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Miguel Milhão: Prozis e Contras

Na passada terça feira, 28 de junho, o fundador da marca Prozis, Miguel Milhão, tornou público um episódio do seu Podcast “Conversas do Karalho”, que tinha como objetivo esclarecer a sua posição perante o tema do aborto, uma vez que foi alvo de críticas após uma publicação que fez na rede social LinkedIn.
Por Inês Ribeiro

Depois da revogação do Direito ao aborto nos Estados Unidos e o polémico caso da atriz brasileira Klara Castanho, o tema do aborto tem sido debatido mundialmente. Muitas pessoas expressaram as suas opiniões nas redes sociais, tal como aconteceu com Miguel Milhão. O CEO da Prozis escreveu o seguinte: “It seems that unborn babies got their rights back in USA! Nature is healing!” (“Parece que os bebés por nascer recuperaram os seus direitos nos EUA! A natureza está a curar-se!”). Como já seria de esperar, várias pessoas revoltaram-se contra a frase utilizada, por acharem que esta expressa uma opinião errada e que apoia um retrocesso na sociedade norte-americana.

No séc. XXI é de admirar e lamentar a existência de retrocessos. Eu, enquanto mulher, sinto-me triste por saber que o direito ao aborto ainda é negado em várias culturas. Isto significa que existem várias mulheres pelo mundo que são sujeitas a práticas perigosas para provocarem o aborto, por não terem possibilidades financeiras, condições emocionais, ou porque aquele bebé foi gerado por um crime abominável, que será sempre relembrado.

Miguel Milhão tem o direito de expressar a sua opinião, como todos nós temos, contudo, enquanto líder de uma grande marca devia saber que as redes sociais, hoje em dia, são tribunais públicos, onde se julgam opiniões e comportamentos. Miguel Milhão provavelmente sabia que a sua marca iria sofrer consequências, pois as pessoas estão cada vez mais informadas e procuram saber quais são os valores das organizações.

A publicação até podia ser eliminada, o fundador da Prozis poderia ter tratado o assunto de outra forma, poderia até ter sustentado a sua opinião sem agressividade. Miguel criou um podcast apenas para o público interno da prozis, designado “Conversas do Karalho”, mas tornou-o público para conseguir falar sobre toda a polémica que se estava a gerar. Podia ser uma oportunidade para lamentar toda a repercussão que a sua frase estava a criar, mas isso não aconteceu, tornou-se um discurso de ódio contra quem não concorda com ele, foi um discurso de superioridade que não demonstrou qualquer arrependimento pelas consequências que a marca pode sofrer, dizendo até que a Prozis não precisa de Portugal.

Foram várias as influenciadoras que recusaram voltar a trabalhar com a marca devido a esta polémica, como por exemplo: Jéssica Athaide, Marta Melro, Diana Monteiro, entre outras. Miguel Milhão afirma que a marca não tem nada a ver com as suas opiniões pessoais, mas é a Prozis que está a sofrer as consequências.

Será este um assunto que irá prejudicar a marca a longo prazo, ou será esquecido daqui a 2 dias?

Artigo da autoria de Inês Ribeiro