Crítica Opinião

“TURNING RED”: FILME INCONVENCIONAL DA DISNEY SOBRE A PUBERDADE FEMININA

“Turning Red” é um filme da Pixar que teve o seu lançamento há pouco mais de um mês, tendo já
conquistado o coração de imensos fãs de cinema de animação. Contudo, o seu êxito deve-se a muito
mais do que ao bom traço e narrativa engraçada.
Por Inês Cardoso

“Turning Red: Estranhamente Vermelho”, o mais novo e hilariante filme da Pixar, conta a história de uma rapariga de 13 anos, Mei Lee, que se metamorfoseia num panda vermelho sempre que tem uma emoção forte, tendo de aprender a gerir essa insólita característica nas mais inesperadas e variadas situações.

Como o próprio nome sugere, o filme é uma metáfora alusiva à puberdade feminina e ao início do ciclo menstrual. Um tema pouco comum em filmes de animação, e cujo sucesso poderá advir do facto de a equipa de desenvolvimento, pela primeira vez na história da Pixar, ter sido maioritariamente constituída por mulheres. Muitos dos momentos divertidos do filme e das histórias partem de experiências reais vividas pelos membros integrantes da equipa, proporcionando uma abordagem cómica, leve, e genuína ao tema.

Para além da narrativa, também o traço e estética do filme fazem com que este seja tão inconvencional para os padrões da Disney.  A sua peculiaridade resulta de uma mistura bem conseguida do traço oriental e ocidental – que remete às origens canadenses e chinesas de Mei – e a animação das personagens é fluída, alegre e exagerada, deixando a audiência com olhar suspenso na película.

A condizer também com a origem da personagem principal, a trilha sonora que acompanha a história é uma mescla de instrumentos típicos chineses e música pop norte-americana, originando ritmos divertidos, originais e que ficam no ouvido.

Por último, o fator de êxito mais comentado acerca desta obra cinematográfica é, sem dúvida, a paleta de cores e desenho dos personagens.

Este filme passa-se no início dos anos 2000, sendo isto percetível pelas roupas, presença dos tamagochis, telemóveis de teclas, etc, o que, além de trazer o sentimento confortante de nostalgia aos espectadores mais velhos, também conversa muito bem com a estética “Y2K” que tem estado em tendência mundial.

Além disso, as roupas e formato dos personagens, ora mais redondos ora mais triangulares,  combinam com as suas personalidades. A título de exemplo, temos a mãe da Mei, que utiliza um casaco verde-escuro com ombreiras grandes e pontiagudas, exaltando a rigidez e autoridade do seu caráter.

Os  detalhes presentes neste  filme e a originalidade do tema (puberdade feminina), combinados numa abordagem cómica e subtil, produziram um filme singular da Disney, que está a ganhar especial notoriedade pela sua autenticidade, fazendo já parte do top de filmes de animação favoritos de muitos dos espectadores.

Artigo da autoria de Inês Cardoso