Crónica

PORTO (MEU E TEU)

A cidade está cheia. Cheia de portuenses, de turistas, de empresários, de peregrinos, de quem apenas passa. Cheia de música, de concertos, de teatro, de espetáculos, de arte de rua, de tudo o que a aposta na cultura permite.

O Porto já não é só de quem lá vive, mas de todos os que lá vão parar. “A cidade vai perder a sua pacata vivência”, há quem diga, “se é que já não perdeu”. “Qualquer dia são só turistas”, lamentam alguns dos nascidos e criados. “Nós não vamos conseguir ficar.”

Mas nem só de lamentos vive esta nova realidade. Existe o agrado e a satisfação de muitos, que se sentam nos bancos dos jardins ou nos tão nobres cafés centenários, a ver a cidade respirar e a mostrar com vaidade a sua beleza.

A cidade está cheia. Sim, está. Tão cheia que sacode o pó dos anos passados e se estica como se outrora num baú estivesse fechada e bem acomodada. É vê-la correr pela Europa e pelo mundo fora, acenando às cidades mais cobiçadas. Mostrando o valor que se esconde por detrás da humildade das suas gentes. É vê-la a arranjar-se, a pintar as fachadas e a cuidar dos espaços verdes. Vejam como trata os seus e quem chega, sem distinção, sempre de braços abertos.

Nada pode ficar confinado a limites para sempre. Nem alguém, nem a arte, nem uma cidade. Não é preciso temer a entrada de quem não é de cá, nunca fomos esse tipo de povo. Somos os que dão beijos e abraços sem conhecer, quem empurra o carro de alguém que está sozinho no meio de uma ruela, os que não dão indicações, mas que levam as pessoas onde querem ir. Quem abre as portas de sua casa a um viajante perdido ou sozinho e lhe dá uma cama e uma refeição, só porque é a coisa certa a fazer.

A cidade está cheia. Sim, está. Está cheia de muitas coisas, mas, principalmente, está cheia do orgulho de quem faz a cidade. Por isso, que cheguem mais, que nos visitem, nos sorriam, nos elogiem. Ensinem-nos o que ainda não sabemos, mostrem-nos o que não conhecemos. Não passem por cá à espera de não fazer amigos, há sempre um amigo que fica da Invicta. Ou um amor, ou uma família.

O Porto é mais que um lugar e, por isso, ele é de todos os que se deixam maravilhar por ele e que não ficam indiferentes ao que a cidade pode fazer por cada um que a visita.

Porto, meu e teu.