Crónica

CONTAGEM DECRESCENTE PARA ME VOLTAR A DEITAR

(06:40h)

Ouve-se no quarto o despertador a vociferar aquela habitual musiqueta manhosa. Nós, na típica insubordinação matinal, desligamo-lo, bocejamos e viramo-nos para o outro lado.

(07:45h)

De repente, abrimos os olhos e perguntamo-nos se ainda não estará na hora do despertador tocar (obviamente esquecidos da sequência sonâmbula anterior de acordar-desligar o malfadado-voltar a dormir). Quando nos apercebemos que estamos a acordar uma hora mais tarde do que o suposto, o que se segue é uma correria desenfreada a tentar apanhar o cabelo de forma a que não pareça que acabamos de sair da cama (à espera que os nossos amigos achem simplesmente que optamos pelo look desgrenhado/irreverente) .

Evidentemente, não temos tempo para tomar o pequeno-almoço com a calma desejada e em dias que começam com o pequeno almoço estragado, devia poder fazer-se reset.

(08:20h)

Numa corrida aparvalhada e com o casaco a cair-nos dos ombros lá conseguimos apanhar o autocarro apinhado de gente. E, apesar de só querermos os nossos fones e que a viagem passe depressa, reparamos que nos esquecemos dos fones em casa e que os semáforos também se esqueceram que existe o verde.

Claro que os restantes maldispostos, que também acordaram com uma hora de atraso e só comeram um iogurte ao pequeno-almoço rezingam alto e bom som dentro do autocarro, sem qualquer tipo de respeito pelo nosso mau humor e falta de paciência.

Repito e acrescento que, depois de um pequeno-almoço estragado e uma viagem de autocarro mal passada seria muito mais saudável dar o dia por encerrado.

O resto do dia dispensa descrições: passamo-lo entre bocejos, revirares de olhos a comentários aparentemente inofensivos e uma vontade tremenda de voltarmos a enfiar-nos entre os lençóis.

(23:00h)

Finalmente, quando nos deitamos, só rezamos que no dia seguinte, tal grounhog day, não aconteça tudo de novo.

 

(Escrito ao som de “Bang Bang” de Lawrence Taylor)