Crónica

PRECOCES POLITIQUICES

Sou um recém-chegado a estas lides da política. Um recém-chegado no sentido em que sou um prematuro pensador da sociedade como um todo. Ora, é na discussão e na deliberação das questões sociais que urgem que assenta a política. Dentro da sociedade, é preciso averiguar o papel de um país como instituição e geografia, o papel das contas e das economias e o papel das artes e das culturas.

Neste sentido, acompanho com algum desânimo a forma como se discute política neste país. Talvez, e que me perdoe a minha ignorância, não seja só por aqui. Talvez pelo mundo fora assim seja. O alarme dispara quando vejo que se discutem mais egos do que ideias, mais grupos do que medidas, mais passado do que presente. Discutem-se os históricos manchados e demais caprichos que acabam por ser prescritos ou esquecidos por uma justiça que talvez não saiba fazer jus à verdadeira aceção. Outros contos para outros episódios.

Ainda na política, mastiga-se a partidocracia. Grupos que partilham linhas ideológicas consonantes com uma dada orientação política. Os mesmos grupos que pugnam pela prosperidade e equidade da sociedade. Porém, vislumbra-se algo mais. Essencialmente, e em termos concretos, a sensação que entra em discussão é a de que importam mais as ideologias do que as necessidades. Trata-se de uma série de duelos paralelos para os quais a sociedade não tem paciência. Escaramuças de guerrilhas que ficaram no histórico de outros agrupamentos.

O alarme dispara quando os partidos se entregam à mesquinhez. Uma mesquinhez que faz dominar em ato de deliberação uma cansativa contenda. Sem vencedores mas com muitos provocadores. Pirómanos de toda a variedade. Uns mais cínicos e que se revestem pelos fatos cuidados e escorreitos. Outros mais impetuosos e que deixam que a emoção dite a rota da intervenção. Partidocracias que se tornam cada vez mais desdenhosas quando somente uma parte do tempo útil é usada para questões realmente oportunas e valiosas.

Volto a reforçar o caráter rarefeito com o qual descrevo isto. É o que este sentido de novidade me suscita. Uma racionalidade de quem vê tudo isto de fora mas com laivos de alguma irreverência quando as fontes não deixam enganar e acabam contrapostas por argumentos ocos e vazios. É assim que vejo a política. Uma partidocracia com muitos vazios por se preencherem. Vazios repletos de um ar irrespirável onde predomina o tal cheiro de napalm. A racionalidade é militante por aqueles que pensam criticamente a vida e a sociedade e menos por aqueles que lutam pela vitória da ideologia e do distintivo. É a racionalidade de um cracia qualquer por se identificar, mas que beneficiaria em ficar.