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A realidade dos estereótipos e dos rótulos

Na sociedade, composta por seres humanos com visões diversificadas do mundo, é inevitável existirem estereótipos de um grupo para outro, uma vez que o ato de estereotipar e de criar rótulos é inerentemente humano. Contudo, não é por ser um ato característico do ser humano que a criação de estereótipos não é prejudicial para as relações sociais.
Por Joana Leite

Na sociedade, composta por seres humanos com visões diversificadas do mundo, é inevitável existirem estereótipos de um grupo para outro, uma vez que o ato de estereotipar e de criar rótulos é inerentemente humano. Contudo, não é por ser um ato característico do ser humano que a criação de estereótipos não é prejudicial para as relações sociais.Segundo a definição da palavra no dicionário, o ato de “estereotipar” significa “formar uma ideia generalizada, preconcebida e redutora sobre uma pessoa, coisa ou situação”. Tendo esta última parte em conta, os estereótipos, também referidos como “rótulos sociais”, podem agravar a segregação já existente na sociedade, especialmente de minorias. Mas será que é fácil desconstruir este conceito?

Em termos técnicos e científicos, os estereótipos existem como uma forma de simplificar a vida e a sociedade, uma vez que permite diminuir o tempo que ocupamos para processar uma situação. Contudo, é defendido por muitos especialistas que, apesar de nem todos os estereótipos serem criados com a intenção de ferir, eles geralmente são mais negativos do que positivos. A pergunta que surge invariavelmente é “porquê?”. Na realidade, um estereótipo põe um indivíduo ou um grupo dentro de uma caixa imaginária, ou seja, estamos a colocar um rótulo numa pessoa que “aparenta” pertencer a um grupo específico. Este ato de generalizar as pessoas é verdadeiramente problemático, pois estamos a ignorar a originalidade da pessoa em questão. Ninguém é verdadeiramente  idêntico a outra pessoa, uma vez que todos temos diferenças nas nossas personalidades e na forma que agimos como pessoa. 

Para exemplificar esta ideia, podemos analisar um caso que acontece no dia-a-dia. Geralmente, a sociedade olha para o peso de um corpo humano e associa, automaticamente, a problemas ligados ao consumo de comida, ignorando todas as outras causas para as oscilações de peso. Outro exemplo possível são as afirmações como “este país é melhor do que o país X” ou “as mulheres que ficam em casa não têm aspirações para o futuro”. As ideias generalizadas são extremamente prejudiciais para quem as está a receber, já que diminuem a pessoa a uma única ideia, quando, na realidade, há muito mais que a distingue. 

O ato de estereotipar tem diversas vertentes e podem ser relacionadas com a cultura, as classes sociais, a religião, a raça, o género, entre outros. Sendo assim, quase ninguém escapa a esta tendência de rotulagem, porque, na visão de alguém, fazemos sempre parte de um grupo específico, mesmo que não nos identifiquemos com o grupo em questão. Para quem está a receber os rótulos, especialmente aqueles que têm a intenção de ferir e segregar alguém, isto acarreta consequências nocivas quer na saúde física quer na mental. Quando rotulamos alguém, mesmo não sendo “intencional”, não sabemos o efeito que esse ato teve na pessoa em questão. Por exemplo, não sabemos até que ponto a pessoa vai querer mudar quem verdadeiramente é para fugir às ideias preconcebidas impostas sobre ela, culminando numa perda de identidade.

Para concluir, as diferenças devem ser celebradas. No fundo, são as diferenças que nos tornam seres únicos. Sim, poderia ser argumentado que o ato de estereotipar é um processo cognitivo e, por isso, os rótulos vão existir ad aeternum. Não obstante, está nas nossas mãos controlar o efeito que os rótulos que nós criamos têm nas outras pessoas, visto que, compreensivelmente, nem tudo o que pensamos é benéfico para o bem estar das pessoas que nos rodeiam.

Artigo da autoria de Joana Leite