Crítica

PARTY SLEEP REPEAT: PARA LÁ DA MÚSICA

 

Estivemos em São João da Madeira, no passado sábado, dia 22, a fazer cobertura do Party Sleep Repeat: um festival que é mais do que aquilo que aparenta. Estivemos à conversa com Tiago Valente dos Santos, presidente e fundador da Associação Luís Lima, que nos contou que o PSR é sobretudo um hino à amizade e à vida. O festival surgiu para festejar a vida de Luís Lima, falecido aos 23 anos. A organização e algumas das bandas são amigos do Luís o que torna o festival algo de (ainda mais) louvável pela iniciativa tão bela a qual assistimos da união dos seus amigos em memória de alguém que perderam.

 

O cartaz anunciava já um grande dia pela frente e o pontapé de saída dos Sunflowers não desiludiu. A banda do Porto foi responsável por um concerto frenético perante um público que ainda estava morno. O público aquecia enquanto os Toulouse tomavam o palco, seguidos dos espanhóis Baywaves.

 

O ambiente entre o público era de grande expectativa pelo cabeça-de-cartaz, The Legendary Tigerman mas sobretudo um sentimento de celebração de amizade e laços humanos pairava no ar. Sentíamo-nos como que numa celebração de um aniversário daquele nosso amigo tão querido em que toda a gente se conhece ou quer conhecer e partilhar cada momento e não mais esquecer aquele dia.

 

Foi com filhos de São João da Madeira que começou a noite. Prana abriram o palco principal com uma mistura de músicas já conhecidas e de material novo e electrizaram o espaço como só eles sabem fazer. Seguiu-se Marvel Lima e Riding Pânico e a expectativa para o homem-tigre era cada vez maior. Já se madrugada chegou o momento de The Legendary Tigerman subir ao palco e a procura de palavras para descrever o concerto começa a ser vã. Fico-me por «21st Century Legendary Rock n Roll».

 

Nunca antes um evento me tinha tocado de forma tão profunda como o PSR. Conviver com pessoas que ano após ano tornam este evento possível e poder testemunhas o ambiente de afecto e amizade que paira no ar a cada segundo é algo que levarei comigo para a vida. Passamos tanto tempo à espera da confirmação dos nossos artistas favoritos e dos já tão famosos festivais de verão que acabamos por descuidar eventos como estes que nos fazem sentir verdadeiramente humanos. O dinheiro da venda dos bilhetes segue para a Associação de Jovens Ecos Urbanos, como já tem acontecido nas edições anteriores, e para a Liga Portuguesa Contra o Cancro, com o intuito de ajudar no financiamento de trabalhos de investigação.

Momentos de poesia humana a repetir em 2018. Obrigada, São João da Madeira!