, afirma que a eleição de 2001 para a Capital Europeia da Cultura foi determinante para o crescimento de turistas que visitam a Invicta, considerando-a “mais cosmopolita” que no passado, daí que já não seja vista como uma cidade propícia ao turismo de negócios, mas sim ao de lazer. “As mentes estão mais abertas que no passado”, assegura.

Em 2014 foi considerado pela segunda vez o Melhor Destino Europeu,  mas António lamenta o facto de não existirem mais símbolos culturais além de Serralves e da Casa da Música, ideia já assimilada por “quem nos visita, uma vez que procuram a Baixa, a zona antiga, em vez da Boavista que tem sido modernizada. É necessário promover (ainda) mais a cultura”. No entanto, considera que o Porto é, sem dúvida, uma cidade muito interessante de se conhecer, e que num dia se conhece bastante: “Em 24 horas, pode-se conhecer a essência da cidade. Locais como o Palácio da Bolsa, Serralves, a Casa da Música, a Ribeira e a Baixa mostram um pouco da nossa história”

Ainda que seja necessário “Procurar caminhos novos para andar“, António acredita que o Porto “valoriza a liberdade e une-se nos momentos difíceis”, utilizando a célebre expressão de que os portuenses “fazem das tripas coração” para ultrapassar todos os obstáculos.

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