Artigo de Opinião Opinião

Onde está a cultura?

‘Cultura’ será, provavelmente, uma das palavras mais controversas dentro do nosso vocabulário, desde a sua aceção ao que significa verdadeiramente a sua inserção na sociedade ou, mais particularmente, onde está ela inserida.
Por Joana Oliveira

Dicionários à parte, pelo menos por agora, acredito que a cultura pode ser sucintamente percecionada como o produto resultante da vida humana. Tudo o que foi, é e será pensado é fruto do cultivo das ideias do nosso ser.

De acordo com o Priberam, ‘Cultivar’ é, por definição, ‘preparar e cuidar a terra para que produza’ e, por extensão, ‘aplicar-se ao desenvolvimento de’, seja a nível intelectual, artístico ou tradicional. A cultura pode ser, portanto, definida como a identidade de um grupo de indivíduos, sendo, no fundo, baseada nos seus pensamentos. E o que surge desses tais? Tudo, o que por vezes pode parecer nada a olho nu.

Sem esta noção, foram criados todos os meios pelos quais comunicamos, seja via verbal, através de um discurso no qual certos sons são ordenados de forma a serem compreendidos, ou escrita, nada mais nada menos do que desenhos, símbolos, organizados entre si de forma a, não só criarem sentidos, como também dialetos completos, de tal maneira normalizados ao ponto de serem banalizados e a sua importância e divindade esquecidas. Seguindo este pensamento, poder-se-á dizer que a cultura é o que nos permite viver em sociedade – está, então, presente em cada pausa que fazemos para respirar entre palavras.

E se se pode dizer que foi a criação deste conceito que deu o poder de comunicação ao ser humano, aproximando-nos e permitindo a partilha de tudo o que nos vai na alma, pode-se também considerar que o mesmo que nos separa, nos distingue. Se as tantas línguas faladas por este mundo fora fazem parte da cultura, e cada língua é a identidade de cada país, então será possível falar de uma cultura apenas? A questão é que esta noção é de tal forma abrangente que torna-se impossível posicioná-la num parâmetro apenas – é tão vasta quanto o planeta no qual tantas sociedades coexistem. A cultura atinge, portanto, um plano superior a tudo o resto, ainda que a base esteja no fundo da criação.

Ora, digam-me então o porquê de tanto preconceito contra o plano cultural, num país onde as pessoas que se dedicam às áreas que lhe estão associadas são automaticamente postas na fila do centro de desemprego. Pobres protetores do nosso património cultural, que faz de nós quem somos! Poder-se-á dizer que a cultura está presente em cada indivíduo de uma sociedade? Acredito que sim.

Se há razão para louvar as criações tecnológicas mais recentes, mais ainda haverá para louvar a base de tudo o que conhecemos, afinal, antes de tudo, só existia arte. No fim do seu percurso, o Homem deixa o mundo, mas a sua criação será imortalizada.

Artigo da autoria de Joana Oliveira