Crónica

ESPERA, TU ESPERAS BEM

Foi setembro. A escola começou, voltamos ao trabalho e, eventualmente, muitos de nós voltaram aos transportes públicos. Foi setembro, o mês em que, inevitavelmente, não conseguimos escapar a burocracias. Foi setembro e esperamos mais do que nos outros meses.

Vamos determinar que esta é a história da Maria. Se é preciso ir renovar a assinatura do passe, a Maria não escapa a ter de ir à secretaria da sua escola/faculdade/outro estabelecimento de ensino pedir aquele papel que lhe dá um desconto jeitoso na mensalidade. Vai lá e espera para ser atendida. Contudo, antes a Maria teve de fazer uma candidatura para conseguir esse desconto. Esperou que os pais lhe dessem todos os documentos que precisava e esperou naqueles sítios todos cheios de papelada que todos conhecemos e conseguiu. Quando já tinha o papel que precisava para ir renovar o passe a Maria teve de esperar na loja Andamos e digamos que esperou bem. Não vamos dizer que a Maria esperou, porque deixou tudo para a última, a Maria teve azar e também foi setembro, toda a gente esperou como e com a Maria.

Quando sabemos que o nosso dia reserva uma dessas aventuras repletas de filas, senhas, declarações e tantos outros papéis que arranjamos e que nem sabíamos que existiam, há a necessidade de engendrarmos todo um plano quase ao nível de um agente secreto. Só que no nosso caso, a missão não é nada secreta e existem mais mil marmanjos a tentarem fazer o mesmo. A Maria planeou as horas que tinha de sair de casa para apanhar as horas de menos povo em todos os lugares a que teve de ir. Viu os horários dos autocarros, da secretarias e dos outros estabelecimentos todos como nunca. A Maria eventualmente conseguiu tratar de todos os assuntos, mas esperou e esperou bem.

Ainda bem que foi setembro e outubro já está aí para o conforto de comer castanhas com uma manta nas pernas. Mas, eventualmente, teremos que esperar que elas assem.