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O Culto das Redes Sociais

As redes sociais poderiam ser comparadas com moinhos. Elas giram e giram, metaforicamente, enquanto ganham popularidade; mas, ao mesmo tempo, elas esmagam continuamente tanto os conteúdos que são lá debitados todos os dias como as pessoas que as utilizam.
Por Joana Leite

As redes sociais poderiam ser comparadas com moinhos. Elas giram e giram, metaforicamente, enquanto ganham popularidade; mas, ao mesmo tempo, elas esmagam continuamente tanto os conteúdos que são lá debitados todos os dias como as pessoas que as utilizam. Na verdade, estas plataformas têm sido alvo de debate há algum tempo e, consequentemente, têm gerado uma enorme divisão de opiniões.

Hoje em dia não há como fugir a esta realidade, uma vez que se tornou intrínseca no meio social. Em todo lado, seja nos nossos telemóveis, nas montras das lojas ou naqueles restaurantes “trendy”, vemos alguma ligação às redes sociais. Na verdade, existem muitos aspetos aos quais eu podia “apontar o dedo”. Contudo, eu também consumo o conteúdo nas redes sociais todos os dias e, ao mesmo tempo que o faço, também crio conteúdo. Por isso, é mais do que verdade que as redes são um ciclo, por vezes bastante vicioso.

Pensando no lado positivo, estas plataformas, para além de alimentarem os nossos interesses individuais e o nosso “entretenimento” diário, podem ser úteis para amplificar as nossas vozes. A criação de contas informativas, ou de noticiários, nas redes sociais tem se tornado cada vez mais comum. Para exemplificar, num estudo feito na União Europeia, uma maioria dos participantes concluíram que procuravam notícias exclusivamente online, especialmente no Facebook. Penso que os aspetos positivos são muitos, como falar com os nossos amigos à distância ou quebrar o aborrecimento com vídeos no Youtube. Contudo, até que ponto não são as redes sociais um entrave ou até prejudiciais para os seus utilizadores?

Na realidade, voltando à metáfora do moinho, as redes sociais estão num constante ciclo de mudanças, criação e destruição. Enquanto é criado conteúdo valorativo todos os dias, nem sempre é esse que chega às nossas mãos. O conceito de “fake news” não é uma novidade no mundo online e, infelizmente, afeta-nos a todos. Considero que, enquanto achamos que estamos a adquirir novos conhecimentos, o que realmente captamos não passa de uma mentira (numa maioria de casos). A destruição do que criamos entra aqui. Enquanto que as redes sociais facilitam a propagação de temas importantes, como é o caso das alterações climáticas ou do tema da vacinação, estes conteúdos, eventualmente, vão ser esmagados e escondidos por temas superficiais.

Para além dos conteúdos falsos, é possível comentar que vivemos numa sociedade cada vez mais focada na popularidade online, ou seja, nos seguidores e nas visualizações. Vivemos em constante comparação. Este sim, é o verdadeiro ciclo vicioso. Todos os dias somos confrontados com padrões sociais e expectativas que, na maioria dos casos, não conseguimos superar. O culto das redes sociais pode ser considerado um aspeto negativo adicional, uma vez que, especialmente para as novas gerações, cria um ambiente de pressão e de toxicidade. A pressão não é apenas online, mas sim no nosso dia a dia. De repente é nos dito como deveremos agir, o que temos de vestir, que devemos perder peso, o tipo de maquilhagem que devemos usar e assim sucessivamente. A toxicidade que advém da pressão imposta nos utilizadores, leva a uma nova onda de problemas de autoestima, de saúde mental e, também, de problemas físicos.

Para concluir, penso que as plataformas online podem ser uma excelente ferramenta na sociedade de hoje, especialmente no que toca a exprimirmos as nossas opiniões e preferências. Ao mesmo tempo, acredito que temos de ter em especial atenção o modo como utilizamos esta ferramenta e nos protegermos dos danos que podem nascer deste novo hábito. Por isso, todos devemos desfrutar, mas sempre com a consciência de que nem tudo é o que parece.

Artigo da autoria de Joana Leite